Portabilidade de crédito ainda é uma modalidade de negócio bancário pouco conhecida dos clientes

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Portabilidade de crédito ainda é uma modalidade de negócio bancário pouco conhecido.

A portabilidade de crédito ainda é pouco procurada pelos clientes bancários. Segundo o Banco Central (BC), em junho, último mês com dados disponíveis, o volume transferido de uma instituição financeira para outra ficou em R$ 247,558 milhões, enquanto o saldo de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 1,833 trilhão. A quantidade de operações de portabilidade registrou 28.832, com valor médio de R$ 8.586,24.

Assim como é possível mudar de operadora de telefone celular, os consumidores podem também fazer a portabilidade de crédito, que é a transferência, por solicitação do cliente, da operação de financiamento de uma instituição financeira para outra, que ofereça condições melhores em relação a juros, volume ou prazo. Para fazer a portabilidade, a pessoa deve procurar a instituição financeira para onde quer transferir a dívida. Essa instituição quita o empréstimo no outro banco, depois de negociar as condições com o cliente.

O consultor do Departamento de Normas do BC Anselmo Pereira Araújo Netto, destaca que os dados sobre a quantidade de operações de portabilidade não refletem totalmente os efeitos das medidas de incentivo do governo, adotadas há cerca de cinco anos. Isso porque a possibilidade de transferir o crédito dá ao cliente poder de negociação. Segundo ele, quando o cliente vai ao banco e diz que quer transferir o crédito para outra instituição, é comum o gerente cobrir a oferta.

O diretor adjunto de Produtos e Financiamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian, entende que, apesar de não ser registrado volumes mais expressivos, a portabilidade deu ao consumidor maior poder de negociação e trouxe mais competitividade ao sistema financeiro. “Esses casos [de um banco cobrir a oferta do outro para evitar a portabilidade] são mais frequentes do que se pode imaginar no dia a dia das agências, mas isso não é registrado em lugar nenhum [em termos estatísticos]”, disse.

Mas apesar de a portabilidade estar disponível, a falta de informação faz com que os clientes deixem de buscar esse tipo de operação. “Os consumidores muitas vezes nem leem o contrato, não avaliam as condições e a educação financeira é limitada. Isso faz com que o direito não seja usado”, declarou Araújo Netto.

O especialista em finanças pessoais e professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques também considera que esse tipo de operação é pouco conhecida pelos clientes. “As diferenças de condições e taxas de juros são muito grandes entre os bancos. Falta informação e cultura [hábito] dos consumidores de pesquisarem”.

Brasil ganha cinco posições em ranking global de competitividade

O Brasil avançou cinco posições no ranking anual de competitividade do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), mas ainda é apenas a 53ª economia mais competitiva do mundo entre 142 países analisados.

A organização destaca o grande mercado consumidor interno e o ambiente sofisticado para negócios como os pontos fortes do país, mas observa que o pouco incentivo à competição, a rigidez das leis trabalhistas e o sistema educacional são áreas de preocupação e prejudicam a posição do país no ranking.

No ano passado, a economia brasileira havia perdido duas posições, apesar de uma melhoria da avaliação do país nos critérios adotados pelo WEF para formular o ranking, após ter galgado 16 posições entre 2007 e 2009.

Outros países latino-americanos também registraram uma grande melhora este ano: o México subiu oito posições (para 58º), o Peru ganhou seis (para 67º), a Bolívia subiu cinco (para 103º) e o Equador subiu quatro (para 101º). Panamá, Argentina, Barbados e Uruguai também ganharam posições no ranking.

O Chile – que teve uma leve melhora de avaliação, mas perdeu uma posição no ranking deste ano –permanece como o país latino-americano mais bem colocado na lista o WEF, na 31ª posição. A Argentina, que subiu duas posições, está em 85º.

Para o WEF, o desempenho geral dos países latino-americanos “está ligado a uma melhora em alguns fundamentos de competitividade, como políticas fiscais e monetárias mais sólidas e o crescimento da demanda interna, além das condições externas mais favoráveis, incluindo uma demanda robusta por commodities da China e a recuperação progressiva de economias importadoras, particularmente os Estados Unidos”.

A Suíça manteve a liderança no ranking, seguida por Cingapura, que ganhou uma posição, e Suécia, que caiu uma. Os Estados Unidos caíram uma posição entre 2010 e 2011 e agora estão em quinto no ranking.

