A cerca pode fazer diferença na recomposição de áreas de conservação, alertam cientistas, agrônomos e ambientalistas

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Especialistas em meio ambiente, produção agrícola, e cientistas são unânimes: com tecnologia, manejo adequado e crédito, é possível equilibrar a produção de alimentos e a conservação ambiental, inclusive com a reparação dos passivos exigida no Código Florestal. Este é o tema central do artigo produzido a várias mãos por algumas das mais importantes consultorias de agro do País, como o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais – ICONE, Scot e Bürgi Consultoria, e ONGs ambientalistas de renome internacional, como a WWF, a The Nature Conservancy (TNC) e a Solidariedad Network Brasil, junto com a Associação dos Profissionais de Pecuária Sustentável.

O artigo, que inaugura a seção Agro e Eco da RedeAgro (www.redeagro.org.br), trata da importância de uma solução simples e tradicional, o cercamento de áreas na propriedade rural, para uma necessidade prioritária do campo na atualidade, o cumprimento do Código Florestal Brasileiro, que está em vias de votação no Senado. A RedeAgro é uma iniciativa de associações, empresas, entidades e ONGs que estudam e promovem a atividade agrícola brasileira, e é coordenada pelo ICONE.

De acordo com o texto, que tem entre seus autores o professor Gerd Sparovek, que atua na área de conservação do solo e planejamento do uso da terra na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), rever a estratégia de manejo das pastagens pode garantir mais eficiência nas fazendas e ainda tornar possível a recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APP), Reservas Legais (RL) e até mesmo a compensação dessas áreas fora da propriedade, com ganhos financeiros e ambientais para o produtor, pela melhoria nos procedimentos de manejo e diversificação de atividade econômica.

Segundo as entidades que assinam o artigo, cerca de 80% dos passivos em APPs ocorrem sobre pastagens. Estas, por sua vez, equivalem a 77% das terras em uso pela agropecuária no Brasil, e garante o posicionamento do país como o primeiro produtor e exportador mundial de carnes. Os especialistas defendem que, para recompor áreas de florestas em pastagens situadas na Mata Atlântica, no Cerrado e na Floresta Amazônica, tudo o que se precisa é deixar de fazer nelas qualquer tipo de roçagem, química ou mecânica, cercá-las e, em um primeiro momento, colocar nelas o gado bovino. Este comeria o capim tenro, deixando de lado a vegetação mais dura (lenhosa) da mata em restauração, que cresceria sem a competição voraz do capim. Com o crescimento dos arbustos e árvores típicos do bioma, o conseqüente sombreamento do pasto acabaria com o capim. Neste momento, sai de cena o gado, e tem-se uma área de conservação.

O problema, explica André Nassar, coordenador da RedeAgro, é que cercar áreas representa altos custos para o produtor. “A cerca elétrica não sai por menos de R$ 2,6 mil o quilômetro, e a fixa pode chegar a R$ 7 mil por quilômetro. A manutenção fica mais cara também, mais gente e material para aceiros e consertos”, diz Nassar. Embora o resultante ganho de produtividade nas fazendas ajude a pagar em parte esta conta, os consultores alertam para a necessidade de disponibilização de crédito para este fim, preferencialmente, fácil e sem burocracia.

“Mais do que nunca, devemos pensar em soluções para o campo, de maneira a equilibrar o Agro e o Eco. Somos sete bilhões de pessoas no mundo, precisamos de alimentos e de fibras têxteis, mas não podemos descuidar dos nossos recursos naturais. Para produzir mais, utilizando áreas menores, e menos recursos, como a água, são necessários tecnologia e manejo eficiente. Isso tem custo”, diz o coordenador.

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