Pesquisa revela que mais de 55% dos soteropolitanos estão endividados

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O levantamento analisa o primeiro trimestre de 2012 e aponta que o mês de março possui o maior índice, com 61,2%

A Femicro – Federação das Associações de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – divulgou informações da pesquisa realizada sobre o índice de confiança e intenção de Compra do Consumidor soteropolitano, além do Perfil de Endividamento, entre outros dados. O estudo foi realizado em parceria com o Banco do Nordeste do Brasil. No primeiro trimestre de 2012, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) atingiu 128 pontos, enquanto o Índice de Situação Presente (ISP) e o Índice de Expectativas Futuras apresentaram 125,5 e 129,6 pontos, respectivamente. A pesquisa apontou que, neste mesmo período, 55,9% dos entrevistados estão endividados em Salvador. O mês de março apresentou maior taxa, com 61,2%. O levantamento apresenta o cenário dos setores do comércio, da indústria e serviços e segmenta os resultados a partir do sexo, da faixa etária, escolaridade e renda familiar.

Em relação ao ICC, os homens apresentaram 128 pontos. A faixa etária entre 18 e 24 possui o índice mais elevado com 130,9 pontos, enquanto o ensino fundamental (140,5) e a renda familiar de mais de 10 salários mínimos (133,8). “O índice de confiança do consumidor tem o objetivo de gerar um indicador das expectativas em relação ao seu consumo futuro, procurando antecipar as variações do nível de atividade econômica no Município de Salvador. Assim, fornecem aos empresários, entidades empresariais, instituições financeiras e profissionais interessados, dados que revelem as tendências de consumo e comercialização na capital baiana”, afirma Moacir Vidal, presidente da Femicro.

O levantamento apontou que 45,6% dos entrevistados afirmaram que as percepções para a compra de bens duráveis do mês de abril são ruins e 40,2% consideram boas. Porém, 75% disseram que as perspectivas sobre a situação financeira da família, nos próximos 12 meses, são boas. “A partir desta análise, o comerciante pode superar seus desafios diários implementando seu plano estratégico com ações e atividades desde a simples tarefa da equivalência do estoque até complexas campanhas publicitárias que incentivem as compras”, completa Moacir Vidal.

COMPRAS

Dentre os produtos apresentados, 20% dos entrevistados afirmaram que desejam comprar computadores no mês seguinte, enquanto 18% preferem celular e 9% geladeira. Micro-ondas (8,8%), automóvel (8,7%), móveis (7,3%) e imóveis (6,6%) também se destacaram na pesquisa. Devido ao valor dos produtos mais procurados pelos consumidores, 48,6% disseram que pretendem gastar mais de R$ 1 mil. Entre os que optaram pelos computadores, 12% são homens e 26,6%, mulheres.

A média de gasto por renda familiar mensal foi de R$ 701,25, para quem ganha acima de 10 salários mínimos e R$ 535,81, para os que ganham até cinco salários mínimos. “No setor privado, este levantamento pode ser utilizado pelo empresário para dimensionar seus investimentos atuais, planejar seus investimentos futuros de médio e longo prazos, localizar a área geográfica mais propensa ao seu empreendimento e implementar suas políticas de vendas, tais como promoções e formas de pagamento”, afirma o coordenador da pesquisa, Michell Rocha.

DÍVIDA

Entre os 55% dos consumidores endividados no primeiro trimestre do ano, as mulheres possuem o maior índice, com 58,9%. Por faixa etária, 58,8% têm entre 25 e 34 anos; 61,2% só cursaram até o ensino fundamental e 57,9% ganham até cinco salários mínimos. No mês de março, dos 61,2% dos entrevistados que estão com dívidas, 48,1% são considerados adimplentes e 13,1% estão em atraso. “A pesquisa visa auxiliar no planejamento de vendas tanto das empresas, quanto na análise de risco do mercado consumidor de Salvador de instituições financeiras”, afirma Michell Rocha.

Dentre os motivos que levaram os soteropolitanos a não cumprirem as dívidas, 87,7% afirmaram que houve desequilíbrio financeiro e 28,5% adiaram o pagamento, aplicando os recursos disponíveis em outras finalidades. O desequilíbrio das finanças foi justificado por 90,7%, por não terem feito o orçamento e controle dos rendimentos e gastos, ou por terem feito de modo ineficaz.Porém, 90,6% afirmaram que fazem orçamento e controle eficazes de rendimentos e gastos.

O tempo de comprometimento da renda familiar mensal dos consumidores com dívidas futuras foi de três meses a um ano, para 58,7%. Segundo a pesquisa, os soteropolitanos gastaram mais em vestuário (29,9%), eletrodomésticos (22,2%), móveis residências (18,1%) e alimentação (15,2%). Para 79,6% dos entrevistados, o principal recurso para as compras a prazo é o cartão de crédito. A pesquisa revelou também que 54,1% dos entrevistados assumiram que possuem dívida com pagamento em atraso há mais de 90 dias e 21,3% estão até 30 dias com o débito. Em relação aos valores, 55,2% devem até R$ 1 mil e 16,4% possuem dívidas superiores a R$ 5 mil.

Para Moacir Vidal, o controle da inadimplência do consumidor é um dos principais problemas enfrentados pelos empresários do comércio de bens e serviços nos dias de hoje. “As dificuldades em obter dados estatísticos que permitam avaliar a natureza e a real dimensão do endividamento do consumidor são acompanhadas pela multiplicidade de indicadores, de conceitos e de metodologias indevidamente utilizados na abordagem desta questão, com isso, não há um rigor científico e confiabilidade na maioria dos estudos realizados”, avalia.

PESQUISA

O levantamento foi realizado em Salvador com 900 pessoas entrevistadas, com idade a partir de 18 anos e consumidores potenciais. O estudo trata de uma série de pesquisas econômicas que vêem sendo realizadas desde janeiro de 2008. “A importância é a medição regular da confiança dos consumidores no cenário econômico, sua intenção de compra de cesta de produtos apresentada e o nível de endividamento. A intenção de compra é influenciada pelo nível de confiança e não há consumo sem a análise do potencial de endividamento”, completa o presidente da Femicro. A Femicro – BA é uma entidade que tem por objetivo promover o associativismo como forma de fortalecimento das empresas, além de lutar e defender os interesses do segmento.

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