A avaliação do WEF para a formulação do ranking considera 12 itens tidos como “pilares da competitividade”, divididos em três categorias – requisitos básicos, promotores de eficiência e fatores de inovação e sofisticação.

A primeira categoria inclui instituições, infraestrutura, ambiente macroeconômico, e saúde e educação primária. Na segunda categoria, promotores da eficiência, o WEF considera educação secundária e treinamento, eficiência do mercado de bens, eficiência do mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, preparo tecnológico e tamanho do mercado. Na terceira, fatores de inovação e sofisticação, são analisados sofisticação empresarial e inovação.

O WEF também divide os países em cinco grupos diferentes, dos menos desenvolvidos aos mais desenvolvidos, e atribui pesos diferentes a cada uma das três categorias básicas para cada grupo de países, considerando que nos países mais pobres os requisitos básicos são mais importantes do que outros fatores, enquanto nos mais desenvolvidos inovação e sofisticação têm um peso relativamente maior.

Entre as três categorias básicas, o Brasil se sai melhor em fatores de inovação e sofisticação, no qual fica em 35º no ranking específico, e entre os promotores de eficiência (41º), mas aparece somente como o 83º na categoria requisitos básicos.

O país é listado pelo WEF no grupo de países com estágio intermediário de desenvolvimento, impulsionados pela eficiência, para os quais a organização considera um peso relativamente maior aos promotores de eficiência e aos requisitos básicos na elaboração do ranking geral.

Entre os itens mais bem avaliados da economia brasileira estão o tamanho do mercado consumidor (oitavo no ranking específico), segurança dos bancos (16º) e disponibilidade de serviços financeiros (25º).

No lado oposto, entre os itens mais mal avaliados no Brasil estão o peso das regulamentações governamentais (142º), extensão e efetividade dos impostos (142º), taxas de juros (137º) e qualidade de infraestrutura portuária (130º).

O WEF aponta que infraestrutura geral, item no qual o Brasil fica na 104ª posição, ainda é um dos pontos fracos do Brasil, apesar dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Imposto de Importação de sete produtos fica maior para garantir competitividade nacional

Sete produtos foram incluídos hoje (6) na lista de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC), pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Entre os produtos incluídos, estão aparelhos de ar-condicionado do modelo split, com capacidade inferior a 7.500 btus, bicicletas comuns e pneus de bicicleta.

A inclusão na lista de exceção pode ser feita para reduzir ou aumentar o Imposto de Importação do produto que vem de fora. Desta vez, os impostos de todos os produtos incluídos na lista foram elevados, conforme destacou o secretário executivo da Camex, Emílio Garófalo. “Com a valorização cambial e a crise econômica, houve aumento de importações. Isso traz a necessidade de fazer essa elevação temporária das alíquotas. Isso não é garantia que as alíquotas ficarão a esse nível”, disse. A revisão da lista de exceção ocorre a cada seis meses.

Para a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a medida mostra a preocupação do governo em assegurar a competitividade internacional. “A TEC brasileira é geralmente utilizada para reduzir o Imposto de Importação. Hoje, foi utilizada para aumentar. Isso é reflexo da preocupação do governo com importações crescentes e setores específicos da indústria afetados por essa importação”, acrescentou.

O Imposto de Importação das bicicletas passou de 20% para 35%. As bicicletas de competição ficam isentas da nova alíquota. No caso dos aparelhos de ar-condicionado, a alíquota também foi fixada em 35%, antes era 18%. Também passa a ser taxada em 35% a importação de pneus de borracha de bicicletas, porcelanatos, partes referentes a unidades condensadoras ou evaporadoras para fabricação de aparelhos de ar-condicionado, barcos a motor e rodas e eixos ferroviários.

Micro e pequenas empresas receberam 40% dos R$ 69,4 bi liberados pelo BNDES de janeiro a julho

O segmento das micro, pequenas e médias empresas concentrou 40% dos R$ 69,4 bilhões liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no acumulado janeiro a julho deste ano. Isso representou R$ 27,6 bilhões, distribuídos em 437 mil operações, que corresponderam a 94% do total de transações feitas pelo BNDES.

“Foi uma estratégia acertada do banco, não só em relação ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI) [do governo federal], mas também muito em relação ao Cartão BNDES (usado para compras pelo portal eletrônico do banco), que é um programa direcionado às empresas de menor porte”, disse hoje (6) o chefe do Departamento de Orçamento da Área de Planejamento do BNDES, Gabriel Visconti.

