Produtores do Oeste da Bahia propõem funding para custeio agrícola do cerrado nordestino ao Ministro da Integração Nacional

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Atendendo convite dos produtores, Fernando Bezerra Coelho visitou o cerrado baiano e ouviu propostas para impulsionar o já consolidado agronegócio regional

Apenas dois dias após receber os representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) em seu gabinete em Brasília, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, desembarcou no Oeste da Bahia, atendendo ao convite dos produtores, para conhecer o potencial da região, um dos maiores pólos agrícolas do país. A visita ocorreu na última sexta-feira (16/09/2011).

Na ocasião, os agricultores reforçaram os argumentos feitos na capital federal, para a manutenção do percentual de 35% dos recursos do FNE, voltados para as grandes empresas e produtores, assim como para a criação de um programa de financiamento agrícola do cerrado nordestino, na forma de um funding específico, que seria liderado pelo Banco do Nordeste, com a equalização do custo financeiro.

Atualmente, para custeio dos 1,83 milhão de hectares da região Oeste, são necessários R$ 3,43 bilhões, para uma produção de 6,7 milhões de toneladas. E para os 2,65 milhões de hectares da região do MAPIBA são necessários R$ 4,7 bilhões, para uma produção de 9,4 milhões de toneladas. Os bancos participam com aproximadamente 30% destes recursos.

Em reunião com os produtores, o ministro Fernando Bezerra assistiu a uma explanação do vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt, sobre a produção no Oeste da Bahia, seus recordes mundiais de produtividade em soja, milho e algodão, além das potencialidades regionais, dentre elas, a inclusão da cana-de-açúcar em sua matriz produtiva. Pitt apresentou, ainda, a composição dos recursos para financiar o investimento e o custeio da safra do Oeste, Sul do Piauí e Maranhão.

Só no cerrado baiano, o Banco do Nordeste tem hoje um ativo superior a R$1 bilhão, sendo R$ 450 milhões aplicados em custeios e R$ 550 milhões em investimento, com índice de adimplência próximo a 100%. “Esse funding, específico para financiar o custeio agrícola, será responsável por uma nova revolução agrícola na região, colocando o cerrado nordestino na vanguarda da produção mundial”, diz Pitt.

Outorga móvel

Outra medida para incrementar a produção agrícola na região, apresentada ao ministro, foi a proposta desenvolvida pela Aiba de criação de um Programa de Maximização dos Recursos Hídricos X Energia Elétrica, cuja aplicação pode dobrar a área irrigada na região, de 150 mil para 300 mil hectares, com o aproveitamento de áreas com menor precipitação pluviométrica, por meio de irrigação complementar.

Trata-se de uma revisão dos parâmetros atuais adotados para emissão das outorgas, que utilizam como base o menor nível da água dos rios, da menor ocorrência dos últimos 10 anos. Excluído o período dos quatro meses mais secos, quando não será utilizada a irrigação, a disponibilidade de água nos demais meses será muito maior, podendo dobrar as outorgas sem comprometimento da bacia hidrográfica.

“O que acontece é que este parâmetro não se modifica nos meses chuvosos, fazendo com que o excedente de água simplesmente siga seu curso, sem chance de ser parcialmente utilizado na produção”, explica Pitt. Ele considera que, com a outorga móvel, seria possível incluir na matriz produtiva regional a produção de cana-de-açúcar, para a fabricação de etanol e a geração de energia.

“A Bahia é grande importadora de etanol, e tem condições de diminuir o seu déficit. A implantação da Ferrovia Oeste Leste (FIOL), prevista para o médio prazo, facilitará a logística do etanol”, disse. Na ocasião, também foi apresentada ao ministro uma proposta de ampliação do horário reservado para irrigação de oito horas e meia para 12 horas, faixa com custo reduzido.

O ministro visitou uma fazenda em Luís Eduardo Magalhães, o município que mais cresce no Brasil, e outra em São Desidério, maior produtor nacional de algodão, onde foi realizada a apresentação. Bezerra é nordestino e sua família atua na área agrícola no lado pernambucano do Vale do São Francisco há muitas gerações. Ele ficou entusiasmado com o que viu. “Ficamos impressionados com a qualidade do desenvolvimento regional, seus atores, e sua entidade de classe”, disse, referindo-se à atuação da Aiba.

Em Luís Eduardo Magalhães, o ministro foi recebido pelo prefeito Humberto Santa Cruz, que defendeu a implantação de um Parque da Cidade, em um trecho da nascente do Rio dos Cachorros, que atravessa a cidade, assim como pleiteou recursos para obras de drenagem no município.

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