Vereador Justiniano França promove debate com profissionais de imprensa na Câmara Municipal de Feira de Santana

Vereador Justiniano França (DEM), presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana.
Vereador Justiniano França (DEM), presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana.

A Câmara de Feira de Santana realizou, nesta quinta-feira (15/09/2011), sessão especial em que profissionais de imprensa foram os palestrantes. Radialistas e jornalistas falaram sobre problemas que travam o desenvolvimento do município. A sessão foi convocada por requerimento do vereador Justiniano França (DEM). O presidente da Casa, Antônio Francisco Neto – Ribeiro (DEM), comandou os trabalhos. Diversas autoridades estiveram presentes.

O jornalista Marcílio Costa, gerente de jornalismo da TV Subaé, apresentou, durante a sessão especial que debateu questões relacionadas ao desenvolvimento de Feira de Santana, números sobre as BRs federais sob responsabilidade da Viabahia. Marcílio concentrou-se nas estatísticas dos acidentes registrados nas rodovias, com base em dados obtidos junto à Polícia Rodoviária Federal.

Segundo os números, no período de janeiro a agosto deste ano, foram registrados quase dois mil acidentes na região. Foram 1.978, precisamente, com 915 feridos e 72 mortes. A Viabahia também tem estatística de acidentes por trechos, mas atualizado até julho. Entre Feira e Santo Estevão, Rodovia de ligação entre o Sul e Nordeste, 138 acidentes. 71 feridos e 5 mortes. Até julho.

Na BR 324, entre Feira e Salvador, de janeiro até 25 de agosto, foram 1.485 acidentes, com 681 feridos e 49 mortes. O trecho entre Feira e Amélia Rodrigues responde por 436 acidentes desse total, com 160 feridos e 14 mortos. O anel rodoviário de Feira de Santana registrou, em 2010, um total de 510 acidentes, com 318 feridos e 27 mortos. Este ano, até o começo de julho, foram 355 acidentes, com 169 feridos e 18 mortos.

O radialista Juarez Fernandes, da Rádio Povo AM, abordou problemas relacionados à Viabahia, responsável pela gestão das rodovias federais BR 324 e 116 Sul. Ele lamentou a ausência de representantes do consórcio, que já implantou o pedágio nessas estradas. Observou que este é o terceiro convite feito pela Câmara à Viabahia para debater problemas de interesse da sociedade e a empresa não envia nenhum preposto. “Talvez não houvesse mesmo nada a apresentar, diante dos muitos problemas das BRs 116 Sul e 324. Faz pouco caso e debocha da discussão de temas importantes relacionados às rodovias”.

Segundo ele, os baianos não têm informações sobre o contrato firmado entre a União e a Viabahia. “É um contrato ao qual não temos acesso”. Para Fernandes, só resta um caminho: ingressar com ação no Ministério Público Estadual e Federal pedindo a suspensão da cobrança de pedágio enquanto não sejam efetuados investimentos na melhoria concreta dessas estradas. “É a sugestão que deixo para o deputado Targino Machado e os vereadores presentes”.

Paradeiro do aeroporto é criticado pelo radialista Genésio

O radialista Genésio Serafim, que foi vereador por quatro legislaturas, representou o presidente do sindicato da categoria, Valter Vieira. Em seu discurso, questionou a falta de investimentos para o Aeroporto João Durval Carneiro. “Atribuo essa situação aos governos passados, dos quais fiz parte, e ao atual”, disse ele. Comparou Feira de Santana com Campina Grande, na Paraíba. “Somos a 31ª cidade do país em população, com quase 600 mil pessoas, e entre cidades do interior, 13ª. A cidade do interior do Nordeste que mais se aproxima de Feira é Campina Grande, que talvez não tenha 400 mil habitantes”, salientou.

Segundo Serafim, a cidade paraibana conta com aeroporto operando plenamente há 30 anos, com três vôos semanais para São Paulo. “A desculpa é que Feira é próxima de Salvador. Campina Grande é distante 100 km de João Pessoa. Como podemos falar em desenvolvimento em Feira, se além de não termos um aeroporto, apenas um campo de vôo”.

Para Serafim, o prefeito, como autoridade maior do município, tem que estar à frente desse movimento pela consolidação do aeroporto de Feira de Santana. “Deputados estaduais e federais e a própria Câmara devem atuar”. O ex-vereador lembrou que o vice-governador Otto Alencar prometeu um aeroporto de grande porte para Feira, recentemente.

