Presidente da Câmara Federal, Marco Maia repudia críticas de dirigente da Fifa

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), rebateu hoje as declarações do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, ao dizer que o dirigente da Fifa mereceria um “chute de volta”. Segundo Marco Maia, se a declaração existiu ela foi deselegante e não condiz com o papel que qualquer dirigente, de qualquer entidade séria, tenha numa situação como essa.

Maia disse que o Brasil vai cumprir todas as suas obrigações, fazer todas as obras necessárias à Copa do Mundo de 2014 e organizá-la da melhor maneira possível. “Essa declaração merece, na verdade, que a gente dê um chute daqui para lá, de volta, que repudie qualquer tipo de declaração desse nível”.

O presidente da Câmara disse que o Brasil recebeu o dirigente da Fifa com toda a atenção e responsabilidade possível e que ele mesmo o recebeu em sua residência. “O que a gente espera é que haja de lá reciprocidade. Nós compreendemos a ansiedade da Fifa em relação à preparação para a Copa do Mundo de Futebol. Aqui não é nada imposto, nem pelo governo, nem pelas entidades do país, muito menos por entidades de fora do Brasil”.

De acordo com Maia, a Fifa, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o próprio governo e as instituições do Brasil são superiores aos homens. Ele ressaltou que pessoas dizem o que querem, o que entendem “mas as instituições são superiores”. Para Maia, fatos como esse só secretário da Fifa não vai levar a nenhum tipo de rompimento que inviabilize a realização dos eventos esportivos no Brasil. “Ao contrário, temos que tirar disso ensinamentos, repudiar a declaração, mas continuar trabalhando”.

A Lei Geral da Copa deverá ser votada amanhã à tarde na Comissão Especial da Câmara. Depois seguirá para apreciação do plenário da Casa e, posteriormente, será encaminhada à deliberação do Senado.

Relator da Lei Geral da Copa diz que declarações de Valcke são “insultuosas e descuidadas”

O presidente da Comissão Especial da Lei Geral da Copa da Câmara dos Deputados, Renan Filho (PMDB-AL), classificou hoje (5) de “insultuosas, descuidadas e inapropriadas” as declarações feitas pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, sobre um possível atraso na organização da Copa no Brasil.

Na última sexta-feira (2), Valcke disse que o Brasil está muito atrasado com as obras de preparação para a Copa do Mundo de 2014 e que precisaria receber um “pontapé no traseiro” para acelerá-las.

Em nota, Renan Filho argumentou que o governo e as instituições envolvidas na organização do Mundial não estão isentos de críticas, mas que as palavras “de linguajar chulo” de Valcke são “inadmissíveis”. “Enquanto interlocutor da Fifa com o governo brasileiro, é inadmissível que o secretário-geral faça uso de expressões inconsequentes, deselegantes e de linguajar chulo, sem considerar as responsabilidades que essa relação e esse cargo exigem”, disse o deputado.

De acordo com Renan Filho, a demora na votação da Lei Geral da Copa deve-se à realização de diversas audiências públicas para debater o projeto. O relator do texto está trabalhando para que a matéria seja votada novamente amanhã (6) na Comissão Especial que analisa o assunto, acrescentou o deputado. O projeto chegou a ser aprovado pela comissão, mas, como a votação ocorreu simultaneamente à ordem do dia, o que é proibido pelo regimento da Casa, a proposta passará por nova votação.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o presidente do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP) também criticaram as declarações do secretário-geral da Fifa. Rebelo classificou de “impertinentes e descabidas” as palavras de Valcke e ficou de pedir à Fifa um novo interlocutor. O senador José Sarney, por sua vez, considerou as palavras de Valcke uma “intromissão grosseira” na questão.

Representante de engenheiros e arquitetos rebate críticas da Fifa, mas reconhece atrasos na infraestrutura

As críticas do secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, de que as obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 estão comprometidas pelos atrasos, não têm fundamento técnico. Na avaliação do coordenador do grupo de trata dos assuntos relativos à Copa e presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) de São Paulo, José Roberto Bernasconi, o evento não corre risco, ainda que alguns dos legados prometidos para a população fiquem aquém do esperado, principalmente na área de mobilidade urbana e nos aeroportos.

Valcke disse, no último dia 2, estar preocupado com os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 por causa dos atrasos na construção de estádios e nas obras de infraestrutura de transportes e hotéis. Segundo ele, poucas coisas estariam funcionando no Brasil, e os organizadores precisam de “um chute no traseiro” para acelerar as obras.

“Tecnicamente falando, o Brasil terá todas as condições de fazer uma grande Copa do Mundo em 2014. Confio plenamente nisso. Vamos poder sediar adequadamente todas as 32 delegações”, disse Bernasconi à Agência Brasil. “A forma como Valcke se manifestou foi grosseira e inadequada. Não tem cabimento alguém de uma organização como a Fifa usar desses termos. É fora de propósito e merece todo o repúdio das autoridades brasileiras e de quem tem sensibilidade para como devem ser feitas as relações institucionais”, acrescentou.

Segundo ele, apenas os atrasos no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e na Arena da Baixada, em Curitiba, preocupam. “Mas ainda há tempo suficiente para [as obras] serem feitas”, avalia. Apesar de parada há um ano, a reforma do Beira-Rio será feita por uma construtora que, na avaliação de Bernasconi, “é suficientemente grande para concluí-la em um prazo curto, e competente para trabalhar em três turnos”.

“A Arena da Baixada, em Curitiba, também preocupa, mas é uma obra menor, e também dá tempo de fazer. Como esse estádio não está na lista dos que sediarão a Copa das Confederações, não deve haver riscos maiores para sua conclusão”, disse. Bernasconi acrescenta que os demais estádios estão de acordo com o coronograma previsto. “Alguns deles estão até adiantados em relação ao cronograma, caso dos estádios de Brasília e de Fortaleza (CE)”.

Os pontos mais críticos, segundo o engenheiro, são as obras de mobilidade urbana, hotelaria e nos aeroportos. “Valcke errou até na análise que fez sobre o Rio de Janeiro e São Paulo”. O secretário-geral da Fifa havia dito que apenas Rio de Janeiro e São Paulo teriam capacidade hoteleira para suportar o evento. “O Rio não tem capacidade hoteleira suficiente para o evento”, ressalvou.

“O Brasil tem, neste evento, uma grande oportunidade para fazer investimentos e desenvolver melhor a infraestrutura urbana. Infelizmente, ao que tudo indica, adotará soluções paliativas para o trânsito, como decretar feriados em dias de jogos ou férias escolares no período, e para a infraestrutura aeroportuária, como terminais provisórios”, lamentou o presidente do Sinaenco-SP.

*Com informações : Agência Brasil

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