São Gonçalo dos Campos: Prefeito Antônio Dessa Cardozo comenta sobre investimentos em saúde, assistência social e educação, e avalia as eleições de 2012

Antônio Dessa Cardozo (Furão): Tenho certeza que nessa avaliação o povo vai lembrar que o prefeito Furão além da educação, da assistência social, da saúde, foi o prefeito que mais realizou pavimentações em São Gonçalo.
Antônio Dessa Cardozo (Furão): Tenho certeza que nessa avaliação o povo vai lembrar que o prefeito Furão além da educação, da assistência social, da saúde, foi o prefeito que mais realizou pavimentações em São Gonçalo.

O prefeito de São Gonçalo dos Campos, Antônio Dessa Cardozo (Furão), em entrevista ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, comenta sobre o legado da administração municipal e avalia que nas áreas de saúde, assistência social e educação, o governo municipal contribui com importantes e definitivas melhorias das condições sociais do povo são-gonçalense.

Preocupado em melhorar os indicadores educacionais. No início da administração foram implantados cursos preparatórios para pré-vestibular, e concedidas bolsas auxílio-transporte aos que passavam em cursos técnicos e universitários em Feira de Santana, Cachoeira, Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas. Atualmente, cerca de 900 alunos de comunidades carentes cursam os níveis técnico e superior. Sendo que 700 deles recebem o benefício. Para exemplificar, o povoado de Mercês saiu de zero pessoa com nível superior, e hoje conta com 60 alunos.

“Até maio estarei estendendo à bolsa-transporte aos alunos de São Gonçalo que cursam nível superior em Salvador. Queremos que a população, principalmente a mais carente, possa alcançar uma formação técnica de excelência. E desta maneira, transforma a própria vida, dos familiares e da comunidade.”, explica Furão.

Outro programa coroado de êxito foi o bolsa-família municipal. De forma pioneira, Furão implantou o programa, que atualmente é copiado por outras administrações municipais. “Inspiramo-nos no Governo Federal, e ao invés de adotarmos o clientelismo, introduzimos um programa social amplo e apartidário”.

O prefeito avalia que na saúde a comunidade tem muito a comemorar. O hospital municipal funciona com diversas especialidades e atende não apenas os são-gonçalenses como os moradores de municípios vizinhos como Conceição da Feira. Ele também enfatiza os investimentos nas unidades de saúde da família e nos programas de combate a endemias e epidemias.

Os setores industrial e imobiliário impulsionaram os índices de crescimento econômico de São Gonçalo. Na avaliação do prefeito, várias empresas se instalaram no período em que esta a frente do governo municipal e outras deverão ser inauguradas ainda este ano, e no transcorrer dos próximos anos. “Além do crescimento industrial e do crescimento do emprego formal, a nossa base de IPTU e a qualidade de moradia em São Gonçalo passam por consecutivas melhorias. Bairros planejados estão sendo erguidos. Recentemente um loteamento possibilitou a expansão da área comercial do município. Além de termos realizado o maior número de pavimentações da história do município.”, comemora.

Confira a seguir a entrevista, que é um balanço dos três anos de governo. Furão também comenta sobre o processo eleitoral de 2012.

Jornal Grande Bahia – Três anos de governo, sua segunda experiência a frente da administração municipal. O que foi possível avançar nestes 40 meses de administração, e efetivamente, o que você poderia dizer para a comunidade de São Gonçalo que o diferencia das demais administrações?

Antônio Dessa Cardozo (Furão) – Nós poderíamos destacar entre muitas áreas a saúde, aonde em três anos, nós encontramos uma cidade com sete PSFs [Postos de Saúda da Família], ampliamos para 11, o município está 100% coberto pelos programas de saúde da família.

Além do aumento de 50% dos PSFs, implantamos em três anos 11 postos de saúde satélite na zona rural. Abrimos uma clínica, na região vizinha a Feira de Santana, onde temos muitos especialistas como cardiologista, endocrinologista, pediatra, neurologista, ultrassonografia, raio-X, tudo em uma clínica, clínica de cidade implantada em uma zona rural.

