Osvaldo Ottan assume presidência da Fazenda da Esperança e conclama sociedade a participar do projeto de recuperação de dependentes químicos

Osvaldo Ottan e Adson Barreto Souza. O elevado número de dependentes químicos torna premente que projetos como a Fazenda da Esperança sejam apoiados e se multipliquem.
Osvaldo Ottan e Adson Barreto Souza. O elevado número de dependentes químicos torna premente que projetos como a Fazenda da Esperança sejam apoiados e se multipliquem.
Osvaldo Ottan e Adson Barreto Souza. O elevado número de dependentes químicos torna premente que projetos como a Fazenda da Esperança sejam apoiados e se multipliquem.
Osvaldo Ottan: A Fazenda da Esperança é um projeto de ressocialização de dependentes químicos que deve ser apoiado por toda sociedade. – Foto: Carlos Augusto | Guto Jads | Jornal Grande Bahia. Com. Br

O empresário Osvaldo Ottan, diretor das empresas Belvedere Construções e Mirante Consultoria Imobiliária, assume presidência Fazenda da Esperança Irmã Dulce, instituição dedicada à recuperação de dependentes químicos. O projeto é sem fins lucrativos e tem na sociedade a sua principal base de apoio. É um projeto desafiante e que está em completa sintonia com as necessidades atuais da sociedade.

O elevado número de dependentes químicos torna premente que projetos como a Fazenda da Esperança sejam apoiados e se multipliquem. Sendo uma das mais positivas e bem-sucedidas experiências de recuperação e ressocialização de dependentes químicos. O diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, entrevistou Osvaldo Ottan e Adson Barreto Souza, responsável  pela gerência diária da Fazenda.

 “Vejo neles as dificuldades em que passei e sei que da mesma maneira que abandonei o vício, eles também podem”, declara com sorriso e lágrimas nos olhos,Adson Barreto.  

 Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – No que consiste o projeto Fazenda da Esperança Irmã Dulce?

Osvaldo Ottan – A Fazenda da Esperança é uma benção de Deus, para Feira de Santana e região. Ela foi inaugurada há três anos, em 16 de agosto de 2008. Vários dependentes químicos participaram do projeto. Infelizmente, alguns não perseveram, mas um perseverando nos sentimos felizes.

Como resultado, após três anos de existência, nós recuperamos 27 dependentes que voltaram a ter uma vida normal, voltaram para sociedade. Um fato interessante a frisar é que eles regressam para visitar os outros internos.

JGB – O projeto tem fins lucrativos, ou não? De que forma as pessoas que se identificam com atividades sociais podem contribuir com o projeto?

Osvaldo Ottan – Há uns quatro anos atrás, no ano de 2007, nós tivemos uma luz para que nós pudéssemos colocar a Fazenda da Esperança aqui em Feira de Santana. E em conversa com Dom Itamar, ele ficou muito entusiasmado e abraçou a ideia. Então a partir deste momento, nós entramos em contato com a direção geral da Fazenda da Esperança em Guaratinguetá – São Paulo, que deu toda a norma para que a gente pudesse ter na Região Metropolitana de Feira de Santana, uma Fazenda da Esperança. E uma das primeiras condições, era que o bispo abençoasse a obra e Dom Itamar, do fundo do coração dele abençoou a obra.

Abençoada a obra, nós fomos buscar dinheiro para comprar a fazenda e conseguimos, junto aos nossos amigos de Feira, São Paulo, Rio Grande do Sul, todos esses empresários que mantém uma relação comercial conosco. Todos eles apoiaram a obra e nós adquirimos a propriedade nos esta localizada a Fazenda.

Com relação à manutenção buscamos em conjunto a comunidade, recursos para tocar a obra, independentemente dos trabalhos que são feitos na fazenda. Porque o objetivo do projeto é ser autossustentável, é isso que a gente busca. Nós temos criação de gado, tiramos leite, fabricamos biscoito, doce de leite, temos uma horta muito interessante, agora nós estamos para inaugurar uma marcenaria, tem um tanque de 505 mil litros de água, onde são criados peixes, nós também temos suínos. Aos poucos estamos dotando a fazenda da infraestrutura necessária. É um projeto novo, em três anos avançamos muito. Estamos trabalhando para que ela seja realmente autossustentável.

JGB – De que maneiras as pessoas podem contribuir com o projeto?

Osvaldo Ottan – Infelizmente ainda não conseguimos abrir nossa lojinha, mas nós vamos abrir. É o espaço da Fazenda da Esperança. Então às vezes a gente faz plantão nas missas, até verdura a gente leva para a missa, algumas pessoas se sensibilizam e adquirem os produtos, mesmo sem a necessidade do produto, mas adquirem para ajudar.

E a diretoria como você me perguntou anteriormente ela não é remunerada, ela é voluntaria, então nós estamos à frente disso com uma missão e eu lhe confesso que é uma missão muito agradável, da muita satisfação você saber que você pode colaborar para resgatar uma alma, tirar da sarjeta uma pessoa e voltar para sociedade e ser um membro da sociedade como todos nós somos. Isso é muito gratificante. Isso é muito legal.

JGB – Adson Barreto, você é o responsável pelo dia-a-dia da Fazenda da Esperança. E a primeira pergunta que te faço é o que te motivou a trabalhar com a recuperação de dependentes químicos?

