Jovens agricultores comercializam produção de horta comunitária em Ribeira do Pombal

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Alface, coentro, beterraba, couve, pimentão, quiabo, cenoura e tomate orgânicos começam a ser comercializados na comunidade Poço das Varas, em Ribeira do Pombal, como resultado do projeto Cultivando Verde, que viabiliza a produção comunitária dos legumes e hortaliças. Esta ação de fomento à agricultura familiar é promovida pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), em parceria com a Prefeitura Municipal de Ribeira do Pombal e a Associação de Agricultores da Comunidade Poço das Varas.

Para a implantação da horta foi utilizado um terreno da associação, de aproximadamente 0,3 hectares, atrás da casa de farinha da comunidade. O projeto envolve a mão de obra das mulheres e, principalmente, dos jovens da comunidade. “São 25 pessoas participando desse trabalho, das quais, 18 são jovens com idade entre 16 e 20 anos”, informou a agrônoma da EBDA, Kátia Amoêdo, que presta assistência técnica ao projeto.

Segundo o agricultor José Anaílson Souza Gama, presidente da Associação Comunitária de Poço das Varas, o principal objetivo desta ação é a comercialização na própria comunidade, permitindo a todos o acesso a alimentos mais saudáveis. Para o próximo ano, a associação pretende disponibilizar as hortaliças para a merenda escolar, através do Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae). “Tenho três filhos na escola e fico feliz em pensar que vamos fornecer um alimento saudável e nutritivo para nossas crianças”, declarou José Anaílson.

A agricultora Joselita Ribeiro de Andrade enumera os benefícios que a horta, implantada em agosto, já proporciona para ela. “Economizo dinheiro, porque não preciso ir comprar esses produtos na feira da cidade; tenho sempre hortaliças frescas e naturais perto de casa, e ainda tem meu filho, Itamário, de 19 anos, que trabalha comigo e tem a oportunidade de aprender como cuidar de uma horta”, afirma.

No projeto, conforme explica Kátia Amoêdo, a EBDA é a responsável pela Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), e pela capacitação dos envolvidos. Já a prefeitura contribui com a infraestrutura, fornece os insumos, como sementes, ferramentas e a instalação do sistema de irrigação. A comunidade cedeu o espaço e disponibiliza a mão de obra.

“Gostei tanto dessa experiência que já planejo fazer minha própria horta orgânica no quintal de casa, fazendo as coisas que aprendi aqui”, afirmou a agricultora Marilene Andrade de Oliveira, que participa do projeto junto com a filha Manoela, de 16 anos.

Sustentabilidade

Seguindo os princípios da agroecologia, nenhum produto químico é aplicado na horta, gerando uma produção 100% orgânica. As leiras recebem cobertura morta e é realizada a rotação das culturas para não desgastar o solo. A manipueira, líquido residual da prensagem da mandioca na produção da casa de farinha, é utilizada na adubação e como defensivo natural na horta. “Com o uso da manipueira e da urina de vaca foi feito o controle das pragas, e nenhuma doença foi detectada nas hortaliças até o momento”, afirmou Amoêdo.

A horta foi planejada para ser autossustentável, através da capacitação realizada pela EBDA, para produção de sementes e mudas pelos próprios agricultores. “A perspectiva para o futuro é de gerar renda na comercialização das hortaliças para investir na manutenção da própria horta e dividir o lucro entre os jovens que trabalham aqui, como forma de incentivo e reconhecimento pelo esforço”, afirmou o agricultor José Anaílson.

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