Contamos com um hospital equipado, com um sistema de ambulância, inclusive uma ambulância UTI totalmente equipada. O hospital está sendo reformado e ampliado, estamos climatizando todo o hospital. Nós estamos abrindo a solicitação esse mês para climatizar todo o pronto socorro do hospital, então isso nos dá uma qualidade melhor no atendimento e diminui o risco de infecção hospitalar. Porque com a temperatura baixa a proliferação das bactérias praticamente não existe. Então nós temos todo esse investimento na área de saúde.

JGB – Só um detalhe, moradores de municípios do entorno vem se tratar aqui em São Gonçalo. Isso também acaba elevando o custo do hospital. Como é que você tem trabalhado essa questão?

Furão – Eleva o custo, mas também eleva a receita, porque a gente arrecada tudo que a gente produz. Isso é chamada ‘pactuação’. Onde município sede, por exemplo, aquele que tem um hospital, firma convênio com as administrações municipais da circunvizinhança.

Por exemplo, Guto vem de Antônio Cardoso, ele vem traz seu cartãozinho do SUS aqui e atendido em São Gonçalo, automaticamente quando ele passa o cartãozinho do SUS, o SUS no mês seguinte nos paga, tira de Antônio Cardozo o valor de uma consulta e paga para São Gonçalo. Então, tudo isso é pago, é um processo feito de forma legal, pactuada, como o Ministério da Saúde determina. Se Conceição da Feira não tivesse o hospital de São Gonçalo, o povo de Conceição passaria por maus momentos, porque quem socorre o pessoal de Conceição da Feira é o Hospital de São Gonçalo.

Quando assumimos o Hospital, ele tinha um dia de cirurgia na semana, hoje são quatro dias, praticamente em todos os dias úteis da semana são realizadas cirurgias, isso é mais um avanço. O Hospital de São Gonçalo nunca teve o alvará da vigilância sanitária, que qualquer hospital precisa para funcionar. São dois tipos de alvará, provisório e definitivo. Provisório é quando o hospital não atende todas as expectativas. Pela primeira vez isto foi conquistado na história do Hospital de São Gonçalo, e esse hospital tem quase 20 anos de inaugurado. Mas, apenas agora está funcionando com alvará definitivo. Nós conseguimos adequar o Hospital a todas as exigências que o Ministério da Saúde impõe.

JGB – Na questão da educação o que você pontuaria como importantes conquistas de sua administração?

Furão – Agora mesmo nós acabamos de inaugurar uma escoa para 800 alunos. Ela começou a funcionar na semana passada com cerca de 400 alunos, mas ela tem o potencial para 800 alunos. Nós fizemos um pouco maior, prevendo o aumento da demanda nos próximos anos, mesmo porque ela é de 1ª a 5ª série, e nos próximos dois ou três anos o governo do estado vai deixar de matricular alunos da 1ª a 4ª série, criando um problema muito grande não só para São Gonçalo, mas para todos os municípios. Nós estamos preparados para absorver esses alunos da rede pública estadual.

Implantamos também o transporte para estudantes universitários e de curso técnico, isso é uma forma que o município tem de viabilizar, de ajudar os filhos das pessoas que não tem condições, de chegar à universidade, não é difícil hoje um aluno de são Gonçalo passar no vestibular, o difícil é ele se deslocar, porque as universidades são em Feira de Santana, Cachoeira, Cruz, Santo Antônio de Jesus.

Para Feira de Santana nós damos o transporte, implantamos isso em 2009 e hoje temos transportando diariamente para Feira de Santana, são cerca de 680 alunos, então esse é um avanço que nós conseguimos proporcionar aos filhos dos pobres em São Gonçalo.

Por exemplo, nós temos uma localidade aqui chamada Mercês, vizinha a Humildes, nos limites com Feira. Mercês tem 1.500 moradores mais ou menos. Quando assumimos em 2009, Mercês não tinha filho cursando universidade, hoje tem 60, porque a prefeitura implantou dentro de Mercês um pré-vestibular e paga o transporte. Nós temos em toda a zona rural cursos pré-vestibulares implantados, além do núcleo da sede, e dos povoados de Magalhães e de Mercês. Então isso é um facilitador, principalmente para o filho do pobre que muitas vezes não tem perspectiva nenhuma, mas em São Gonçalo eles têm.

