Senador Walter Pinheiro tenta explicar porque nove anos de governos petistas não foram suficientes para duplicar o anel de contorno de Feira de Santana

Walter Pinheiro: "precisamos potencializar Feira de Santana, para que ela passe a ter também em sua economia capacidade inclusive de prestar os seus serviços.".
Walter Pinheiro: "precisamos potencializar Feira de Santana, para que ela passe a ter também em sua economia capacidade inclusive de prestar os seus serviços.".

O senador Walter Pinheiro (PT-BA) é questionado pelo jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, sobre a péssima qualidade das rodovias federais baianas. Ele também é questionado quanto à dificuldade dos governos petistas em duplicar ou triplicar o anel rodoviário de Feira de Santana, mesmo estando há nove anos no poder.

Jornal Grande Bahia – O senhor pontuou que Feira de Santana é um dos mais importantes entroncamentos rodoviário do país, e o município está sendo asfixiado, vamos usar esse termo, por conta de uma malha viária deficitária. O senhor esteve recentemente nos Estados Unidos, a diferença é sintomática. Falta o que aqui? Brita, cimento, areia, bloco, seriedade?

Walter Pinheiro – Eu diria que está faltando um comprometimento maior, por parte principalmente de órgãos públicos, e nesse particular eu queria separar em duas coisas. Primeiro o cumprimento de um contrato por parte da concessionária que disputou um processo licitatório público, transparente, com regras, com posições. Mas eu tenho dito que a minha cobrança tem que se dirigir a quem deveria está fazendo, cotidianamente, o acompanhamento do cumprimento desse contrato, que é ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre).

A concessionário assinou um contrato, tem que andar direito, na linha, ou melhor, andar na estrada. Então, acho que é importante cobrar deles, mas é fundamental que nós foquemos as nossas posições, que adotamos medidas em relação a qual será o posicionamento da agência. Que tem a responsabilidade de fazer cumprir um contrato. Que essa mesma homologou, ajustou e tornou público nesse processo licitatório. Então eu quero da ANTT respostas para isso. Tem um contrato.

A Via Bahia está cumprindo? Se está cumprindo. A ANTT nos dizer onde é que houve erro, ou qual é a interpretação errada que nós estamos fazendo. Se não está cumprindo, com o que a ANTT fazendo para o cumprimento desse contrato. Eu insisto também que não quero uma espécie de multas. Obvio que em determinadas etapas você tem que multar a concessionária, mas eu prefiro o funcionamento à multa. Então eu quero a estrada em boas condições. Essa é uma primeira etapa.

A segunda, no que diz respeito a essa coisa de Feira de Santana. Feira de Santana por sua posição geográfica e pela natureza que se processa aqui economicamente, a gente pode juntar essas duas e dará, com certeza, uma boa química. A sua posição geográfica e sua vocação para o serviço, isso pode consolidar Feira como um grande centro de logística e como um grande centro distribuidor.

É por isso que estamos discutindo com o governo federal, o governo do estado iniciativas para consolidar em Feira de Santana um grande parque de logística, para atender a essa grande demanda desse grande entroncamento. Uberlândia fez isso. Então, portanto, não estou falando de nada que não já tenha sido praticado no Brasil.

Ao mesmo tempo, queremos consolidar em Feira de Santana um grande aeroporto. Um aeroporto que não é um substituto, ou alternativa, ou algo periférico a Salvador. Um aeroporto que terá outra função. Uma função de transportar passageiro e cargas. Inclusive de se relacionar muito mais com o interior da Bahia, com o Norte-Sul, é uma rota importante para o transporte de carga e passageiros. Essa ligação é fundamental para você potencializar toda essa linha de serviço.

Um bom centro de logística, uma ótima estrutura de distribuição, ou seja, um grande centro de distribuição, e uma estrutura aeroportuária, e eu me refiro a isso com a necessidade da gente interligar o porto de Aratu a esse Centro de Logística em Feira. A gente completará isso com as estruturas modais, ou seja, o acesso Norte e a melhoria da própria BR 324.

JGB – Senador deixe-me pontuar uma questão. Eu não entendo, eu tenho certa dificuldade em entender enquanto cidadão. Porque nós estamos chegando ao nono ano de governo petista e não se consegue nem duplicar, nem triplicar o anel de contorno. Qual a dificuldade em realizar uma obra que não é necessária apenas para Feira. Que é necessária estrategicamente para a Bahia? Eu gostaria de chamar atenção para outro fator que está se pensando em construir um novo anel rodoviário, quando não se consegue solucionar o problema do atual.

Walter Pinheiro – Não está se pensando em construir um novo anel rodoviário. Como você teve dificuldade de compreender, eu também tive dificuldade de compreender porque que 30 anos na Bahia, ninguém conseguiu enxergar que a única saída importante e a rota de ligação era Feira de Santana.

O que nós estamos tentando fazer é exatamente pegar esse tempo todo que foi mal compreendido e tentando ajustar. Então nós estamos tentando trazer exatamente para Feira uma estrutura. Nós estamos cobrando, nós estamos permitindo inclusive novo nível de investimento, que não se assistia em Feira de Santana. Nós estamos envolvendo o governo federal. O governo do Estado da Bahia não tem nem orçamento para isso. Então nós precisamos recorrer à união para trabalhar.

Precisamos potencializar Feira de Santana, para que ela passe a ter também em sua economia capacidade inclusive de prestar os seus serviços. Porque não adianta nós enchermos a cidade de infraestrutura de modal e a cidade não ter a capacidade inclusive de tocar o seu dia-a-dia, ou seja, rodar a sua própria economia. Então é importante não só pensar nessa infraestrutura, mas pensar na reformulação de uma infraestrutura que atraia uma capacidade de desenvolvimento econômico com perspectiva de desenvolvimento social.

Sobre Carlos Augusto 9516 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).