Em matéria do jornal O Globo, Geddel Vieira Lima declara: “temos de parar com essa história de que Lula é o Deus do Brasil”

Ex-ministro Geddel Vieira Lima se posiciona contra escolhas do líder petista.
Ex-ministro Geddel Vieira Lima se posiciona contra escolhas do líder petista.
Ex-ministro Geddel Vieira Lima se posiciona contra escolhas do líder petista.
Ex-ministro Geddel Vieira Lima se posiciona contra escolhas do líder petista.

A presença do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, no governo Jaques Wagner, tem sido alvo de inúmeras matérias de jornais do sudeste. A exemplo de O Globo, que na edição de domingo (04/03/2012), aborda aspectos políticos da pré-candidatura de Gabrielli à sucessão de Wagner. Rotulando de quadro independente, que possuí história no partido.

Segundo a matéria, o preferido de Wagner é o deputado federal licenciado Rui Costa, atual Chefe da Casa Civil. Mas, com a indicação de Lula para a sucessão estadual na Bahia, Gabrielli ganha um aliado de peso. Além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gabielli possuí ligações com o ex-ministro José Dirceu.

Wagner sem hegemonia

Mesmo sendo eleito por duas vezes governador da Bahia, a palavra de Wagner não é hegemônica no Partido dos Trabalhadores na Bahia. Existem correntes ligadas ao prefeito de Camaçari, Luiz Caetano; a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho; além do senador Walter Pinheiro, do deputado federal Nelson Pelegrino e de Walmir Assunção, ligado ao MST (Movimento dos Sem Terra). Estes políticos tem espaço próprio dentro do partido e querem influir para manter-se no poder.

Voltado a Gabrielli, o sindicato dos petroleiros colocou a máquina em movimento e trabalham a imagem do ex-presidente da PETROBRAS. Com currículo acadêmico e executivo com competência comprovada, Gabrielli reúne como poucos, o conhecimento teórico, à ação prática, além da percepção política.

Situação complexa

Jorge Almeida, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), descreve o desembarque de Gabrielli como “situação complexa” por suspeitar que o economista não faça parte da lista de preferidos do governador,“Jaques Wagner não pode negar espaço a ele. É um quadro com autonomia muito grande. Se eleito, não será visto como continuidade. Não é herdeiro do governador.”.

Cargo no governo

Gabrielli vai para a Secretaria Estadual do Planejamento, no lugar do deputado federal licenciado Zezéu Ribeiro. Que assume a contragosto o mandato de deputado federal pelo PT. “Fiquei um ano montando intensamente projetos de larga escala, com alcance regional e nacional, e na hora de capitalizar isso para a Bahia, eu saio.”, desabafa. Mas, no final de 2011, o próprio governado Jaques Wagner teve que ir a Brasília para tentar liberar recursos para os projetos federais em curso na Bahia. A gestão de Zezéu foi marcada, em boa mediada, pelo imobilismo. O que resultou na insatisfação do governador.

Geddel no ataque

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) apelidou Gabrielli de piano de cauda, “por ser grande, vistoso, mas ninguém sabe onde colocar”, chegou reclamar na Petrobras do ex-chefe da Comunicação Institucional da estatal na Bahia e hoje deputado estadual Rosemberg Pinto. Percebendo que Gabielli será o seu próximo opositor ao Palácio de Ondina, Geddel declara: “Lula gosta dele. Mas temos de parar com essa história de que Lula é o Deus do Brasil.”.

MP investiga

Segundo denúncias teria existido um esquema de patrocínio cultural e troca de votos. “Acho as acusações completamente levianas pois não são substanciadas em fatos, mas em especulações, fofocas e interpretações políticas de adversários”, reagiu Gabrielli. Em 2009, o Ministério Público do Estado abriu inquérito para investigar a ausência de licitação e os contratos de patrocínio da Petrobras com a Associação de Apoio e Assessoria a Organizações Sociais do Nordeste (Aanor) e a Fundação Galeno D”Alvelírio para a promoção do São João no interior baiano. As duas entidades, dirigidas por petistas ligados a Rosemberg, receberam R$ 2,96 milhões, metade para cada, para produzir as festas em 44 municípios em 2008.

O MP informou que haverá pedido de ressarcimento ao erário, em futura ação a ser proposta, caso a análise das prestações de contas e a eventual quebra de sigilos fiscal e bancário dos investigados comprovem a aplicação indevida dos recursos financeiros. “Não há vinculação da estrutura da Petrobras com a política”, disse Rosemberg Pinto.

Fora da Bahia, o futuro secretário tem dois aliados: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela sobrevida de Gabrielli na Petrobras por mais um ano, apesar das divergências com Dilma, e o ex-ministro José Dirceu, a quem Gabrielli visitou no ano passado.

Sobre Gabrielli

José Sérgio Gabrielli é ex-professor da UFBA, com doutorado pela Universidade de Boston, fundador do PT baiano, partido pelo qual disputou o governo estadual em 1990, perdendo para Antônio Carlos Magalhães. Foi diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras entre 2003 e 2005, quando assumiu a presidência da estatal no lugar de José Eduardo Dutra.

Sobre Carlos Augusto 9758 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).