JGB – Quando o senhor assumiu, no seu discurso de posse o senhor falou que a sua administração seria pautada por uma ação social forte. O que o senhor implantou nesses três anos?

Furão – Eu estou dando essa entrevista e você está vendo aqui vários cheques que eu estou assinando, todos de R$ 40. Nós criamos 2010, imitando o Bolsa família federal, criamos em São Gonçalo o Bolsa Família municipal. Nós damos um auxílio de R$ 40 por família, estamos obedecendo aos critérios da lei, que foi aprovada pela Câmara Municipal, nós temos 1.200 família sendo atendidas pelo programa.

Além do Bolsa Família municipal está também aqui na sua frente uma relação das pessoas que vão receber o Bolsa Auxilio de Transporte Universitário. Para os são-gonçalenses que estudam em Feira de Santana nós damos os carros, temos dez vans a noite, e durante o dia, três ônibus. Para as faculdades situadas em Cachoeira, Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas nós vamos dar uma bolsa de R$ 250,00 por mês, para cada estudante. Com objetivo de ajudar no transporte, aqui está o primeiro lote.

JGB – Quantas pessoas estão sendo beneficiadas?

Furão – Nós vamos iniciar com 114 pessoas para universidades de Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus. São Gonçalo dá estrutura para que os filhos dos pobres possam cursar uma universidade, seja lá onde for, e vamos estender o benefício para os filhos dos pobres que queiram cursar Salvador. Como Salvador é um número maior, vamos implantar a partir de maio. Só para Salvador estamos calculando atender cerca de 190 alunos universitários.

JGB – Prefeito, o senhor se considera um home de sorte? Porque o setor industrial em São Gonçalo deu um salto nesse período em que o senhor está à frente da prefeitura, algumas empresas se instalaram e existe protocolo para que outras empresas se instalem.

Furão – Temos o total de 31 empresas, eu não posso dizer que isso é só mérito meu. Também por conta da falta de espaço em Feira de Santana, estamos sabendo aproveitar a situação atraindo para São Gonçalo as empresas. Nós temos 31 protocolos, cinco estão sendo instalados e os outros para serem liberados. Por exemplo, aqui na minha mão tem um convite para inauguração da primeira empresa, no dia 30 de março as 19 h, gerando cerca de 150 empregos.

JGB – Mais impostos.

Furão – Além dos impostos, o ISS [Imposto sobre Serviço], emitiu uma nota paga, ai não tem perdão. Poderíamos estar bem mais avançados se a burocracia na liberação do governo do estado não fosse tão grande. Por exemplo, nós tivemos na sexta-feira [16/03/2012], dois representantes de empresas do ramo do setor de peças querendo ajuda para conseguir um terreno, nós vamos ao vice-governador Otto Alencar no dia 28 [03/2012] e vou levar essas pessoas. Serão mais dois protocolos. Mas, o governo do estado precisaria diminuir as dificuldades e proporcionar mais facilidades para atrairmos um número maior de empresas para o nosso município.

JGB – São Gonçalo viveu na última década uma estabilização populacional, mas recentemente houve crescimento do setor imobiliário que fatalmente terá impacto no nível da população. Como o senhor avalia esse cenário? E quais foram efetivamente os avanços em termos de urbanização para o município?

Furão – Ai eu vou deixar a modéstia de lado nessa área e vou assumir a paternidade total. Quem chamou a atenção do estado para o investimento imobiliário em São Gonçalo foi o projeto que nós conseguimos. Trouxemos o programa federal Minha Casa Minha Vida, através de parceria com a Construtora L Marquezzo, viabilizamos uma área em São Gonçalo, próximo aos limites com Feira de Santana, para implantar um loteamento popular com 987 casas. As primeiras 500 casas nós vamos entregar no mês de maio, e isso chamou a atenção do setor imobiliário.

Com certeza isso ajudou a trazer a Prime Imobiliária para São Gonçalo que lançou o seu primeiro empreendimento, mini chácaras, que vendeu tudo na primeira semana. No mês passado a Prime lançou um loteamento mais popular, e em apenas dois dias venceu praticamente 100%.

