A doença de Alzheimer: do gigante Maguila à pequena Alice | Por Reginaldo Souza

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Segundo o IBGE, estima-se que no Brasil, até 2020, 13% da população será de idosos. A população brasileira está envelhecendo e já é possível constatarmos isso observando as ruas, praças, restaurantes, hospitais, postos de saúde, espaços de lazer, transporte e serviços públicos das cidades brasileiras.

Aumenta-se o número de idosos e, também, o número de ocorrência das doenças crônicas não transmissíveis próprias dessa faixa etária, como é o caso da doença de Alzheimer.

A doença de Alzheimer é uma realidade que atinge a todos, indiscriminadamente: do Gigante Adilson (Maguila) que nasceu em 1958, e ficou famoso como boxeador até a pequena Alice que nasceu em 1926, e nunca foi famosa como empregada domestica e dona de casa.

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência no idoso, sendo a responsável por 50 a 60% dos casos de demência nesta população. É uma doença neurodegenerativa que se inicia geralmente com a perda de memória, acompanhada de outros sintomas cognitivos.

Para o gigante Maguila, assim como para a pequena Alice, a demência traz como consequência a perda da capacidade funcional, exigindo mais cuidados e, esses, cada vez mais complexos. Tem um grande impacto negativo econômico direto e indireto nas sociedades, incluindo o custo dos serviços e a qualidade de vida dos indivíduos e famílias.

Reconhecer a presença de um parente com Doença de Alzheimer na família gera tensões constantes, pois o cuidar acarreta sobrecarga física, financeira e emocional à vida de todos os envolvidos.

Confundida com o processo de envelhecimento, as alterações de memória vão se tornando cada vez mais evidentes. A família passa a perceber que se trata de um processo crônico, degenerativo e que tende a piorar. Na fase intermediária da doença, as alterações de comportamento apresentadas pelos idosos causam grande impacto emocional aos cuidadores. Com a evolução do quadro, aumenta a dificuldade no desempenho das atividades de vida diária, e, consequentemente a dependência dos idosos. Novos desafios, identidades, papéis e situações são postos aos familiares com as quais ainda precisam aprender a lidar.

Idosos com demência possuem déficit da memória e da capacidade de planejar condutas adequadas. Portanto, para as atividades instrumentais os idosos tornam-se mais dependentes inicialmente do que para as atividades básicas da vida diária. Quanto aos cuidados é preciso ter clareza do tipo e da quantidade de ajuda que ele precisa. Por vezes, é necessário a composição de uma rede de apoio familiar e de suporte social, várias pessoas auxiliando em diferentes tipos de cuidado.

O cuidado, nesses casos, não pode ser unilateral, a família de um idoso com Alzheimer também precisa de apoio adequado, pois, além dos impactos acima citados, o maior de todos talvez esteja na perda lenta da pessoa a quem se ama, na degeneração da história da própria família. Com a memória do idoso, não vão embora apenas as suas recordações pessoais; vai-se embora o tempo de toda uma geração; perde-se a história da família e os laços de tempo que a constituíram.

Quem tem o privilégio de conviver com um idoso na família sabe disso. Sabe do prazer de ouvir velhas histórias, de aprender como eram os tempos passados e de conhecer melhor tio fulano ou a prima beltrana quando pequenos. Sabe do encanto de repetir, já adulto, os sabores da infância naquele café moído com cravo ou no bolo de fubá. Mas, principalmente, sabe da alegria de reconhecer-se naquela pessoa e ser por ela reconhecida e se sente especial por isso.

A doença de Alzheimer, portanto, ao degenerar a memória e o comportamento do idoso, degenera junto a alma de sua família e apaga um pedaço da história da sociedade.

Aqueles que investigam essa doença e aqueles que tratam dos que por ela são acometidos precisam se lembrar disso. Pois, do gigante e famoso Maguila os registros de seus feitos, de certa forma, poderão recuperar sua memória e emprestá-la para as suas novas gerações. Mas, da pequena e desconhecida Alice, quem saberá?

*Reginaldo Souza | Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

*Com informações: Reginaldo Souza | [email protected]

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