Tratamento do ex-presidente Lula vai até janeiro de 2012

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tratar do câncer na laringe até, pelo menos, janeiro. Ele deve passar por três sessões de quimioterapia até o final deste ano e por uma de radioterapia no início de 2012.

O cronograma foi divulgado ontem (31/10/2011) pela equipe médica responsável pelo tratamento do ex-presidente. Lula está no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e é acompanhado pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e Luiz Paulo Kowalski.

Em entrevista coletiva no hospital, os médicos disseram que Lula passará por sessões de quimioterapia a cada 21 dias. Nessas sessões, ele receberá remédios por meio de um catéter implantado em seu peito. Cada sessão vai durar cinco dias, mas Lula não precisará ficar no hospital nesse período. Parte dos medicamentos será dada a ele no hospital e outra deve ser injetada no catéter, quando ele estiver em casa.

Já a radioterapia deve começar cerca de 40 dias após a última sessão de quimioterapia. O tratamento será localizado e feito em uma máquina, no hospital.

O médico Paulo Hoff destacou que o tumor do ex-presidente é de agressividade média e, geralmente, responde bem à quimioterapia. Por isso, os médicos descartaram, por hora, uma cirurgia. “A chance de cura é muito boa.”

Lula quis saber de Dilma sobre reunião de economias desenvolvidas, crise do euro e Minha Casa, Minha Vida

Pouco tempo depois de se submeter à primeira sessão de quimioterapia contra um tumor cancerígeno na laringe, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, conversou sobre a reunião de cúpula do G20 (grupo das 20 economias mais desenvolvidas), a crise na zona do euro e sobre o programa governamental Minha Casa, Minha Vida, ao receber hoje (31) a visita da presidenta Dilma Rousseff.

“Com o Lula, a gente não conversa só sobre isso [a doença]. Eu dei poucas dicas [sobre como enfrentar a quimioterapia] porque o presidente Lula estava mais interessado em discutir o G20. Estava bem mais interessado em discutir como é que está o desempenho dos países da zona do euro”, disse a presidenta depois de encontrar-se com Lula no Hospital Sírio-Libanês.

Perguntada se o presidente tinha se queixado do tratamento, Dilma contou que Lula mostrou-se preocupado com a vida nacional, mais que com o próprio tratamento. “Se [ele] reclamou dos efeitos da quimioterapia? Ele reclamou do Minha Casa, Minha Vida. Ele viu isso na TV. Tem 1 milhão de contratos e o pessoal trata como sendo uma catástrofe ter três contratos que estão sendo mal utilizados por algumas pessoas”, respondeu.

Dilma destacou ainda que Lula está de bom humor e que está preservando a voz. “Ele está maravilhoso de humor, está excepcional de humor, com aquela alegria dele. Ele poupou a voz, está falando baixo, mas, de repente, ele sai um pouco do tom e fala mais alto”, disse.

A presidenta chegou ao hospital por volta das 18h30, acompanhada do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Também esteve com Lula o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Eles deixaram o hospital por volta das 20h.

O ex-presidente foi diagnosticado, no último sábado (29), com um tumor de aproximadamente 3 centímetros na laringe. Segundo os médicos, a doença está em uma fase de desenvolvimento que os médicos chamam de T2 e ainda não atingiu as cordas vocais do paciente. O resultado de uma biópsia feita no sábado indicou também que a agressividade do tumor é considerada média e seu estágio de desenvolvimento é relativamente inicial. Lula deve passar por três sessões de quimioterapia até o final deste ano e por uma de radioterapia no início de 2012.

Ainda hoje, Dilma parte para Cannes, na França, onde participará da reunião do G20, de 3 a 4 de novembro.

Câncer de laringe atinge entre 8 mil e 10 mil pessoas por ano no Brasil, diz médico

O câncer de laringe – diagnosticado no último final de semana no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – atinge entre 8 mil e 10 mil pessoas por ano no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e do pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos identificados nessa área.

De acordo com o médico José Guilherme Vartanian, cirurgião de cabeça e de pescoço do Hospital A. C. Camargo, a incidência de câncer de laringe na cidade de São Paulo é uma das mais altas no mundo.

“O Inca estima em cerca de 8 mil a 10 mil casos de laringe por ano no Brasil”, diz Vartanian. “Esse número, dentro do universo geral de câncer, não é muito alto. No mundo, há uma incidência média de cinco casos de câncer de laringe para cada 100 mil homens. Em São Paulo, chega até 15 casos para cada 100 mil homens. Uma média muito acima da mundial.” Segundo ele, isso se deve à poluição ambiental, um dos fatores que podem levar a esse tipo de câncer.

A laringe é um órgão responsável pela produção da voz e pela proteção das vias respiratórias. Por isso, segundo o médico, um tumor nesse órgão pode afetar tanto a voz, como parece ter sido o caso do ex-presidente Lula, quanto a deglutição e a respiração de uma pessoa. “Um tumor na região das cordas vocais vai causar algum grau de disfonia, que chamamos de rouquidão. Rouquidões persistentes e progressivas são sinais de alerta para esse tipo de doença. Além de rouquidão, a pessoa pode ter dificuldades para engolir.”

Entre os fatores que podem levar ao câncer de laringe estão, além da poluição ambiental, o hábito de fumar e o consumo de bebidas alcoólicas. “Todo mundo conhece casos de pessoas que fumaram a vida toda e não tiveram câncer. Obviamente não é só o fator externo. Deve haver alguma pré-disposição ou suscetibilidade genética para ter a doença.”

Para evitar esse tipo de câncer, Vartanian destacou que é importante não fumar, evitar o consumo de bebidas destiladas e manter uma dieta balanceada com a ingestão de verduras e frutas frescas.

Já o tratamento do câncer de laringe depende, de acordo com o médico, do estágio em que a doença tenha sido diagnosticada. “Em fases mais iniciais da doença, é possível fazer apenas cirurgia ou apenas a radioterapia, de forma isolada. Quando ela está em fase mais ou menos intermediária se combinam tratamentos. Pode-se fazer cirurgias ou associar quimioterapia e radioterapia, que parece que é o que vai ser feito no caso dele [Lula].”

Imprensa argentina repercute câncer de Lula e faz comparações com líderes latino-americanos

Os jornais argentinos, além de noticiar nas primeiras páginas informações sobre o câncer que acomete o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, também fizeram um levantamento do estado de saúde dos líderes da América Latina. O jornal La Nacion e o site de notícias Infobae compararam a transparência de Lula ao hermetismo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na divulgação dos respectivos diagnósticos médicos.

Lula, segundo o Infobae, no mesmo dia em que soube da doença, tornou público que tinha câncer da laringe e que seria submetido à quimioterapia. “Foi claro e transparente. O chefe de Estado mais popular da história brasileira tem câncer e todos sabem”, escreveu o site. “Nada disso aconteceu com a doença do presidente venezuelano, Hugo Chávez”, acrescentou, ao lembrar que, até hoje, ninguém saber que tipo de câncer Chávez tem, nem qual a gravidade.

Além de Lula e Chávez, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, foi diagnosticado com câncer linfático em 2010 e submetido a um exitoso tratamento no Brasil. O líder cubano Fidel Castro entregou o poder ao irmão, Raúl, por motivos de saúde. Mas, como Chávez, jamais divulgou informações precisas sobre a doença que o acomete.

*Com informações: Agência Brasil

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