São Gonçalo é uma cidade agradável. Por exemplo, você que mora em Feira de Santana há 10 minutos do nosso município. Posso lhe afirmar que é mais agradável você educar, criar seu filho em São Gonçalo, porque aqui tem as pracinhas, e apesar da proximidade com Feira de Santana você ainda pode botar a cadeira na porta de casa à noite, e ir à casa dos amigos tranquilamente à noite.

Nós vamos começar a lutar agora, junto ao governo do estado, e aproveitar que Otto está a frente da secretaria, levantando uma bandeira minha, para tentar duplicar essa estrada Feira – São Gonçalo. São Gonçalo e Feira se confundem nos seus limites. Na estrada Feira – São Gonçalo não existe mais 50 metros sem uma casa, totalmente urbanizada, então temos que pensar e cobrar do governo do estado essa duplicação.

JGB – Sempre que entrevisto o vice-governador Otto Alencar quando ele fala sobre São Gonçalo ele se refere com carinho e comenta sobre a relação pessoal com o prefeito. Ele fez uma promessa, pelo menos foi repercutido no nosso Jornal, com relação a reurbanização da Avenida que liga o centro da cidade a BA que liga a Feira de Santana.

Furão – Inclusive um dos motivos dessa audiência nossa no próximo dia 28 é com relação à pavimentação na Avenida José Carlos Lacerda, a principal da cidade. Ele mesmo fez essa compromisso com a gente, e tenho convicção que dia 28 nós teremos novidades sobre isso.

JGB – Prefeito, treino é treino, jogo é jogo e esses anos têm eleições. É o ano em que o povo julga a sua administração, se merece ou não ser reconduzido para mais quatro anos. O senhor realmente é candidato? Por qual partido? E a sua expectativa é de que seu grupo político consiga alcançar que números de vereadores que possam apoiar o segundo mandato seu? E se efetivamente confirmar essa candidatura porque o cidadão de São Gonçalo deveria votar no senhor pela terceira vez?

Furão – Eu tenho tentado evitar a questão da reeleição. Até mesmo por conta de que antecipar um processo eleitoral é muito custoso. A legislação eleitoral hoje e muito rigorosa, então pode pegar o candidato em um passo mal dado e lhe criar pelo menos um constrangimento no bolso, que são multas. Eu tenho evitado falar sobre reeleição. Sobre este assunto vou me manifestar só no São João.

Quanto ao partido que eu estou filiado é o PSD. Tenho feito pesquisas de avaliação todo mês, estamos pelo menos 20 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o nosso grupo é muito forte. Das 13 vagas faremos pelo menos 10 vereadores. O cenário político de hoje é você ter a experiência de que ser político é momento, e neste cenário eu não vejo dificuldade para reeleição. Mas a respeito disso eu só me manifesto se serei ou não candidatado no São João.

JGB – Então vamos mudar a última pergunta. O que o senhor diria ao cidadão de São Gonçalo? Uma frase que sintetizasse toda uma ideia do que foi esse seu governo.

Furão – Chamar o povo a uma reflexão, para fazer uma avaliação do que São Gonçalo era em 1º de janeiro de 2009 e o que São Gonçalo é hoje. No aspecto da saúde, que nós temos uma saúde muito bem avaliada, 82% da nossa população disse que a saúde é bem melhor agora do que antes.

Nós temos uma educação bem melhor, uma assistência social efetiva. Estamos entregando agora no final do ano uma cidade calçada, loteamentos, 1.400 casas. Eu construí uma escola para 800 alunos dentro dele, e estou terminando de construir uma quadra de esportes.

Eu não estou dizendo que eu sou melhor do que os outros, eu estou chamando o povo para fazer uma avaliação. Tenho certeza que nessa avaliação o povo vai lembrar que o prefeito Furão além da educação, da assistência social, da saúde, foi o prefeito que mais realizou pavimentações em São Gonçalo. Mas que todos os prefeitos que passaram juntos e isso é fácil provar, é só medir. Não estou dizendo ao povo que sou melhor, vou chamá-los para uma avaliação do que era São Gonçalo, e do que é hoje. Principalmente na geração de empregos.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9153 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).