Pacto pela Cacauicultura avança com a parceria entre Nestlé e Seagri

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A reunião realizada entre o secretário da Agricultura (Seagri), engenheiro agrônomo Eduardo Salles, e diretores da Nestlé, durante a 24ª edição da Fenagro 2011, já dá os primeiros resultados concretos. Após a criação de um grupo de trabalho – com a participação da Nestlé, Ceplac, Associação de Produtores de Cacau (APC), Seagri, Biofábrica e EBDA – foi discutida, nesta segunda-feira (19/12/2011), na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em Ilhéus, a implantação de um projeto de cooperação técnica.

O projeto será executado pelo governo do Estado, através da Seagri, e contará com o apoio e a participação do Ministério da Agricultura, de entidades de produtores, e das universidades da região. Com ênfase na agricultura familiar, a iniciativa tem como objetivo revitalizar e recuperar a lavoura cacaueira, por meio de um Pacto pela Cacauicultura, que envolve ações nas áreas de ciência, extensão, acesso ao crédito e fornecimento de mudas.

O Pacto prevê a implantação de até cinco mil hectares de sistemas agroflorestais (cacau e seringueira), recuperação de 300 hectares de cacau para demonstrar a sustentabilidade do cacau-cabruca, de 300 hectares de cacau irrigado no Extremo-Sul baiano ou em regiões de expansão, custeio de insumos dos experimentos, além da transferência de protocolo científico à Ceplac pela empresa mundial de chocolate.

Em relação a prazos, o superintendente Juvenal Maynart Cunha afirmou que, ao conseguir estabelecer a proposta de parceria nas áreas de pesquisa e extensão, a Ceplac dá sinais à lavoura cacaueira de que mudará seu conceito de atuação institucional. “Temos que valorizar o sistema cacau-cabruca, recuperar áreas degradadas, e recompor a lavoura sob a ótica do novo Código Florestal, mas com o produtor tendo condições de manter a reserva legal”. Para ele, é preciso que o produtor tenha acesso ao crédito facilitado, recuperando o seu poder de compra.

A coordenação e formulação do documento de cooperação, que deve ser assinado em fevereiro de 2012, são de responsabilidade da Ceplac. À Nestlé compete transferência da tecnologia de embriogênese somática para a produção em laboratório de mudas resistentes a doenças em processo simplificado, além de dar suporte ao melhoramento genético com vistas à resistência do cacaueiro à vassoura-de-bruxa e a monília, cujo fungo se constitui em ameaça à cacauicultura nacional.

A Nestlé também se comprometeu a liberar protocolos científicos que, adicionados ao material genético de qualidade da Ceplac, irá permitir a produção em larga escala de materiais que sejam utilizados pelos produtores de cacau. “A Nestlé desenvolve projetos de pesquisa na Costa do Marfim e Indonésia e a transferência da tecnologia ao Brasil, através da Ceplac, alimenta a expectativa de bons frutos para a cacauicultura brasileira”, disse o chefe do Cepec, Adonias de Castro Virgens Filho.

De acordo com o gerente do Departamento Agrícola da Nestlé, Terence Blaines, atualmente a oferta mundial de cacau não atende à demanda, já que a produção está concentrada em poucos países. Segundo ele, há previsão de déficit na produção global de cacau entre um milhão e 1,5 milhão de toneladas nos próximos 15 anos, sobretudo se o crescimento do consumo de chocolate se mantiver acima de 2% ao ano. “Somos grandes importadores e por isso estamos confiantes com a retomada da produção brasileira”, declarou.

Participaram do encontro o gerente do Departamento Agrícola da Nestlé, Terence Spencer Blaines, o gerente da Nestlé Itabuna, Luis Pereira da Silva Junior, o representante da Seagri, Antonio Almeida Junior, o superintendente da Ceplac, Juvenal Maynart Cunha, o chefe do Centro de Pesquisas do Cacau da Ceplac (Cepec), Adonias de Castro Virgens Filho, e pesquisadores Uilson Lopes e Antonio Zugaib; o coordenador-adjunto do Centro de Extensão da Ceplac (Cenex), Milton Conceição, e os técnicos Geraldo Dantas Landim e João Manuel de Afonso e Henrique de Almeida, do Instituto Biofábrica de Cacau.

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