Brasileiro recebe prêmio da Unesco em Paris

O brasileiro João Baptista de Medeiros Vargens recebeu ao lado do libanês Elias Khoury o prêmio Sharjah para a Cultura Árabe.

O editor brasileiro João Baptista de Medeiros Vargens recebeu nesta segunda-feira o prêmio Sharjah para a Cultura Árabe. A cerimônia foi realizada na sede da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura em Paris. Vargens dividiu o prêmio com o autor libanês Elias Khoury.

Depois de participar de uma mesa redonda falando sobre a integração do imigrante árabe na sociedade brasileira, Vargens agradeceu o prêmio que, para ele, homenagea um grupo de arabistas brasileiros, em especial os professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prêmio

Vargens disse que embora não seja árabe é abu-Tariq, ou o pai de Tariq, como o poema famoso do palestino Mahmoud Darwish, porque tem um filho brasileiro chamado Omar Tariq que foi concebido em Damasco. O vencedor do prêmio terminou seu discurso às cerca de 700 pessoas presentes no auditório da sede da Unesco, dizendo “viva a pátria palestina”.

O prêmio da Unesco Sharjah para a Cultura Árabe foi criado há dez anos por uma iniciativa dos Emirados Árabes para reconhecer os esforços de uma pessoa nascida num país árabe e de outra de qualquer outro país que tenham contribuído, através de seus trabalhos artísticos, intelectuais ou promocionais, para o desenvolvimento e difusão da cultura árabe no mundo. Os vencedores do prêmio receberam US$ 30 mil, o equivalente a mais de R$ 50 mil.

Cultura Árabe

Khoury e Vargens foram escolhidos por fomentar a conscientização da cultura árabe no mundo. No caso de Vargens, ligando países de cultura portuguesa – Brasil e Portugal – com países árabes. Ele abriu, por exemplo, um curso de português na Universidade de Damasco. Vargens ensinou português, literatura brasileira e cultura brasileira numa universidade no norte do Marrocos e foi responsável por uma coluna chamada Opinião Semanal no jornal marroquino L’Opinion.

O brasileiro publicou ainda o livro “Léxico Português de Origem Árabe, Subsídios para os estudos de filologia”, resultado de uma tese de doutorado defendida em Lisboa. Ele é também autor dos verbetes das palavras de origem árabe no dicionário Aurélio Buarque de Holanda.

“São cerca de três mil palavras. Muitas delas são usadas por nós, no nosso dia-a-dia, como café, açúcar, alface”, explica. “Outras são menos usadas como o acepipe. O interessante é que houve uma mudança de sentido. A palavra árabe é alzabib que significa passas, a uva seca. Quando entra para o português, muda de sentido e passa a significar uma iguaria sofisticada servida em coquetéis na alta sociedade.”

Caxeiros-Viajantes

Vargens lembra que os árabes ficaram durante oito séculos na península ibérica convivendo com os povos que lá viviam. Mais recentemente, pela imigração sírio-libanesa no Brasil, entram outras tantas palavras. Ele estima que hoje no Brasil haja cerca de 12 milhões de sírios, libaneses, palestinos e descendentes.

Muitos dos sírio-libaneses que migraram para o Brasil se estabeleceram no centro-oeste como caxeiros-viajantes e foram responsáveis pela difusão de informação das grandes cidades a pequenos vilarejos.

“Essa necessidade de comunicação foi certamente um pilar para que essa integração se desse rapidamente’, diz. “Isso de certa forma até atrapalhou um pouco no que concerne a conservação dos hábitos e da cultura árabe no Brasil e em outros países de imigração árabe. A necessidade de dar a vida e lutar pela vida fez com que muitos pais não ensinassem o árabe a língua para seus filhos.”

No Brasil há dois centros oficiais de línguas em universidades que graduam professores de português e árabe: a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade do Estado de São Paulo.

*Com informação : Rádio Onu

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