Objetivando a segurança alimentar, cidadão deve denunciar abates clandestinos de animais, alerta SEAGRI

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Sensibilizar a população para o perigo de consumo carne abatida clandestinamente é uma das metas da Secretaria da Agricultura, Seagri, que através da Agência de Defesa Agropecuária, Adab, desenvolve ações de educação sanitária em todo o Estado. Esta foi uma das colocações feitas pelo secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, ao participar na manhã desta quinta-feira, no plenário da Assembléia Legislativa da Bahia, da sessão especial convocada pelo deputado Mário Negromonte Júnior para debater questões relacionadas à cadeia produtiva da carne. Salles parabenizou e elogiou a iniciativa do deputado, destacando a importância do debate para que as ações de combate ao abate clandestino sejam ampliadas.

“O abate clandestino é resquício da cultura que prevaleceu por muito tempo na zona rural, e a educação sanitária é uma das ferramentas que nós temos para mudar essa realidade”, disse o deputado, anunciando que pretende envolver outras secretarias no debate, a exemplo das pastas da Saúde e da Educação, com o objetivo de prevenir doenças relacionadas à carne, e conscientizar os estudantes sobre a carne clandestina e a carne legalizada.

“O Estado não consegue ter um policial em cada esquina para enfrentar a violência, e nós não conseguimos também colocar um fiscal agropecuário em cada zona rural para impedir o abate clandestino”, comparou o secretário, destacando a importância da educação sanitária e a participação da sociedade. “A população precisa se conscientizar do risco que representa para a saúde o consumo de carne oriunda do abate clandestino”, disse, lembrando a necessidade de ações conjuntas do Ministério Público e vigilância sanitária das prefeituras municipais.

AÇÕES PIONEIRAS

Mas, conforme ele ressaltou, as ações do governo através da Seagri/Adab não se resumem na educação sanitária. “A Bahia saiu na frente buscando soluções para esta questão, que está presente em todo o País”, afirmou, lembrando que a secretaria/Adab implementou um projeto de descentralização do abate e desenvolveu uma planta modelo de frigorífico abatedouro, com capacidade para 30/100 animais/dia”. “Dizia-se que não era possível construir um abatedouro com menos de R$ 8 milhões. Nós provamos que podemos construir com cerca de R$ 2 milhões, e a planta que desenvolvemos tornou-se referência nacional, aprovada pelo Ministério da Agricultura”, informou.

O secretário lembrou que a Bahia conta hoje com 30 frigoríficos, e mais 23 estão em processo de construção, (uns em processo de licitação, outros já em fase de conclusão), afirmando contudo que não é possível ter um abatedouro em cada um dos 417 municípios. Mas ele assegurou que “onde a iniciativa privada não demonstrar interesse, o Estado estará presente”.

Fechando a estruturação da cadeia da carne, a Seagri, através da Adab, lançou, no início do mês de outubro último, o projeto de entrepostos frigoríficos, dando sustentabilidade ao setor, e criando condições para que a fiscalização seja mais efetiva.

Os entrepostos frigoríficos são estruturas modulares, com capacidade para 30, 50 e 100 carcaças, que serão instaladas junto aos centros comerciais dos municípios, onde funcionam boxes para comercialização de carnes. As carcaças saem dos frigoríficos e vão para os entrepostos, dotados de equipamentos em inox, onde será feira a desossa pelos marchantes e açougueiros, com todo cuidado e higiene. Depois de trabalhada no entreposto, a carne é levada para os balcões frigoríficos instalados nos boxes dos centros comerciais, equipados com serrafita e balança, formando um módulo que dá a concepção final à cadeia da carne. Isso garante a segurança alimentar a toda a população, que não correrá o risco de sofrer com doenças.

Salles explicou aos parlamentares e dezenas de convidados à sessão especial que “este é um projeto estruturante, lançado de forma pioneira no Brasil, dando seqüencia ao projeto de descentralização do abate na Bahia”.

O diretor geral da Adab, Paulo Emílio Torres apresentou os detalhes do projeto de Entrepostos Frigoríficos Modulares, destacando sua importância estratégica. Ele afirmou que “nos últimos anos, a Bahia tem promovido alterações significativas nas relações entre os elos do setor, gerando melhorias na qualidade da carne e subprodutos comercializados, e fomentando a saúde pública em todo o Estado”, declarou.

O presidente do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Estado da Bahia (Sincar), reconheceu a importância das ações do governo do Estado, e afirmou que “sessões como essa são importantes para mostrar que estamos de mãos dadas. Nossos frigoríficos prestam serviços às comunidades, pois cedemos nosso espaço para os pequenos abates”, declarou.

Sobre Carlos Augusto 9449 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).