Em Senhor do Bonfim, o investigador de polícia João dos Santos Macedo, responderá a processo por forjar acidente que matou a mulher

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O delegado-geral Hélio Jorge Paixão e o titular da 19ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Senhor do Bonfim), delegado Felipe Néri Neto, revelaram, nesta quinta-feira (10/11/2011), detalhes do trabalho de investigação da Polícia Civil na elucidação da morte de Márcia Regina de Souza Macedo, 29 anos, mulher do investigador João dos Santos Macedo, 40, autor do crime ocorrido no dia 29 de outubro.

Foi o oitavo caso de servidores policiais, envolvendo três delegados, dois escrivães e 14 investigadores , flagrados em ação delituosa e punidos pela Corregedoria da Polícia Civil (Correpol) em 2011. “O trabalho da polícia deve ser cumprido de forma imparcial, independentemente de quem seja o autor do crime. Muitas vezes é necessário cortar na própria carne”, avisou o delegado-geral, durante coletiva à imprensa, realizada no auditório do edifício-sede da Polícia Civil, na Praça da Piedade. Ao lado do delegado Felipe Néri, Hélio Jorge ilustrou cada passo da investigação, por meio de fotos e análises técnicas da perícia, feitas no carro e no local utilizado pelo investigador para forjar um acidente automobilístico com a mulher. Lotado na Delegacia Territorial de Antônio Gonçalves, município localizado a 394 quilômetros de Salvador, João foi preso, na segunda-feira (07/11/2011), e está custodiado na Correpol, no Rio Vermelho.

Segundo o titular da 19ª Coorpin, será instaurado um inquérito policial, em que ele responderá por homicídio, e também um processo administrativo disciplinar. Embora negue, há suspeitas de que recebera ajuda de dois homens para forjar o crime, daí a polícia trabalhar com o objetivo de descobrir quem seriam estes cúmplices. Na madrugada do dia 30 de outubro, João pediu apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), alegando ter sofrido um acidente de trânsito na estrada Senhor do Bonfim/Jacobina, próximo de Antônio Gonçalves. Na polícia, disse que estava com a mulher a bordo de um Gol verde, pertencente ao irmão, a caminho de Pindobaçu, onde se realizava a festa de aniversário da cidade. Acrescentou que, ao passar por uma curva, perdeu o controle do veículo, saiu da estrada e, neste momento, a porta do lado do passageiro se abriu e Márcia foi lançada para fora e morreu na queda.

Ao analisar o local do acidente, o delegado Felipe Néri e os peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Senhor do Bonfim perceberam não se tratar de uma fatalidade, levando-os a aprofundarem as investigações. Inicialmente ficou apurado que a equipe do SAMU que esteve no local constatou que o corpo de Márcia apresentava rigidez cadavérica, indicando que a mulher havia morrido antes do horário do acidente informado pelo marido.

O trabalho pericial trouxe novas informações, que reforçaram as desconfianças do delegado Felipe Neri: foram encontrados, por exemplo, manchas do sangue e fios do cabelo de Márcia no interior do Gol e o veículo estava numa posição que não combinava com a de um carro que tivesse saído da estrada de forma descontrolada. Somado a tudo isso, um familiar da vítima revelou à polícia que notou marcas estranhas nos pulsos de Márcia – estudante de Ciências Contábeis na Uneb de Senhor do Bonfim e estagiária no setor administrativo da Justiça Federal em Campo Formoso –, indicando que fora amarrada. Estes detalhes da investigação fizeram com que João fosse convocado a comparecer à 19ª Coorpin.

Diante das evidências, confessou o assassinato, ocorrido na noite de 29 de outubro, na residência do casal, no bairro do Mercado, em Senhor do Bonfim. Juntos há 12 anos e pais de dois meninos (um de 11 e outro de cinco anos), João e Márcia tiveram uma discussão, em razão de ele ter descoberto que a mulher mantinha um relacionamento extraconjugal. No calor da discussão, segundo o policial, Márcia lhe deu um tapa no rosto. Descontrolado com a agressão, este a algemou, espancou e a estrangulou pisando no pescoço.

Depois de cometer o crime, João, ex-policial militar e que trabalhava na Polícia Civil, como investigador desde 2009, limpou inicialmente o local para não deixar vestígios. Em seguida, colocou a mulher morta no banco do carona do carro do irmão e, já na estrada, próximo à cidade de Antônio Gonçalves, empurrou o corpo para fora do automóvel, forjando o acidente. “Por se tratar de um policial civil, imaginou que poderia usar de seus conhecimentos em investigação para dificultar a apuração dos fatos. Esqueceu-se que não existe crime perfeito. Todo criminoso deixa indícios”, declarou o coordenador da 19ª Coorpin.

*Com informações: Secretária de Segurança Publica da Bahia

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