Relação entre integrados e BRF Brasil Foods é tema de debate na Câmara Municipal de Feira de Santana

Câmara Municipal de Feira de Santana debateu integrados e BRF Brasil Foods.
Câmara Municipal de Feira de Santana debateu integrados e BRF Brasil Foods.
Câmara Municipal de Feira de Santana debateu integrados e BRF Brasil Foods.
Câmara Municipal de Feira de Santana debateu integrados e BRF Brasil Foods.

A Câmara Municipal de Feira de Santana, na sexta-feira (16/09/2011), por iniciativa da Comissão de Meio Ambiente, Direitos Humanos e Defesa do Consumidor, realizou audiência pública para tratar de assuntos referentes à relação entre produtores avícolas e a empresa BRF Brasil Foods (criada a partir da associação entre Perdigão e Sadia). O debate foi acompanhado por dezenas de empreendedores rurais de várias partes da Bahia e representantes de instituições ligados ao setor avícola, que lotaram a galeria da Casa Legislativa.

O evento foi conduzido pelo presidente da referida Comissão, Marialvo Barreto (PT), que compôs a mesa com Fernando Cesar Ribeiro, diretor do sindicato de Agricultura do Distrito Federal e da Associação Avícola do Planalto Central; Gonçalo Raimundo Alves de Oliveira, presidente da Câmara de São Gonçalo dos Campos; Benedito Antônio Batista, presidente da Associação dos Produtores Integrados em Avicultura do Estado da Bahia; Aurino Soares de Melo Junior, coordenador regional da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia; José Gaspar de Farias, consultor administrativo da Associação dos Granjeiros Integrados do Triângulo e do Alto da Paranaíba; e o deputado estadual José Neto.

O vereador Marialvo, após apontar vários problemas e prejuízos dos criadores de frangos, afirmou que a relação entre produtores avícolas e a BRF Brasil Foods, na região de Feira de Santana, é uma relação unilateral e ditatorial por parte da empresa. “Pelas informações que nós temos, tem sido uma relação de subjugar fortemente o integrado aos interesses da empresa, sem ouvir, sem atender e sem dialogar com os parceiros”, disse, salientando que ninguém quer a desativação da BRF, e sim a melhoria da sua relação com os integrados. “Ao ganhar dinheiro aqui, ela permita que o parceiro também ganhe e, com isso, gere emprego na região”.

Na oportunidade, o edil lamentou a ausência de um representante da BRF Brasil Foods no debate.  “Isso é um desrespeito para com a região de Feira de Santana, um desrespeito ao Governo do Estado, que bota dinheiro nesta empresa, ao Governo Federal e ao consumidor que compra os produtos da BRF”, criticou. Em seguida, ele disse que encaminhará um relatório sobre a discussão da audiência pública para a promotora que cuida das questões de Direito do Consumidor e Relações Humanas.

Presidente da Aiavebahia

Benedito Antônio Batista afirmou que os ganhos do produtor são insatisfatórios. “Produtor se vê obrigado a completar do próprio bolso despesas básicas como mão de obra e energia elétrica. O sistema de remuneração que ensaiou melhorias expostas e comprometidas a partir de 2008, com a chegada da Perdigão, em reuniões setorizadas com todos os produtores integrados  mudou novamente, para piorar, a partir de 2009”, disse, acrescentando que a empresa desativou aproximadamente 100 galpões, causando um grande impacto social.

No que diz respeito à diferença de peso de frango, o presidente da Aiavebahia, denunciou que o peso verificado na balança da BRF Brasil Foods normalmente é inferior e, em alguns casos, com diferença acentuada dos pesos feitos nas granjas.

O palestrante disse também que o desvio de ração é outro problema comprovado. “A falta de controle por parte da empresa causa o desvio sistemático e continuado pelos transportadores de enormes quantidades de ração, que deveriam ser entregues nas granjas”.

Benedito denunciou ainda cobranças de dívidas não comprovadas por parte da BRF; fornecimento de ração fora das especificações; pintos de má qualidade, sobretudo com alta mortalidade e mau cheiro por estado de decomposição; além da reativação do matrizeiro. “Foi dito claramente, que o problema da mortalidade com artrite muito grande tem origem no matrizeiro”, pontuou.

Conforme ele, Aiavebahia tem demonstrado à BRF Brasil Foods, em oportunidades diversas, que deseja colaborar de maneira proativa na melhoria dos processos para obtenção de resultados, pois entende que a atividade produtiva se dá em via de mão dupla, um jogo de “ganha X ganha” com satisfação para os lados envolvidos.

Presidente da Câmara de São Gonçalo dos Campos

“Sem parceria não há empresa Perdigão com tantos lucros. E sem o sacrifício desses empreendedores rurais não há tanto crescimento econômico em São Gonçalo. É de lá que sai a riqueza para a Perdigão. É de lá que sai a riqueza para o Rio Grande do Sul, bem como para o exterior, com a exportação dos produtos”, declarou o edil Gonçalo Raimundo Alves de Oliveira.

Ele reclamou que a referida empresa também tem destruído as estradas do município de São Gonçalo dos Campos. “A Perdigão não tem nem sequer a coragem de colocar uma caçamba de cascalho para facilitar o acesso de seus produtos aos pequenos e médios produtores. É uma vergonha”, afirmou, acrescentando que a BRF Brasil Foods não patrocina nada na região, apesar da grande quantidade de eventos sociais que, segundo o edil, ocorrem naquela cidade.

