Presidente Dilma Rousseff defende saída negociada para o Oriente Médio durante cúpula do Ibas

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A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (18/10/2011) o fim da violência na repressão aos protestos contra o regime de Bashar Al Assad na Síria e o fim das intervenções internacionais na Líbia como solução para os conflitos que atingem esses países. A posição da presidenta é alinhada com a dos demais países que integram o Ibas, a Índia e a África do Sul, cujos governantes estão reunidos hoje em Pretória, capital administrativa da Àfrica do Sul, na 5ª Cúpula do Ibas.

“Na Síria, defendemos o fim imediato da repressão e encorajamos diálogo nacional para lograr uma saída não violenta. Na Líbia, atuamos orientados pela certeza de que intervenções armadas, especialmente as realizadas à margem do direito internacional, não trazem a paz nem protegem os direitos humanos. Agravam conflitos em vez de resolvê-los. Por essa razão, saudamos a atuação mediadora da União Africana e, em especial, a liderança do presidente [da África do Sul, Jacob] Zuma neste conflito”, disse a presidenta.

A defesa de uma saída negociada ocorreu hoje, no discurso feito pela presidenta o lado do anfitrião, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, e do primeiro-ministro indiano Manmohan Singh.

Da mesma forma que fez na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU, no mês passado, a presidenta brasileira voltou a criticar as políticas intervencionistas lideradas principalmente pelos Estados Unidos. “Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. Esta responsabilidade ao proteger foi objeto das iniciativas da África do Sul, da Índia e do Brasil dentro do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]”.

Outro ponto destacado por Dilma foi a necessidade de continuar pleiteando um assento permanente no Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas. Para Dilma, a “legitimidade” dessa instância passa pela inclusão das nações emergentes.

“A presença de nossos países no Conselho de Segurança este ano de 2011 demonstrou, uma vez mais, que dispomos de todas as credenciais para assumir assento permanente e dotar aquele órgão da legitimidade que lhe falta. Nossa postura frente aos acontecimentos políticos recentes no Oriente Médio e no norte da África é prova disso”, destacou.

No Ibas, Dilma defende políticas inclusivas como parte da solução para crise

Ao discursar hoje (18/10/2011) na reunião da Cúpula do Ibas, grupo de cooperação multilateral que reúne Índia, Brasil e África do Sul, a presidenta Dilma Rousseff defendeu que as três nações levem uma posição unificada à reunião do G20, que ocorre nos próximos dias 3 e 4 de novembro, em Cannes, na França.

Essa posição, na opinião da presidenta brasileira, deve ser contrária às políticas protecionistas que provoquem a guerra cambial e devem necessariamente ter a orientação de incluir socialmente as populações menos favorecidas. “Nesta Cúpula do G20, precisamos transmitir, em novembro, uma forte mensagem de coesão política e de coordenação macroeconômica. Não podemos ficar reféns de visões ultrapassadas ou de paradigmas vazios de preocupação social, em relação ao emprego e em relação à riqueza dos povos”, disse Dilma.

“A grave crise financeira que hoje vivemos expõe a fragilidade da governança econômica global e as dificuldades que enfrentam as lideranças políticas que estão no epicentro da crise. Como vivemos num mundo globalizado e sofremos as consequências das turbulências do mundo desenvolvido, temos também o direito e o dever de participar da busca de soluções para essa situação de crise. Sabemos ser necessário um acordo credível entre os países europeus, para impedir que a crise fique incontrolável, afetando o mundo”, destacou a presidenta.

A declaração foi feita após o encontro com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro da Índia, Mohamd Manmohan Singh.

Como prioridade para resolver a crise, Dilma destacou a necessidade de os países resolverem suas dívidas e fazerem os devidos ajustes fiscais.

“É prioritário solucionar o problema da dívida soberana e reverter o quadro recessivo global. É inadiável a regulamentação do sistema financeiro. É fundamental pôr fim a políticas monetárias que provocam uma verdadeira guerra cambial e estimulam o protecionismo. É importante buscar a consolidação fiscal e a solidez dos sistemas bancários”, disse a presidenta brasileira.

Dilma voltou a defender uma reforma mais profunda nas instituições multilaterais com uma participação maior dos países emergentes na direção desses fóruns. Essa é uma bandeira antiga dos países do Ibas que defendem uma reestruuração do Banco Mundial (BID) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). “O Ibas está ampliando, de maneira expressiva, a voz dos países em desenvolvimento nos fóruns multilaterais e reforçando nossa capacidade de responder de modo eficaz aos desafios de um mundo em profunda transformação”, disse a presidenta.

“Comprovamos que políticas macroeconômicas fiscalmente responsáveis são compatíveis com medidas ativas de distribuição da renda e inclusão social. Fizemos da rigorosa regulamentação financeira e da consolidação fiscal pré-requisitos da robustez de nossas economias. Esse legado deve se refletir no processo de reforma em curso no Fundo Monetário e no Banco Mundial conferindo aos países emergentes um poder de voto equivalente a seu peso crescente na economia mundial. As reformas acertadas em 2009 têm de ser levadas a cabo”, destacou.

A participação dos emergentes na solução da crise, para a presidenta brasileira, tem importância fundamental. “Sabemos que processos recessivos jamais conduziram país algum a sair das crises e do desemprego. Temos credenciais sólidas para exigir novos fundamentos para a arquitetura financeira mundial. Nós reforçamos nossa capacidade de resistência à crise ao estimularmos o fortalecimento de nossos mercados internos incluindo socialmente nossas populações e gerando emprego”, destacou.

*Com informações: Agência Brasil

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