Na Bahia, programa de Melhoramento Genético vai contemplar mais de 10 mil matrizes este ano

Mais de 10 mil vacas devem ser inseminadas na Bahia até dezembro, através do Programa de Melhoramento Genético do Rebanho Bovino, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri). O Governo do Estado e a Seagri, que desenvolvem o programa por intermédio da empresa, calculam que os impactos só deverão ocorrer em médio prazo. Considerando que o ciclo reprodutivo bovino é longo, serão necessários cerca de quatro anos para se quantificar os avanços. A previsão é que haja uma elevação na produção de leite, que atualmente é de 3,39 milhões de litros/dia. Os resultados dependem ainda da associação do melhoramento genético com boas práticas de manejo e sanidade. 

Os primeiros contemplados deste ano serão os rebanhos de assentamentos e comunidades de agricultores familiares, em diversas partes do Estado. A estimativa é que, até abril, quatro mil matrizes passem pelo procedimento.

No extremo Sul, o trabalho está sendo realizado em assentamentos e comunidades rurais ligadas à Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nos municípios de Medeiros Neto, Ibirapuã, Alcobaça, Jucuruçu, Mucuri, Teixeira de Freitas, Itamaraju e Prado. Nesta segunda etapa, a equipe técnica, formada por Ademar Reis Filho, Ivan Carlos Viana, José Suzart e Corbulon Soares, apoiada por técnicos da gerência regional da EBDA de Teixeira de Freitas, vai avaliar também os rebanhos dos municípios de Porto Seguro, Itanhém e Guaratinga.

Já nas regiões Sudoeste, Oeste e Nordeste, o programa está sendo desenvolvido com agricultores familiares ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e à Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag).

O sêmen de touros, das raças Gir e Guzerá da EBDA, é coletado e armazenado na estação experimental de Utinga. O trabalho dos técnicos para a implantação deste programa começou muito antes. “Desde 2008 iniciamos este projeto que demanda uma infraestrutura muito grande. Em três anos, quando as bezerras nascidas agora entrarem em reprodução, começaremos a ver o impacto desta ação com o aumento da produção de leite e melhoria dos rebanhos dos pequenos agricultores”, destacou o membro da coordenação estadual do programa e técnico da EBDA, Ademar Reis Filho.

Na técnica de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), utilizada pelo programa, as matrizes são selecionadas e estimuladas a entrarem no cio, com a utilização de hormônios, para a posterior introdução do sêmen. Este processo de sincronização de cio permite que a inseminação ocorra de forma programada e seja acompanhada e executada por técnicos da empresa.

A técnica de IATF aceita que haja uma expectativa de 50% de prenhez, confirmada entre 45 e 60 dias após a inseminação. As vacas que não ficarem prenhas são incluídas em uma nova etapa. O procedimento só é realizado após um levantamento e diagnóstico dos animais.

De acordo com o médico veterinário e especialista em reprodução animal, Ivan Carlos Viana, a inseminação artificial apresenta resultados muito mais satisfatórios do que se os reprodutores fossem doados para as propriedades. Ele destaca que da quantidade de sêmen liberado em uma monta natural pode-se obter até 400 doses de sêmen, e a partir daí, ocasionar até 200 prenhez. “Através da monta natural, o touro poderia cobrir até 50 vacas em um ano e gerar em média 30 bezerros. Se essa mesma quantidade de sêmen, liberado nessas montas, for utilizada para inseminação artificial, pode-se obter até 100 vezes mais bezerros do que no processo natural”, explica o especialista.

O técnico esclarece, ainda, que o procedimento oferece vantagens, como a seleção e reposição de matrizes, visando à melhoria do rebanho em menor tempo, o controle de doenças da reprodução, dados precisos de fecundação e de parto. Outra vantagem que vem atrelada ao processo é a orientação técnica prestada pelo pessoal da EBDA. Cada inseminação demanda cerca de seis visitas às propriedades, quando os agricultores recebem orientação sobre sanidade, pastagem, nutrição e manejo dos rebanhos.

Sobre Carlos Augusto 9505 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).