Corrupção no governo federal | Ministro Carlos Lupi diz que não compactua com corrupção e que vai se defender de denúncias feitas por revista

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, vai convocar uma entrevista coletiva para se defender das denúncias feitas pela revista Veja desta semana, segundo a qual o assessor especial e coordenador-geral de Qualificação do ministério, Anderson Alexandre Santos, operava um esquema de cobrança de propina de organizações não governamentais (ONGs) que tinham contratos com a pasta.

Segundo Lupi, as instituições citadas pela revista não receberam recursos do ministério. “Acho estranha essa denúncia porque ela é vazia, não tem autor. As duas instituições que dizem ter sofrido a extorsão, não receberam dinheiro, não foi repassado [recurso]”, disse o ministro à Agência Brasil.

Lupi ressaltou que vai abrir uma sindicância interna e pedir ao Ministério Público para investigar as denúncias da revista. Ele já pediu ao Ministro da Justiça uma investigação da Polícia Federal sobre o caso. Ainda no sábado (05/11/2011), o ministro afastou o assessor acusado pela revista de envolvimento em irregularidades.

O ministro disse estar “tranquilo” quanto às denúncias, pois não compactua com a corrupção. “Se houver alguém que tenha feito [algum ato de corrupção] em nome pessoal, tem que ser punido. Corrupto e corruptor.”

Centrais sindicais divulgam nota de apoio ao ministro Carlos Lupi

Centrais sindicais divulgaram hoje (7) nota de apoio ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Na nota elas manifestam solidariedade ao ministro e afirmam que Lupi está sendo vítima “de uma sórdida e explícita campanha difamatória e de uma impecável perseguição política, que visa à desestabilização do governo e o linchamento público do titular da pasta”.

Assinam a nota a Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central Geral de Trabalhadores do Brasil (CGTB).

As centrais dizem também que elas não podem se “calar diante desses ataques, que estão eivados de interesses políticos inconfessáveis e que estão surgindo no momento em que demandas e os direitos dos trabalhadores estão avançando no Brasil, e têm contado com o apoio incontestável e forte incentivo do titular do Ministério do Trabalho e Emprego”.

Elas dizem ainda que Lupi é um defensor dos direitos dos trabalhadores e um importante protagonista na luta pelo emprego e pela qualificação profissional. “Ressaltamos o elevado comportamento moral do ministro Carlos Lupi à frente da pasta do Trabalho e Emprego como um defensor ferrenho dos direitos dos trabalhadores, sendo um importante protagonista na luta pelo emprego e pela qualificação profissional”.

PPS pede abertura de inquérito para apurar denúncias de corrupção no Ministério do Trabalho

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), protocolou hoje (7) na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido de abertura de inquérito para investigar denúncias de pagamento de propina no Ministério do Trabalho. De acordo com reportagem publicada pela revista Veja desta semana, assessores do ministro Carlos Lupi extorquiam dinheiro de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas ao ministério.

No domingo, o jornal O Globo também publicou reportagem com novas denúncias de irregularidades em convênios do ministério com ONGs.

A representação do PPS cita o ministro, Carlos Lupi; o ex-assessor especial do ministério e deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA); o coordenador-geral de Qualificação do ministério, Anderson dos Santos; e o ex-chefe de gabinete de Lupi Marcelo Panella. No fim de semana, após as denúncias da revista Veja, Lupi afastou Anderson Santos do cargo.

“Não está claro, contudo, qual é a extensão do real comprometimento do senhor Carlos Roberto Lupi em todo esse esquema. Todavia, diante da importância dos assessores envolvidos nas acusações, tudo leva a crer que é verossímil a possibilidade de que haja um comprometimento do ministro do Trabalho com a suposta cobrança de propinas”, diz trecho da representação do PPS encaminhada à PGR.

De acordo com o partido, caso confirmadas, as denúncias implicam três crimes contra a administração pública: peculato (receber vantagens devido ao cargo), concussão (exigir para si ou para outro vantagem fazendo uso do cargo) e corrupção passiva.

Comissão de Ética da Presidência pede explicações a Lupi sobre denúncias

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu hoje (7) pedir esclarecimentos ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre as acusações de que assessores do Ministério do Trabalho teriam pedido propina a organizações não governamentais que possuem convênio com a pasta. A denúncia foi publicada pela revista Veja desta semana.

De acordo com informações do presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, o ministro terá dez dias para apresentar suas explicações. Só depois de analisar a defesa de Lupi é que a comissão decidirá se abrirá processo de investigação sobre o caso.

Enquanto a comissão se reunia no anexo do Planalto, o ministro Lupi participou de uma reunião dos líderes da base aliada com a presidenta Dilma Rousseff . Ele é o presidente nacional do PDT. De acordo com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a permanência do ministro não foi discutida.

Ideli informou que o ministro conta com apoio do Planalto porque a política de emprego do Brasil tem demonstrado bons resultados. “Entendemos que o Brasil está vivendo uma situação de pleno emprego. Mesmo diante da crise temos uma política que continua gerando emprego”, disse a ministra depois da reunião.

Além de Lupi e Ideli, participaram da reunião os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil.

Após a divulgação das suspeitas, Lupi determinou o afastamento do assessor especial Anderson Alexandre dos Santos, que atuava como coordenador-geral de Qualificação e que foi acusado na reportagem de ser operador do esquema.

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