Baianos discutem A Privataria Tucana em audiência pública

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, ganhou destaque nesta quinta-feira, 01, durante audiência pública realizada no Hotel Fiesta, em Salvador. O debate sobre a obra, que revela alguns dos escândalos da era das privatizações no Brasil, reuniu o deputado federal Emiliano José (PT-BA) – uma das fontes de informação do livro, o deputado estadual Joseildo Ramos (PT) – que propôs a ação, além do próprio jornalista Amaury Ribeiro e o vice-presidente da Associação Baiana de Imprensa, Ernesto Marques. A mesa também foi composta ainda pelo secretário de Relações Institucionais da Bahia, Paulo Cezar Lisboa, que representou o governador no evento.

Fenômeno de vendas, a Privataria Tucana é o resultado de dez anos de um minucioso trabalho investigativo sobre os bastidores da era das privatizações. O livro esgotou sua primeira edição em apenas 24h e está há 10 semanas entre os mais vendidos do país. Na Bahia, dois temas chamam atenção no livro: A privatização da Coelba e o caso da doação de terrenos na Ilha do Urubu, em Porto Seguro, amplamente denunciado por Emiliano José. Para o deputado petista, as revelações contidas no livro revelam o legado do governo FHC no Brasil, e como a mídia brasileira, ainda hoje, constitui-se como um grupo altamente partidarizado. “Infelizmente há um desprezo profundo por algumas regras do jornalismo brasileiro, como o dever de checar todas as fontes possíveis, ou não publicar nada que não esteja devidamente documentado. Se fizéssemos uma análise veríamos como a atuação da mídia está relacionada com o golpe de 64, a conivência com a ditadura, o amor quase carnal por Collor, além do deliberado silêncio em torno da privataria da era FHC”. Todos os fatos narrados em A Privataria Tucana estão reforçados em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no Ministério Público, e na Justiça.

Para o deputado Joseildo Ramos, este é o momento em que o parlamento brasileiro e baiano que, em muitos momentos parece distante da sociedade, deve cobrar investigações e punir os envolvidos. “Para além da privatização em si, emergem fatos comprovados de que houve tráfico de influência, aparelhamento do estado, corrupção e lavagem de dinheiro. Crimes graves cometidos em nome de uma pretensa “modernidade”, que culminaram na dilapidação de patrimônio estratégico da sociedade brasileira, em favor de grupos econômicos financiados pelos cofres públicos”, disparou.

Na Bahia, o livro faz uma série de denúncias, por exemplo, contra José Serra e seu primo, o espanhol naturalizado brasileiro, Gregório Marin Preciado. O autor cita exaustivamente a denúncia de Emiliano José, na reportagem “Ilha do Urubu, o paraíso traído”, publicada na revista Carta Capital em 2009. Ao ser derrotado por Jaques Wagner, Souto esvaziou as gavetas do Palácio de Ondina e foi à forra contra os eleitores baianos , despachando um “saco de bondades” custeadas pelos cofres do estado, incluindo a outorga a particulares de 17 propriedades rurais, 12 imóveis e 1.042 veículos. Das terras outorgadas, uma foi a Ilha do Urubu, considerada uma das áreas mais valorizadas do litoral do Atlântico. Segundo o autor, o estado foi um dos mais vergonhosamente fraudados. “Aqui se roubou, se lavou dinheiro, montou-se uma verdadeira ‘bolsa de valores’ do dinheiro vindo da corrupção”, revelou.

Na plateia, representantes da sociedade civil de diferentes segmentos participaram do debate. Estudantes e professores da UFBA, do IFBA, do colégio ISBA, membros da ABI, bem como o deputado federal Nelson Pelegrino, os deputados estaduais Marcelino Galo, Maria Del Carmem, Rosemberg Pinto, Fátima Nunes, as vereadoras Vânia Galvão e Olívia Santana, além do presidente do PT na Bahia, Jonas Paulo, estiveram presentes na audiência pública.

“A democracia tem se afirmado no Brasil. Atingimos hoje o menor índice de desemprego no país, tiramos milhões de brasileiros da miséria com as políticas de distribuição de renda do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma. Continuaremos avançando neste caminho, e não vamos esquecer o que já dizia a Hannah Arendt: é fundamental defender a dignidade da política”, finalizou Emiliano José.

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