Revelação da música alemã, Dillon tem um toque brasileiro que foge dos clichês

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Nascida no Brasil, a cantora lançou no final de 2011 seu aclamado disco de estréia: “This silence kills”. Dona de uma bela voz, Dillon mistura música eletrônica, pop e jazz em suas canções.

É fácil apreciar as virtudes do disco de estréia da alemã Dillon, This silence kills. Soando às vezes como Björk no uso de texturas eletrônicas e na maneira de cantar suas letras cheias de imaginação, ou como Tori Amos, em sua cumplicidade com o piano, o que Dillon nos apresenta é um disco de chansons para esse milênio, onde a melancolia não é apenas um escape para a dor, mas também uma celebração da vida.

Dillon nasceu no Brasil e se mudou para Colônia, na Alemanha, aos cinco anos de idade. “Tenho memórias da minha infância em São Paulo: a escola, o transito , teatro, visita a museus, ir à fazenda, aniversários e dias das mães. Grande parte da minha família ainda vive na cidade e voltei ao país muitas vezes”, declarou a cantora em conversa com a DW Brasil.

Complementar, não oposto A carreira de Dillon começou como a de muitos aspirantes a artistas nos dias de hoje, na internet. Em 2007 ela gravou vídeos caseiros, onde tocava e cantava algumas de suas composições no piano. Os vídeos tiveram grande número de acessos e uma boa resposta do público, colocando Dillon no radar de fãs e também de outros artistas. No mesmo ano, ela subiu pela primeira vez ao palco. Cheia de idéias, munida de um teclado e da voz singular, Dillon foi trabalhando suas idéias e transformando-as em canções. “Comecei a cantar para mim mesma, para literalmente ouvir minhas palavras e minhas emoções. Esses dois elementos são até hoje as bases de todas as minhas canções”, diz. Com músicas que podem soar tristes e melancólicas, mas sempre cheias de vida e emoção, teria a cantora achado um ponto comum entre suas raízes brasileiras e alemãs? “Coloco todos os aspectos da minha vida em meu trabalho. Minha história, minhas experiências estão todas lá. Preciso das quatro estações, o que não existe no Brasil, mas ao mesmo tempo preciso ser aberta, livre e direta como os brasileiros”, disse a cantora, que não vê influencia direta de música brasileira em seu trabalho, apesar de ser fã de Caetano Veloso e de Elis Regina. Com sua crescente popularidade, Dillon acabou tocando por toda a Alemanha, de pequenos clubes a grandes festivais, como o Melt!. Ela também excursionou com os veteranos do Tocotronic. Depois de algumas participações em faixas de bandas como Coma e de dois singles lançados, estava na hora de a cantora dar o próximo passo em sua carreira. Momento certo Com toda a experiência da estrada, Dillon achou o momento certo e os parceiros ideais, Thies Mynther (Phantom/Ghost) e Tamer Özgönenc (MIT), para começar a gravar seu álbum de estreia. Em vinte minutos ela criava idéias básicas para uma canção. No entanto, transformá-las no que ouvimos hoje, levou dias, semanas e até meses. Para a cantora era importante manter o aspecto cru e real de suas demos, mas ao mesmo tempo capturar sua evolução e novos interesses. O disco mistura algumas composições que Dillon vem trabalhando nos palcos por anos e outras criadas nas sessões de estúdio. Mesmo assim, ela só queria lançar as canções quando houvesse uma unidade, um álbum “com começo, meio e fim”. O resultado são 12 canções que misturam a força da voz de Dillon com batidas eletrônicas sofisticadas e cativantes. Criando um balanço pop entre suas melodias no piano e a ironia de suas letras. Tip tapping é cinematográfica. Thrirteen Thrtyfive é um jazz para a juventude berlinense. Abrupt Clarity remete às pistas de dança dos anos 1990. “Tudo que eu vejo, cheiro e sinto me inspira a escrever. Meu trabalho é muito pessoal e próximo de quem eu sou. Identidade, solidão e espaço também são temas que quero questionar com o minha música”, disse Dillon. A experiência de se apresentar ao vivo também mudou. Antes era apenas a cantora e seu piano no palco. Depois do lançamento do álbum, ela teve que incorporar elementos eletrônicos em seus shows. “Queria unir a matemática pragmática da música eletrônica com o lado emocional e irracional das minhas letras e melodias. Foi um processo natural e orgânico”, completou a cantora, que mais uma vez prova que seu lado alemão e brasileiro são mais complementares que opostos. *om informação : Deutsche Welle

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