Segundo ele, isso tem um reflexo imediato nos resultados do banco. “Desde o início do ano, as micro, pequenas e médias empresas apresentam uma participação crescente nos desembolsos globais do BNDES e essa participação vem se mantendo”.

De acordo com o BNDES, as liberações para as micro, pequenas e médias empresas somaram R$ 23,2 bilhões no primeiro semestre de 2011, representando 42% do total. Em 2010, a participação foi 32% e, em 2009, 22%.

O boletim de desempenho divulgado pelo BNDES mostra ainda que, embora a Região Sudeste tenha concentrado a maior parte dos desembolsos do banco no período (49%), com R$ 33,8 bilhões, as regiões Norte e Nordeste já participam com 20% do total.

Do volume liberado pelo banco nos sete primeiros meses de 2011, cerca de R$ 15,7 bilhões se destinaram à Região Sul, R$ 8,61 bilhões, ao Nordeste, R$ 5,24 bilhões, ao Norte e R$ 5,84 bilhões, ao Centro-Oeste.

Ainda de acordo com o boletim, em termos de desembolso social, os recursos somaram R$ 3,18 bilhões, sendo R$ 944 milhões destinados à área de saneamento ambiental e R$ 839 milhões para projetos de desenvolvimento urbano. Visconti enfatizou que os recursos se destinaram principalmente a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A área de desenvolvivmento rural recebeu R$ 701 milhões e a de saúde, R$ 224 milhões.

Brasileiros estão otimistas sobre capacidade para pagar suas dívidas, aponta pesquisa do Ipea

Os brasileiros estão otimistas quanto a sua capacidade de pagar dívidas. Segundo o Índice de Expectativas das Famílias (IEF), divulgado mensalmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 47,6% das famílias analisadas admitiram ter dívidas, mas mais da metade delas (60,7%) disseram que terão condições de pagá-las, seja parcialmente (46,6% do total) seja completamente(14,1%). Do total de famílias entrevistadas (3.810 domicílios), 52,2% disseram não ter dívidas e 9,7% consideram-se muito endividadas.

Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, esse otimismo indica que o brasileiro aprendeu a lidar com os juros. “Houve um aprendizado do conjunto das famílias com relação à trajetória recente de elevação das taxas de juros. O fato de termos um crédito sendo difundido em maior dimensão no Brasil, vem permitindo que as famílias passem por um processo de aprendizagem em usar o crédito e o utilizam mais à medida que a taxa de juros é menor e o utilizam menos à medida que a taxa de juros é maior”, disse.

Apesar desse aprendizado em lidar com a dívida, destacado por Pochmann, quatro em cada dez famílias analisadas pela pesquisa disseram que não terão condições de honrar seus compromissos. Na avaliação do presidente do Ipea, esse número não representa um risco para a economia do país.

“Isso não é uma bolha, como ocorreu em outros países, porque o Brasil vem expandindo os empregos, a taxa de desemprego vem caindo e os salários vêm conseguindo subir acima da inflação: então, as condições gerais do país são satisfatórias a tal ponto de evitar que tenhamos uma bolha. No entanto, em alguns segmentos ou setores de atividades econômicas poderá ter algum tipo de problema relativo às dificuldades das famílias pagarem suas dívidas”, declarou.

O índice que foi divulgado hoje (6) pelo Ipea também apontou que a população brasileira continua otimista com o comportamento socieconômico do país. Em agosto, o índice apurado foi 65,2 pontos, valor superior ao que foi registrado em julho (63,5 pontos). Os mais otimistas com relação à situação econômica brasileira são os que têm mais renda e mais instrução, principalmente os que recebem entre quatro e cinco salários mínimos e têm ensino superior incompleto.

“O que temos percebido ao longo das pesquisas é que à medida que se eleva o grau de escolaridade, maior é a possibilidade de ascensão ocupacional, e isso termina impactando na percepção das famílias sobre sua situação financeira e até mesmo sobre o país. Infelizmente, as pessoas com menor escolaridade terminam não observando, no horizonte, a possibilidade de ascensão, tendo em vista a situação de dificuldade em que se encontram”, disse. Ainda com base na pesquisa, Pochmann declarou que a crise internacional ainda não contaminou o Brasil e não fez efeitos sobre a percepção da população a respeito da economia brasileira.

*Com informações da Agência Brasil.

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