Bahia e Acre assinam termo de cooperação e farão intercâmbio na área de defesa agropecuária

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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“Falar de defesa agropecuária hoje em dia é obrigação de quem tem responsabilidade com a economia tanto do Estado como a do País. Depois da entrada da Sigatoka Negra da bananeira aqui no nosso estado todo mundo sabe da importância de cuidar bem da proteção fitossanitária das culturas. O que vivemos há pouco tempo atrás aqui no Acre, com certeza o secretário da Bahia, Eduardo Salles, não quer que aconteça com os produtores de banana do seu estado”, afirma o Secretário da Agricultura do Acre, Mauro Ribeiro. Ele ainda complementa a sua fala, como engenheiro agrônomo e mestre em doenças de plantas, ressaltando a importância da preocupação da Bahia por ser o Acre uma das possíveis portas de entrada para uma doença que pode prejudicar muito uma das culturas mais importantes da Bahia, que é a Monilíase do Cacaueiro.

Ribeiro afirmou que o Acre vai ajudar sim ajudar o Brasil, através do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal, (Idaf), numa articulação com o Ministério da Agricultura, para tentar retardar ou impedir que a Monilíase do Cacaueiro entre no País ao menos por esta fronteira, ao assinar, nesta segunda-feira (27), o Termo de Cooperação Técnica com a Secretária da Agricultura da Bahia/Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Participaram do ato o diretor do Idaf, Luiz Augusto Ribeiro do Valle; o diretor geral e o diretor de Defesa Vegetal da Adab, Paulo Emílio Torre e Armando Sá, respectivamente.

A monília é uma doença devastadora para o cacaueiro, cujo agente causal é o fungo Moniliophthora roreri, até o momento inexistente no Brasil. Endêmica do noroeste da América Latina e também de alguns países da América Central, foi registrada pela primeira vez no Equador em 1917 de onde se disseminou para a Colômbia (1930), Venezuela (1941), Panamá (1949), Costa Rica (1978), Nicarágua (1980) Peru (1988), Honduras (1997) e Belize (2002). Nestes países, os danos econômicos causados pela monília variam de 50 a 100%.

Com 12% do Estado com áreas abertas para a agropecuária, o Acre sofre as conseqüências da entrada no Sigatoka Negra, praga que ataca a cultura da banana. Por causa disso, o Estado está impedido de exportar sua produção de banana para outros estados da federação. A Sigatoka Negra foi constatada no Brasil em fevereiro de 1998, no Amazonas, estando presente no Acre, Rondônia, Pará, Roraima e Amapá, além de Mato Grosso. O desenvolvimento de lesões de Sigatoka e a sua disseminação são fortemente influenciados por fatores ambientais como umidade, temperatura e vento.

Intercâmbio de experiências exitosas

O termo de cooperação assinado, destaca Mauro Ribeiro, abre oportunidade para fazer intercâmbio com a Bahia, “um Estado avançado na área de defesa agropecuária, na área de estrutura de abate, área de citricultura, e de várias culturas que a Bahia cada vez mais tem se fortalecido. O Estado do Nordeste tem muitas coisas boas a oferecer também na área de formação de pessoas, e setor de fomento”, disse.

O secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, colocou a estrutura da Seagri à disposição do Acre e entregou ao seu colega do Acre os projetos de frigoríficos abatedouros modulares, de entrepostos frigoríficos, e ainda o projeto de abatedouros de aves, e confirmou a intenção de estabelecer intercâmbio com o Acre. “que também tem experiências exitosas e nós também queremos aprender”.

Piscicultura está sendo desenvolvida

Uma das áreas da agropecuária acreana que mais chamou a atenção de Salles foi a piscicultura, forte no Estado, que somente no ano passado implantou através de um programa específico cerca de mil tanques escavados e tem para esse ano a meta de chegar a cinco mil. “Isso nos interessa muito, e a nossa empresa especializada neste setor, a Bahia Pesca deverá designar uma equipe de técnicos para trocar experiências com os técnicos do Acre”, afirmou. Nesse contexto, a produção de alevinos tem no Acre um modelo diferenciado, envolvendo governo, cooperativa de piscicultores e empresários. Os alevinos produzidos no Acre são de Pirarucu, Tambaqui e Pintado.

Sertão baiano exporta carneiros para o Acre

Carneiros e ovelhas das raças Santa Inês e Dorper produzidos no sertão da Bahia, com genética reconhecida e premiada nas maiores exposições nacionais e internacionais do setor, a exemplo da Feinco, atravessam a fronteira do Estado e estão sendo comercializados para o Acre. Através de programa específico desenvolvido pelo governo acreano, dois lotes de ovelhas e carneiros Santa Inês e Dorper já foram comprados de produtores do município baiano de Valente.

Na Bahia, Estado que tem o maior rebanho de caprinos do País e o segundo de ovinos, atrás apenas do Rio Grande do Sul, a atividade é apoiada e incentivada pelo governo estadual, que para viabilizar o melhoramento genético distribuiu com agricultores familiares do semiárido cerca de 38 mil animais das raças Dorper, Santa Inês e Anglonubiana, entre fêmeas mestiças e machos puros de origem (PO)..

Embrapa/Acre quer participação da Funai

A agenda de trabalho da comitiva baiana no Acre foi encerrada com uma visita à Embrapa, onde os secretários Eduardo Salles e Mauro Ribeiro, e os diretores da Adab, Paulo Emílio Torres e Armando Sá, foram recebidos pelo chefe geral da Embrapa/Acre, Judson Valetim. O pesquisador reafirmou que várias pragas que chegaram ao Brasil entraram pela região amazônica, e explicou que um dos graves problemas da região são as tribos indígenas que ainda não tiveram contato com a civilização e transitam por entre os estados e até por países que fazem fronteiras com o Brasil, transportando sementes e mudas, sem qualquer controle sanitário. “Isso facilita e entrada de pragas, e é importante que a Funai seja chamada para se incorporar aos nossos esforços. Podemos treinar seus agentes para que eles atuem como fiscais agropecuários”, afirmou Judsom.

Judson Valentim disse que pesquisadores da Embrapa/Acre desenvolvem métodos de controle da Sigatoka Negra e também da Amarela, pragas que atacam a bananeira, causando graves problemas econômicos e sociais. “A Bahia é área livre da Sigatoka Negra, mas a Amarela existe e nós vamos enviar nossos técnicos para fazer intercâmbio com os especialistas da Embrapa, para ampliarmos nossas ações nessa área”, afirmou Salles.

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