Bombardeamento de nuvens pode ser mais uma alternativa de convivência com a seca

O secretário da Agricultura, Eduardo Salles, reuniu-se, nesta segunda-feira (14/05/2012), com o diretor-geral do INEMA, Júlio Mota, a diretora da empresa ModClima, Majory Imai, e presidentes de sindicatos rurais.
O secretário da Agricultura, Eduardo Salles, reuniu-se, nesta segunda-feira (14/05/2012), com o diretor-geral do INEMA, Júlio Mota, a diretora da empresa ModClima, Majory Imai, e presidentes de sindicatos rurais.

Considerada não poluente, a indução de chuvas localizadas, que consiste em semear água nas nuvens com potencial para chuva e acelerar o processo natural precipitando-as, apresenta-se como alternativa para aliviar os prejuízos causados pelos baixos índices pluviométricos do Nordeste. Diante do atual cenário no Estado, o secretário da Agricultura, Eduardo Salles, reuniu-se nesta segunda-feira (14/05/2012) com o diretor-geral do INEMA, Júlio Mota, a diretora da empresa ModClima, Majory Imai, e presidentes de sindicatos rurais, buscando avançar na elaboração de um projeto-piloto, no valor de R$ 200 mil, para o mapeamento das regiões do Piemonte da Chapada Diamantina e Sudoeste.

“Não queremos criar uma falsa expectativa, mas é uma experiência que não podemos deixar de fazer num momento como esse”, explicou Salles, afirmando que se o projeto-piloto for bem sucedido, essa primeira etapa poderá avançar até o mês de setembro, e se resultados forem significativos poderá ser celebrado um contrato de um ano. A ModClima já operou na Bahia e afirma que existem condições muito boas para realizar um trabalho de sucesso de longo prazo.

O procedimento consiste na pulverização controlada de gotas através de aeronaves equipadas com tanques de 300 litros de água potável, que fazem as nuvens concentrar alto índice de umidade e gerar a chuva.

Inicialmente tendo como base de operações os municípios de Lençóis e Vitória da Conquista, o projeto deverá ser contratado com recursos das secretarias da Agricultura/SIR e do Meio Ambiente/INEMA, e prevê 12 horas de voos. Desenvolvida por brasileiros, a tecnologia é totalmente sustentável e ajuda a recuperar nascentes, melhorar os índices nos mananciais e sanar os problemas em sistemas de abastecimento.

“Vamos iniciar um projeto-piloto para mapear e conhecer a situação que deveremos enfrentar, podendo avançar para contratos de médio e longo prazo. A probabilidade de chover é de zero a 40%, porque estamos num momento extremamente adverso”, disse Majory Imai. A filha do engenheiro mecânico Takeshi Imai, responsável por desenvolver o experimento, explicou que a identificação das nuvens é feita com o auxílio de radares e imagens de satélites, lembrando que “as análises permitem identificar previamente o local onde a chuva deve cair”.

De acordo com o secretário da Agricultura, o período não é mais ideal para iniciar este processo, recomendado para o mês de outubro quando existem nuvens e há a potencialização das chuvas. “Mas nesse momento é importante tentar todas as alternativas possíveis para minimizar o efeito da seca”, disse.

Os presidentes das associações de produtores rurais dos municípios de Itaberaba e Marcionílio de Souza, Alfredo Bezerra e Hernandes Medrado Filho, saíram satisfeitos com a resposta ágil, objetiva e imediata do governo. “Com esta ação, o governo acata de imediato a sugestão de uma ferramenta tecnológica de ponta apresentada pela ONU com efeito de mitigação da desertificação global”, afirmou o presidente da Associação de Produtores Rurais de Marcionílio de Souza, Hernandes Medrado.

Tecnologia gera resultados

A tecnologia de chuva induzida surgiu em 2001 com o apoio da Empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), com quem a empresa já realizou sete contratos  para produzir  chuvas sobre os mananciais do sistema Cantareira, em 300 mil hectares, e do sistema Alto Tietê, com 200 mil hectares, responsáveis pelo abastecimento de água para 20 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo.

A ModClima  já atendeu a agricultores no Oeste da Bahia e Goiás (Posse, Correntina, Jaborandi),  agricultores irrigantes em Mirorós,  usineiros de cana de açúcar em Pernambuco, na  Zona da Mata,  agricultores de soja, arroz e silvicultores no Maranhão. Já realizou uma missão voluntária em benefício do Parque Nacional da Chapada Diamantina, atuando na prevenção de incêndios florestais.

“Acreditamos e defendemos a ideia de que se a tecnologia de produção de chuvas for utilizada de uma maneira estratégica e inteligente, ela pode se tornar uma ferramenta ímpar para ajudar o homem a gerenciar não apenas uma nova fonte de recurso hídrico, mas ser mais uma arma importante para promover chuvas em regiões que estão sendo extremamente castigadas pelo clima e pela seca”, afirma Majory Imai, diretora da empresa.

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