“Juazeiro do Norte, Imperatriz, Altamira, Vitória da Conquista, Caruaru, todas essas cidades do Nordeste, menores que Feira, tem um aeroporto funcionando. Feira, com 100 municípios em sua macro-região, dois milhões de habitantes, não conta com um equipamento. Temos que nos rebelar. A cidade está estacionada”, conclamou.

Recursos naturais são principais atrativos de Feira para turistas durante o Mundial

O tema abordado pelo radialista Dilson Barbosa foi a Copa do Mundo, que terá Salvador como uma das sedes. Segundo o experiente profissional da Rádio Sociedade – a emissora já fez a cobertura de oito copas – a distância de apenas 110 km para a capital favorece Feira de Santana na possibilidade de atrair turistas estrangeiros.

Na opinião dele, Feira de Santana tem como principal arma para atrair visitantes seus recursos naturais, a exemplo do rio Jacuípe, e entretenimento e culinária regionais. “Se poderia fazer uma Expofeira no período da Copa”, sugere. “A cultura gastronômica é interessante. Na Alemanha foi bastante explorado. A Copa acontece no mês de junho, período muito apropriado pelos festejos de São João”, assinala o radialista.

Para Barbosa, Feira de Santana não deve cobiçar competir com Salvador. “Os turistas estrangeiros querem simplicidade. Não precisamos nos preocupar tanto com a modernidade. Tecnologia eles já têm em seus países”, recomenda. Preocupa ao radialista a questão dos transportes. “Tem que preparar a cidade para um sistema eficiente, especialmente de táxis. Locação de veículos também funciona”.

Ele acredita que muitos turistas que estarão em Salvador podem vir a Feira de Santana no sistema “bate-volta” – uma viagem curta, de apenas um dia. “Devemos tentar atrair pessoas que estejam na capital e possam passar um dia diferente aqui. Fazer uma incursão pelo rio Jacuípe, se alimentar da nossa comida típica, visitar uma arena de entretenimento que seria montada no Parque de Exposições e retornar a Salvador. Podemos reter um grupo de pessoas por 24 horas, aqui, para um contato com a nossa natureza”.

Conjuntos do Minha Casa, Minha Vida apresentam sérios problemas em Feira

Foi proposto ao radialista Jorge Bianchi, mais um profissional de imprensa convidado para a sessão especial, discorrer sobre problemas referentes ao programa Minha Casa, Minha Vida, que já inaugurou alguns conjuntos residenciais e tem vários projetos em execução em Feira de Santana. O apresentador da Rádio Sociedade disse que visitou alguns condomínios, para que pudesse fundamentar sua participação nos debates.

Esteve por exemplo no conjunto Conceição Ville, com mais de 400 moradores. O local enfrenta problemas como falta de segurança desde a portaria, que não foi concluída, ao alambrado, que deveria proteger o condomínio e, igualmente, não foi instalado completamente. Relatou que usuários de drogas tiram a tranqüilidade e a paz dos moradores. Infiltrações prejudicam as moradias. Apartamentos apresentam rachaduras nas paredes e na área de lazer, o parque infantil já está quebrado. Caminhão do lixo não tem acesso ao local.

No condomínio Nova Conceição, o mesmo que recebeu a visita da presidente Dilma Roussef, ainda candidata, problemas semelhantes, inclusive com a presença de usuários de drogas. As janelas de vidro são frágeis. A conta de energia das residências, em média R$ 80,00, é maior que o valor da prestação, de R$ 60,00. A conta de água está em torno de R$ 40,00.

Moradores disseram ao radialista que a Coelba já informou que a cobrança está correta. “Mas há algo errado”, defende. A empresa R. Carvalho foi comunicada, mas não adotou providências. Há reclamações contra a Caixa Econômica, que não apresentou soluções para os problemas. Sem administração, moradores estão se desentendendo. “Vamos seqüenciar esse trabalho e realizar uma série de reportagens sobre os problemas que esses moradores estão enfrentando”, prometeu o radialista.

Para Bianchi, o Minha Casa, Minha Vida é um programa social de grande alcance, mas do jeito que está sendo executado, vai levar os moradores desses locais ao verdadeiro caos. “Feira é referência na execução do projeto, mas há problemas muito sérios”, disse. Em seu contato com moradores, afirmou que encontrou pessoas decepcionadas.

