As Grandes Damas e um Perfil do Teatro Brasileiro. O palco brasileiro, pelo olhar de suas eternas divas

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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as-grandes-damas-e-um-perfil-do-teatro-brasileiro-o-palco-brasileiro-pelo-olhar-de-suas-eternas-divasLivro conta a história da dramaturgia nacional a partir da experiência de nove de suas maiores atrizes.

A jornalista carioca Rogéria Gomes estará em Salvador, na próxima sexta-feira, dia 06 de janeiro (2012), para participar da Mesa-Redonda Biografias e Perfis: o personagem em destaque, evento organizado pelaUnião Brasileira de Escritores (UBE), núcleo Bahia, que será realizado na Livraria Cultura do Salvador Shopping (Teatro Eva Herz), a partir das 17h30. Na ocasião Rogéria lançará seu livro “As grandes damas – E um perfil do teatro brasileiro”, que apresenta as atrizes Bibi Ferreira, Eva Todor, Beatriz Lyra, Beatriz Segal, Eva Wilma, Laura Cardoso, Nicette Bruno, Norma Blum e Ruth de Souza.

A edição também apresenta um breve panorama das artes cênicas no Brasil. Uma linha do tempo percorre os episódios mais importantes da dramaturgia nacional, do século XVI até os dias atuais. O livro explica que a arte dramática surgiu no país pelas mãos dos jesuítas, que fizeram do teatro o principal meio para catequizar os índios; passeia por estilos, companhias e personagens marcantes, como o teatro de revista, Teatro Experimental do Negro, Teatro de Alumínio, Teatro do Oprimido, Asdrúbal Trouxe o Trombone, Companhia de Ópera Seca, entre outros. Compõe, dessa forma, uma ampla viagem pela arte dramática verde-e-amarela.

A tijucana Bibi Ferreira estreou no palco quando tinha apenas 24 dias de vida, no colo de sua madrinha; substituía uma boneca sumida do cenário. Já Eva Todor encarou a plateia pela primeira vez, ainda criança, com uma participação no balé da Ópera Real da Hungria. A coisa era séria, mas a menina arrancou gargalhadas com seu jeito meio moleque: já demonstrava um talento nato para a comédia. Também quando pequena, no bairro paulistano do Bexiga, Laura Cardoso, enfeitada com bijuterias e apetrechos de adultos, esperava o motorista que parava todas as tardes, pontualmente, para assistir à sua encenação de madame que entra no bonde.

Quem conta histórias como essas, na forma de deliciosos relatos das experiências fundadoras de sua arte, são as próprias artistas, hoje consideradas grandes damas do teatro nacional. Bibi Ferreira, Eva Todor – as homenageadas do volume –, Beatriz Lyra, Beatriz Segall, Laura Cardoso, Eva Wilma, Nicette Bruno, Norma Blum e Ruth de Souza estão reunidas no livro para compartilhar suas histórias. Convidadas pela jornalista Rogéria Gomes, as nove estrelas concederam depoimento, em primeira pessoa, sobre a sua experiência dentro e fora dos palcos. Experiências que desvelam, sob o prisma de detalhes tão delicados quanto às histórias acima, não apenas a trajetória pessoal de cada uma delas, mas também do teatro brasileiro.

As páginas de As grandes damas – E um perfil do teatro brasileiro cobre mais de oito décadas de artes dramáticas, a partir dos relatos dessas atrizes que, na primeira metade do século passado, já protagonizavam a história da dramaturgia. Fatos marcantes da memória do teatro são relembrados. Em 1940, Eva Todor fundou com seu marido a Companhia Eva e Seus Artistas, que levou peças produzidas com expertise nacional a vários países. Pouco tempo depois, em 1944, a jovem Bibi Ferreira estreava sua própria companhia. No ano seguinte, Ruth de Souza tornava-se a primeira atriz negra a se apresentar no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Por trás da coxia – Todas elas mulheres que souberam aliar a força e o jogo de cintura à delicadeza feminina, as nove retratadas também revelam aspectos pitorescos de bastidores. Dessa forma, o leitor diverte-se ao descobrir que, antes de se tornar atriz profissional, Beatriz Lyra organizou todo o plano para a primeira viagem de Fernanda Montenegro à Europa. Depara-se com uma Bibi Ferreira que se descreve como “uma pessoa simples, sem grandes arroubos, sem sonhos, sem vaidades pessoais”. Passeia pelo Rio de meados do século XX, quando a então adolescente Nicette Bruno conseguiu uma audiência com Getúlio Vargas, para pedir sua intervenção numa montagem proibida. Mas também mergulha nos apertos da ditadura militar, quando Beatriz Segall teve de enfrentar a prisão do marido, com quem assumira o Teatro São Pedro, em São Paulo.

*Rogéria Gomes é jornalista e atua na área de comunicação corporativa. Grande apreciadora de teatro, a autora vive no Rio.

Sobre Carlos Augusto 9507 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).