Genoma do homem do gelo mostra que ele tinha problemas cardíacos

Ötzi ou Múmia do Similaun é uma múmia masculina bem conservada com cerca de 5 300 anos.[1] A múmia foi encontrada por um casal de alpinistas, nos Alpes orientais, em 1991, num glaciar perto do monte Similaun, na fronteira da Áustria com a Itália. Ele rivaliza com a múmia egípcia “Ginger” no título de mais velha múmia humana conhecida, e oferece uma visão sem precedentes da vida e hábitos dos homens europeus na Idade do Cobre. Ao morrer, detinha vestimentas que o protegiam do frio, com três[2] camadas de roupas. Estudos revelaram que seu casaco era feito a partir de peles de ovelha e cabra.
Ötzi (O Homem do Gelo), reconstrução naturalista baseada técnicas forenses no Museu Arqueológico do Sul Tirol, Itália.

De acordo com pesquisadores, apesar de ter morrido com uma flechada nas costas há 5,3 mil anos, Ötzi era cardíaco e poderia ter sucumbido pouco depois devido a um infarto.

Ötzi tinha cabelos e olhos castanhos e, se não tivesse sido morto por uma flechada há milhares de anos, teria morrido de ataque cardíaco pouco tempo depois. Estas são algumas das conclusões de um estudo publicado pelo jornal Nature Communications nesta semana sobre o chamado “homem do gelo”.

Os restos mortais do homem que viveu na Idade do Cobre foram encontrados no vale Ötztal nos Alpes italianos, em 1991. Desde então, pesquisas são continuamente realizadas em seu corpo. Equipes das Universidades de Saarland e de Tübingen, na Alemanha, e da Academia Europeia de Bolzano, na Itália, chegaram à sequência do genoma do “homem do gelo” apenas um ano e meio atrás.

Riscos cardíacos

Baseados em novas análises genéticas, os pesquisadores concluíram que Ötzi tinha predisposição a doenças cardiovasculares, e que já tinha apresentado alguns sintomas de arterosclerose ou endurecimento de artérias.

“O genótipo dele mostra um risco elevado em até 40% de desenvolver doenças cardíacas coronarianas clinicamente evidentes – independentemente dos clássicos fatores de risco”, escreveu Andreas Keller, da Universidade de Saarland, um dos coautores do estudo.

Para os pesquisadores, isso foi significante por suas implicações na medicina moderna, de acordo com outra coautora Angela Graefen, paleogeneticista do Instituto de Múmias e do Homem do Gelo.

“Atualmente, a ideia que se tem é que doença do coração é algo moderno, com fatores de risco que incluem menos exercícios físicos do que o necessário”, afirmou Graefen à DW. “Mas isso não se aplica ao ‘homem do gelo’. Exames radiológicos têm mostrado que ele fazia muitos exercícios e o desenvolvimento de seus músculos mostraram que ele caminhava bastante nas montanhas”.

Pesquisadores também descobriram evidências concretas de que havia uma predisposição em Ötzi para doenças cardiovasculares. “Estamos ansiosos para usar esses dados na busca sobre como essas doenças se desenvolveram”, afirmam os autores por meio de um comunicado em conjunto.

Antigas doenças modernas

Além de doenças cardíacas, os pesquisadores também encontraram evidências de que Ötzi sofria da doença de Lyme, transmitida por um carrapato, causada por uma bactéria do gênero Borrelia. “Esta é a maior evidência da borreliose (doença) de Lyme e prova que esta infecção já existia há 5 mil anos”, explica Carsten Pusch, da Universidade de Tübingen.

Ötzi também tinha dificuldades de digerir produtos com leite, mas essa era uma condição muito comum na época, segundo Angela Graefen. “A intolerância à lactose não era um mal do ‘homem do gelo’, mas sim algo normal entre os seres humanos”, afirma. “Esta foi uma oportunidade de mutação ao longo do tempo que nós adaptamos para consumir leite”. Segundo Graefen, a habilidade de processar leite só se tornou realmente comum nos últimos mil anos.

Recontando a história

Além de catalogar as várias doenças de Ötzi, os resultados dos estudos também têm como objetivo identificar suas origens. Por meio do DNA, os antepassados de Ötzi poderiam ter vindo do Oriente Médio. Espécies relacionadas foram encontradas nas atuais ilhas de Córsega e Sardenha, no Mar Mediterrâneo.

Os detalhes de sua morte são muitos e ainda não está claro como exatamente Ötzi deixou a vida a 3.210 metros de altura, nos Alpes italianos. Pesquisadores acreditam que ele, aos 46 anos de idade, era o mais velho entre seu povo quando morreu ferido com uma flechada nas costas. Alguns citam a morte de Ötzi como o caso misterioso de homicídio mais antigo do mundo.

Para a comunidade científica, o homem de gelo ainda tem muito a oferecer, assim que o Instituto de Múmias e do Homem do Gelo tornar acessíveis seus dados pela internet. “Estes resultados são apenas a ponta do iceberg. Todos os especialistas que lidam com a recente evolução do genoma humano e com doenças genéticas poderão ter acesso online às informações”, diz Graefen.

O próximo grande projeto dos pesquisadores, afirma ela, seria observar mais de perto todos os detalhes do estômago de Ötzi, o que deverá revelar mais sobre sua alimentação e seu estilo de vida.

*Com informação do Deutsche Welle.

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