Fim de voos noturnos em Frankfurt gera conflito de interesses

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A proibição de voos noturnos em Frankfurt divide opiniões: os moradores dos arredores comemoram a conquista de noites tranquilas. Do lado econômico, a preocupação é que a medida prejudique exportadores na Alemanha.

Quatro quilômetros separam a cidade de Raunheim da pista de pouso dos aviões que chegam ao aeroporto de Frankfurt. Por ano, são 500 mil decolagens e aterrissagens, e até 2020 esse número deve chegar aos 700 mil. Raunheim é a cidade mais afetada pelo barulho do aeroporto na região.

Quando os aviões passam à noite, diz o prefeito Thomas Jühe – que também é presidente do grupo de trabalho Comissão de Ruídos das Aeronaves –, então aqui ouve-se “o maior barulho”. Cerca de 700 aviões passam pela cidade a uma altura de apenas 300 metros durante 24 horas.

“Cada sobrevoo faz tanto barulho que as pessoas não conseguem mais conversar. O ruído chega a quase 80 decibéis”, diz o prefeito. Com um barulho desses, ninguém consegue dormir. O limite confortável para a audição humana nas cidades é de 50 decibéis.

Fator econômico

Ainda que a população de Raunheim tenha razão em reclamar, o Aeroporto de Frankfurt tem grande importância econômica para a região do Reno-Meno. Ele é o maior centro de tráfego aéreo da Alemanha e um dos maiores da Europa. O transporte de carga e de passageiros emprega 71 mil pessoas em cerca de 500 empresas e instituições.

A proibição de voos noturnos em Frankfurt vai custar o emprego de cerca de mil pessoas na região, diz Klaus-Heiner Röhl, do Instituto da Economia Alemã em Colônia (IW). Se os voos de carga forem transferidos para o Aeroporto de Colônia/Bonn ou Leipzig/Halle, entretanto, seriam gerados lá novos empregos, acrescenta.

O mais grave para a economia seria se a proibição de voos noturnos fosse estendida a todos os aeroportos da Alemanha. Nesse caso, as empresas teriam grandes prejuízos econômicos, pois os voos de carga noturnos precisariam ser redirecionados para países vizinhos. “Isso levaria a uma desconexão global e poderia prejudicar a Alemanha como nação exportadora”, diz Röhl.

Perdas para a Lufthansa Cargo

Os efeitos de uma surpreendente proibição de voos noturnos imposta em outubro passado em Frankfurt já haviam causado impacto na principal transportadora aérea de cargas do país, a Lufthansa Cargo. A companhia estima que as perdas com a eliminação dos voos entre 23h e 5h tenham somado 20 milhões de euros no ano passado e cheguem a 40 milhões este ano. Pouco depois do anúncio da proibição, a Lufthansa Cargo reestruturou radicalmente sua logística.

Dois de seus até então 69 voos noturnos por semana foram cancelados, 11 foram transferidos para o Aeroporto de Colônia/Bonn e os demais foram reprogramados para ocorrer durante o dia. Redirecionar os voos de carga para Leipzig/Halle ou para o Aeroporto em Hahn está fora de questão, informou a empresa.

Ruído de aeronaves faz mal à saúde

A proibição de voos noturnos, no entanto, não é observada apenas pelo lado econômico. Segundo o Departamento Federal do Meio Ambiente da Alemanha, deveria haver uma proibição geral, pois os riscos do barulho para a saúde seriam subestimados.

Problemas cardíacos e circulatórios e distúrbios do sono são algumas das consequências, diz Uwe Brendle, do Departamento Federal do Meio Ambiente. E isso também causaria prejuízo econômico. “Os custos estão ligados a um aumento no número de doentes ou mesmo de mortes prematuras”, explica.

Segundo o departamento federal, a Comissão Europeia estima que os custos com os ruídos de tráfego nos países da União Europeia cheguem a 40 bilhões por ano. “Nossos cálculos pressupõem, por exemplo, que, na região de Frankfurt, os danos causados pelo ruído das aeronaves gerem um gasto adicional com a saúde de 400 milhões de euros, para tratar pacientes com doenças cardiovasculares”, diz Brendle.

*Com informação : Deutsche Welle

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