Adson Barreto – O primeiro passo que aconteceu foi que eu experimentei desse mundo, da droga, do álcool, da prostituição. Então eu passei também um período de recuperação em uma das Fazendas da Esperança, e depois voltando ao trabalho, voltando ao contexto social, mesmo assim ainda não tinha alegria. Meu desejo era retornar e poder fazer algo pelos jovens que também estavam necessitando de apoio. Então eu voltei para a Fazenda, são sete anos que eu estou com stribuíndo, na Fazenda de Irmã Dulce tenho três anos. Então é com alegria de poder está retribuindo todo o amor que um dia as pessoas tiveram comigo que parcicipo do projeto.

JGB – Quantas pessoas participaram do projeto, e atualmente, quantas pessoas estão como internas, tentando sair do mundo das drogas?

Adson Barreto – Dentro desses três nãos, na Fazenda Irmã Dulce, passaram mais ou menos 130 jovens e 27 concluíram o programa. A gente sempre fala que aqueles que concluem o período de recuperação conseguem dar uma resposta para a sociedade. Então, são 27 pessoas que nós sempre mantemos contato, que nos ligam e estão presentes, contribuindo com o projeto, ajudando outras pessoas a abandonarem o caminho das drogas. Eles participam dos grupos Esperança Viva formada e acolhem os que chegam. Atualmente temos 24 internos e temos capacidade para atender a 30 pessoas.

JGB – Qual o tempo médio necessário para que um dependente químico seja ressocializado?

Adson Barreto – O período que a Fazenda pede é 12 meses. Não querendo dizer que a pessoa, a partir dos 12 mese ele vai completar o programa e atingir os objetivos. Talvez algumas coisas venham a acontecer que a pessoa não possa ficar firme, mas aqueles que concluem um ano perseveram 12 meses, esses jovens eles tem mais facilidade de conseguir voltar ao meio da sociedade, trabalhar, ter as responsabilidades. Então a Fazenda pede 12 meses para que o jovem fique na Fazenda. Quando ele sai, tem o grupo Esperança Viva, que faz o acompanhamento com ele. Os pais, voluntários estão sempre juntos, partilhando suas experiências. Porque quando deixam a Fazenda é muito difícil para eles caminharem sozinhos.

JGB – Por exemplo, hipoteticamente uma família tem uma pessoa envolvida com problemas graves de droga, qual a forma de chegar até vocês? Qual o critério de seleção? Qual o critério de ingresso na Fazenda da Esperança?

Adson Barreto – O primeiro passo é o dependente quere. As vezes os pais estão dispostos a ajudar, mas muitas vezes o próprio dependente não está aberto. Depois ele pode nos procurar no escritório na Igreja dos Remédios, na Praça Doutor Remédios Monteiro, aqui em Feira e então ele colocando sua vontade pode estar ingressando na Fazenda. Existem alguns critérios, algumas coisas que ele precisa fazer, mas nada que possa impedir de participar do projeto. A única coisa que pode impedir realmente é o desejo do dependente químico.

JGB – As famílias são obrigadas a contribuir financeiramente? Existem custos que os familiares devem arcar?

Adson Barreto – Não, os tratamentos da Fazenda da Esperança é um tratamento gratuito. A gente necessita das famílias junto conosco, para poder contribuir com a recuperação do dependente químico. Então tem os projetos das cestas que são os produtos que a gente produz na Fazenda e que as famílias vão adquirir e vão vender esses produtos, depois repassando esses valores, para que possa dar manutenção da Fazenda.

Nós estamos sempre abertos a das famílias, porque não é um trabalho fácil, é um trabalho muito difícil com muitos custos, então a gente precisa sempre da contribuição das famílias. É um trabalho que envolve família, Igreja e Fazenda. Então, precisamos de todas essas três partes.

JGB – A Fazenda da Esperança tem uma com a Igreja Católica. Seguidores de outras religiões tem algum tipo de dificuldade em ingressar no programa de ressocialização da Fazenda da Esperança?

Adson Barreto – Nenhum. Lá na Fazenda a coisa que a gente prega é o amor, independente de religião. Recebemos todos de braços abertos. Agora, lá como uma instituição católica, nesse período de um ano eles terão que seguir a linha, porem quando eles saírem, eles podem seguir suas vidas. Mas a única coisa que nós pedimos a eles é que amem, que viva a palavra de Deus, que isso vai libertar eles.

JGB – Se você tivesse a oportunidade de falar com a sociedade brasileira como um todo. O que é que você pediria para a Fazenda da Esperança?

Adson Barreto – Eu pediria que as pessoas pudessem ajudar mais. Infelizmente a droga está ai não tem como a gente acabar, então pediria que as famílias, os pais, os empresários, pudessem estar junto conosco, não só na parte financeira, mas está lá, junto com a gente, nos visitando, dando apoio, isso ajuda muito os meninos, vê que a sociedade não os excluiu. É isso que eu pediria as famílias e a sociedade brasileira, que estivessem apoiando de todas as formas.

JGB – Além do endereço físico, você poderia nos passar, telefone de contato, e-mail, existe um website, enfim de que forma as pessoas podem ter mais acesso a informações sobre a administração, sobre a possibilidade de contribuir e até pessoalmente com o projeto.

Saiba como entrar em contato com a Fazenda da Esperança Irmã Dulce

A sede da Fazenda da Esperança Irmã Dulce está localizada no povoado de Magalhães em São Gonçalo dos Campos, Bahia.

O escritório fica em na Praça Doutor Remédios Monteiro, na Igreja Nossa Senhora dos Remédios, Centro, Feira de Santana.

Adson Barreto é o responsável pela gerência, e você pode contatá-lo através do [email protected], ou através dos telefones (75)3614-8997 e 9142-2196 .

 O projeto nacional da Fazenda da Esperança conta com sítio eletrônico http://www.fazenda.org.br/.

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