Indignado, o presidente da Câmara de São Gonçalo denunciou ainda que os funcionários da BRF Brasil Foods trabalham 12 horas por dia. “E o que faz a Delegacia do Trabalho? Ela é completamente omissa”, bradou.

Representante da Agritap

Apresentando dados da região de Uberlândia (MG), José Gaspar falou sobre a necessidade da integração para que se sobreviva uma indústria como a BRF Brasil Foods. Segundo ele, nenhuma indústria desse segmento sobrevive sem os empreendedores rurais. O palestrante argumentou que se os produtores rurais se juntarem para formar uma cooperativa, eles são capazes, tranquilamente, de construir um abatedouro e comercializar seus produtos.

Em seu entendimento, a força do produtor é muito maior do que a própria indústria. “Quando os empreendedores rurais se tornarem conscientes da força que têm quando unidos, a distribuição dos lucros estará mais equilibrada. A sustentabilidade estará também ao alcance dos empreendedores rurais. O associativismo é a melhor solução para o pequeno tornar-se grande”, observa.

José Gaspar citou várias conquistas na cidade mineira com a parceria entre a empresa e integrados, dentre elas: Planilha de Custos. “Isso possibilitou: quantidade de lotes por ano, intervalo entre lotes, permanência do lote nas instalações, densidade – aves por metro quadrado, base para renegociação de dívidas, quantidade de lotes na mesma cama”.

O representante da Agritap ressaltou que as anomalias são tratadas durante os lotes, como por exemplo, atraso na entrega de ração com falta de ração para as aves; atraso no embarque das aves com jejum, além do programado; diferença de pesos (pesagem autorizada pela integradora em balanças devidamente credenciadas pelo Imetro); demora na informação dos pesos (cláusula contratual que a informação dos pesos deve ser facilitada aos parceiros); prejuízos em função de intervalos mínimos entre lotes.

Irregularidades na granulometria das rações (manutenção do padrão da ração durante o lote – farelada ou granulada); qualidade das aves entregues, com alto percentual de eliminados; custos com pré aquecimento e atrasos no alojamento; custos com mão de obra terceirizada por atraso no alojamento de aves; atraso na assistência técnica e entrega de medicamentos com consequentes perdas no desempenho do lote. “Tudo isso são anomalias. Nós temos o ressarcimento, caso não sejam cumpridos os acordos entre a Associação e a integradora”, salientou.

Diretor do Sindiaves

Fernando Cesar Ribeiro, que além de diretor do Sindiaves, é diretor da Aviplac, apresentou dados de Brasília. De acordo com ele, no Distrito Federal, a soma do patrimônio dos integrados é bem maior do que o da integradora. “A empresa acaba ganhando pela falta de união nossa. Ela sempre tem o poder de tomar decisões individuais e, com isso, enfraquece a posição dos integrados como um todo”.

O representante disse que Brasília possui um incubatório com capacidade para 400 mil ovos diários; fábrica de ração, um centro de distribuição, um abatedouro com produção atual de 260 mil aves/dia e uma unidade de processamento de salsicha.

“Nós somos 126 integrados de frango de corte, possuímos 484 galpões aviários. Aproximadamente 150 galpões foram financiados pelo Banco do Brasil, através do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Na área de Matrizes, nós temos três integrados de recria com quatro núcleos e seis integrados de produção de ovos férteis com sete núcleos”, informou.

O palestrante também destacou que a empresa Sadia, que atualmente faz parte do grupo BRF, sempre usava de má fé nas negociações de contratos com os integrados. Partindo desse pressuposto, ele disse que foi movida uma ação judicial contra a empresa, onde os produtores ganharam a causa.

Ele citou avanços nas negociações com a Sadia, dentre eles: aumento do preço de frango de R$ 1,95 para R$1,99 (aves pesadas) e de R$ 2,04 para R$ 2,10 (griller). “Isso significa que nós, em Brasília, estamos ganhando praticamente o dobro que vocês aqui na Bahia”, observa.

Assim como os demais palestrantes, Fernando ressaltou que no sistema de integração a ideia era que todos lucrassem. “No entanto, hoje a integradora é que ganha. Eles crescem em média 10% ao ano, em matéria de renda. A grande maioria dos integrados tem que vender outros patrimônios para arcar com os compromissos. A única saída que eu vejo, é unir esforços para todos ganharem”, disse, enfatizando que não há ainda uma associação nacional dos produtores  em avicultura com força suficiente para correr atrás dos direitos  dos integrados.

O líder do Governo do Estado na Assembleia Legislativa

O deputado  José Neto se prontificou a assumir o papel de interlocutor junto ao Governo do Estado para  viabilizar soluções que acabem com o impasse entre a BRF Brasil Foods e os integrados, visando o crescimento do setor avícola. “Essa é a nossa tarefa, contem comigo. Estou mais do que nunca com vocês. Acho que  temos que entender o mercado também a partir do que nós podemos produzir associativamente. Tenham coragem! Tem  recursos do BNDES, do Desenbahia, do Banco do Nordeste e tem mercado para a gente meter a cara. Nós não somos mais tão pequenos”, declarou.

Também se pronunciaram sobre o assunto, os vereadores Roberto Tourinho e José Carneiro Rocha; o coordenador da ADAB, Aurino Soares de Melo Junior; Antônio Augusto Oliveira Ferraz, secretário da Aiavebahia; e produtores integrados presentes na galeria da Câmara.

Gonçalo Raimundo Alves, presidente da Câmara de São Gonçalo dos Campos.
Gonçalo Raimundo Alves, presidente da Câmara de São Gonçalo dos Campos.
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Redação do Jornal Grande Bahia
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