Exposição comemorativa e leitura cênica nos 35 anos do grupo de teatro Avelãz y Avestruz. Em cartaz no Foyer e no palco Principal do TCA

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Um impacto. Assim pode ser resumida a trajetória do Grupo de Teatro Avelãz Y Avestruz (AYA) que, a partir dos anos, 70 promoveu uma renovação na dramaturgia baiana, trazendo à cena não apenas uma aventura estética, mas uma nova política gerencial e comportamental. Agora, no final de 2011, essa história volta a cartaz, na forma da Exposição “Avelãz Y Avestruz – 35 anos”,organizada pelo artista plástico e cenógrafo baiano Joãozito, que o público poderá conferir de 24 de outubro a 13 de novembro, no Foyer do Teatro Castro Alves, e também com a Leitura Cênica de um Documento, no dia 26 de outubro, às 19 horas, no palco da Sala Principal do TCA, dentro da programação do FIAC (Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia). A iniciativa tem o apoio da Secretaria de Cultura do Estado, Funceb e TCA.

Na exposição, com a estrutura de um caleidoscópio, o artista Joãozito reuniu fotos de todos os espetáculos, documentos e imagens dos atores fora do palco, as viagens e os camarins. Outra atração será a kombi verde-oliva usada nas viagens do grupo pelo Brasil, que foi recuperada e servirá de “sala de projeção” dos filmes em super-8 e vídeos de algumas montagens. “A mostra tem muito dessa coisa de um passado quase recente, e a ideia do caleidoscópio é misturar tudo, mostrando, ao mesmo tempo, a unidade de cada peça”, diz Joãozito.

COLETIVO BAIANO – O AYA não era uma companhia empresarial, como as que faziam o teatro profissional da Bahia, e também não era um grupo amador. Era um grupo que se consorciava através de contratos coletivos para cada peça. As atividades começaram com “Rapunzel”, uma adaptação para adultos do conto infantil dos irmãos Grimm, cuja estreia, no Teatro Sesc/Senac Pelourinho, em junho de 1976, foi uma inovação no teatro baiano. A linguagem cênic apresentada já deixava claro o caminho a ser trilhado pelo grupo: forte apelo visual e gestual, muita importância dada ao trabalho vocal e corporal; a música, coreografia, maquiagem, cenário e figurino usados como elementos significativos e também a utilização de ação simultânea.

Os artistas que integravam o coletivo baiano, naquela época, continuam atuantes: Maria Eugênia Milet, Hebe Alves, Fernando Fulco, Sérgio Guedes, Sérgio Carvalho, Milton Macedo, Marcio Meirelles e Chica Carelli, entre outros. À exceção de “Salomé”, em parceria com Lia Robatto, e “Fala Comigo Doce como a Chuva”, todos os espetáculos do grupo foram dirigidos por Marcio Meirelles. “Esses 35 anos trazem uma reflexão, e o distanciamento nos permite ver melhor a respeito de um tempo, não só do grupo, mas de um momento síntese do teatro brasileiro, a partir do AYA”, afirma Marcio Meirelles. Ele lembra que o grupo se desenvolveu muito no Teatro Castro Alves, onde tinha uma sala de ensaio, com o apoio dos então diretores José Augusto Burity e Theodomiro Queiroz. “Eram oito horas de ensaio por dia, às vezes doze, sempre em busca de um apuro técnico e estético muito grande em cada espetáculo.”

Despedida – Foram 15 montagens com diversos prêmios e apresentações também pelo Brasil. Entre outras peças, o grupo apresentou “A Rainha”, de Aninha Franco, “Fausto”, de Goethe, “Alice, Fantasia Dramática”, baseado em Lewis Carrol, “Baal”, de Brecht, “Macbeth”, de Shakespeare, e “Fala Comigo Doce como a Chuva”, de Tennessee Williams. Em 1989, foi montada “Lulu”, de Wedkind e, segundo Marcio Meirelles, A poética da peça era a mesma desenvolvida pelo diretor com o grupo em seus 15 espetáculos anteriores. “Assim, o Avelãz y Avestruz assinou a realização do espetáculo, com o Lanavevá, numa despedida. Coisa que não tinha sido feita ainda.”

LEITURA CÊNICA DE UM DOCUMENTO – Em 1980, durante o Festival de Arte da Bahia,realizou-se o 1° Fórum Nacional de Teatro, e o Avelãz Y Avestruz foi convidado para apresentar sua inovadora forma de funcionamento artístico e gerencial na mesaTécnicas regionais de criação e produção – Nordeste. Os artistas Maria Eugênia Milet, Hebe Alves, Fernando Fulco, Sérgio Guedes, Sérgio Carvalho, Milton Macêdo e Marcio Meirelles reuniram-se em Estância, Sergipe, e elaboraram o documento “Depoimento Verdade do Avelãz Y Avestruz – Cooperativa”, reunindo fragmentos de artigos, críticas, reportagens e declarações do próprio grupo transcritas por jornalistas, selecionados e comentados pelos artistas. O texto foi apresentado como numa leitura dramática. Esse “Depoimento Verdade…”será lido, mais uma vez, agora no palco do Teatro Castro Alves, no dia 26 de outubro, às 19 horas, durante o FIAC. Lá estarão artistas que participaram do AyA, jornalistas e pessoas ligadas ao grupo.

Serviço:

Exposição “Avelãz Y Avestruz – 35 anos”

De 25 de outubro a 13 de novembro (2011)

Foyer do Teatro Castro Alves

Gratuito

Leitura Cênica de um Documento – “Depoimento Verdade do Avelãz Y Avestruz – Cooperativa”.

Dia 26 de outubro, quarta-feira, às 19 horas

Palco da Sala Principal do TCA

Entrada Gratuita

*Sujeito à lotação – (senhas distribuídas 1 horas antes do espetáculo)

Sobre Carlos Augusto 9524 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).