Belo Monte

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O mundo hoje tem tecnologia que dispensa qualquer atitude ensandecida de grupos facciosos, com interesses solertes, em continuar agredindo a natureza. Cada pedaço de ecossistema que se perde, provocado pela voracidade humana, a natureza responde com catástrofes climáticas. Mas os “imbecis terráqueos tupiniquins”, com interesses camuflados de tirar vantagens pecuniárias sob todas as formas, não se preocupam e com falácias tentam convencer incautos que o Brasil pode inviabilizar-se em energia se não construir hidrelétricas. Trata-se de uma estupidez vertical contra a vida na terra.

O manancial verde, que brota na grande Amazônia e que já foi rapinado em grande parte do país, guarda riquezas vivas que representam o equilíbrio do ecossistema, e não pode, de forma alguma, ser exterminado para dar guarida a interesses de grupos especulativos irracionais, que só querem desmontar o que a natureza sabiamente construiu.

Paralelamente, testemunhamos também o governo brasileiro atropelar a racionalidade ao se lançar com vultosas verbas para a exploração de petróleo em águas profundas no chamado pré-sal. Quando se discutem em nível mundial as alternativas para buscar fontes de energias limpas e que não agridam ao meio ambiente, sob todas as formas, o país investe desnecessariamente para extrair petróleo das profundezas do Atlântico, com riscos sensíveis de sermos acometidos por grandes tragédias de vazamento de óleo em nossos mares, como recentemente ocorreu no Campo de Frade, na Bacia de Campos (RJ), quando deveríamos já trabalhar para buscar fontes alternativas não poluentes.

Belo Monte não pode servir de pretexto para justificar uma necessidade nacional a um país em desenvolvimento. Desenvolvimento não se conjuga com irracionalidade ambiental. Grande parte das florestas do planeta já foi dizimada. Não importa agora condenar os erros alienígenas. Nós temos o dever de não cometer os mesmos equívocos de outros povos. Se a população brasileira está crescendo e precisa de mais energia, deveria haver políticas públicas responsáveis para equilibrar esse crescimento dentro de padrões de sustentabilidade de vida sem agredir a natureza, e implantado outras fontes alternativas de energias não agressivas que a tecnologia já conhece. Por exemplo, a energia eólica, solar, vegetal ou biomassa etc.

A inundação de Belo Monte lembra o extermínio demoníaco dos judeus por Hitler. O que se pretende é praticar um morticínio criminoso contra todos os tipos de vidas naturais, que dão sustentação equilibrada àquele ecossistema. Não há dinheiro do mundo ou justificativa que possa substituir a vida natural de Belo Monte pela fábrica de energia que vai sepultar para sempre a vida daquela região. É preciso que tenhamos mais responsabilidade pela vida na terra e que saibamos respeitar o que a natureza nos deu.

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