“O sonho da casa própria se transforma em um pesadelo. Como esses moradores vão resolver essas deficiências, se muitos não têm nem mesmo dinheiro para pagar a prestação? Não sei de quem é a responsabilidade, se da construtora ou da Caixa, mas as entidades envolvidas devem discutir soluções para todas essas demandas”, declarou. O radialista disse ter constatado que moradores já falam em abandonar essas unidades.

Sobre o assunto, o superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Raimundo Cordeiro Júnior, presente no plenário, fez esclarecimentos. Ele lembrou que o programa do Governo Federal envolve uma parceria entre a Caixa, Prefeitura e Governo do Estado. Os imóveis dos conjuntos visitados pelo radialista pertencem a uma faixa de renda de zero a três salários mínimos com custo de R$ 41 mil por unidade.

Os contratos são em regime de loteamento e não de condomínio. “Não há característica de condomínio fechado justamente para evitar que o custo de cada morador seja elevado em despesas como limpeza, energia elétrica interna, segurança, etc.”. Quanto a possíveis reformas nas unidades, ele ressaltou que, pela natureza do empreendimento, qualquer interferência precisa ser conversada com a Caixa, para colocar sob ameaça a construção.

No que tange a problemas sociais, como a presença de usuários de drogas nas comunidades, ele argumentou que é necessário um processo educacional para evitar conseqüências dessa ordem. “Uso de drogas é problema de segurança pública”.

Deputado cobra do Estado conclusão do Centro de Convenções e reforma do Amélio Amorim

O deputado estadual Targino Machado (PSC) também discursou, na sessão especial convocada para debater problemas que travam o desenvolvimento de Feira de Santana. Ele criticou o fato de Feira de Santana não ter aeroporto em funcionamento e fez críticas ao Governo do Estado em relação à falta de investimentos no inacabado Centro de Convenções e Centro de Cultura Amélio Amorim.

“O Centro de Cultura Amélio Amorim, símbolo desta cidade, é uma tristeza. O Centro de Convenções, se diz, foi erro de projeto. Mas seis anos não foram suficientes para corrigir esse erro? Dinheiro investido pelo Estado apodrecendo através das ferragens expostas”, lamentou.

No atendimento médico de urgência, disse que a cidade precisa de um novo hospital geral imediatamente. “O Hospital Geral Clériston Andrade está sucateado, superlotado, cheio de gargalos”. E observou que crianças e idosos, em tratamento de câncer, em Feira de Santana e região, estão sendo encaminhados a Itabuna, para serem submetidos à químio e radioterapia.

Atacou a Viabahia, que para ele é “uma imoralidade”. Disse que a BR 324 precisa de uma terceira pista urgente. “Não está pior que antes, mas o asfalto que estão colocando é sonrisal. Não agüenta chuva”.

Também criticou o Governo do Estado diante da alegada falta de área para implantação de novas unidades no Centro Industrial do Subaé. “No núcleo São Gonçalo do CIS, enquanto isso, temos uma área de 120 tarefas, com finalidade de abrigar indústrias, utilizada atualmente por pecuaristas, que cercaram de cancelas e puseram cadeados como se fossem propriedades suas”.

O anel de contorno hoje, segundo ele, não tem objetivo. “É uma avenida dentro da cidade. Anel rodoviário é para colocar fora da cidade o tráfego pesado”. Para Targino, a solução é a construção de um novo anel. “Duplicar esse que está aí seria dobrar os problemas da cidade, em mortes inclusive”.

Vereadores fizeram observações sobre temas do debate

Sobre o contrato da Viabahia com a União referente à privatização das rodovias – o radialista Juarez Fernandes lamentou o fato de que o contrato é desconhecido da sociedade -, o vereador Angelo Almeida (PT) disse que o documento vai ser obtido. “A promotora Vanessa Previtera se comprometeu de conseguir a disponibilização desse material. Vou a Salvador buscar os documentos”.

Ele tem conhecimento de que o contrato prevê a construção de uma terceira pista na BR 324 somente a partir da constatação estatística de um movimento de 70 mil veículos por dia. “Precisamos debater esse contrato”. Quanto ao Aeroporto João Durval, ele declarou que o objetivo é transferir os recursos do PAC 2, previstos para a construção de uma segunda pista no aeroporto de Salvador, para investimento no equipamento de Feira de Santana.

Abordando a questão dos conjuntos do programa Minha Casa, Minha Vida, cuja qualidade de algumas obras é ruim, o vereador Roberto Tourinho disse que a Caixa Econômica não pode ser condescendente com empresas que não apliquem recursos públicos corretamente. “O que foi feito no condomínio Santa Bárbara foi um crime”, afirmou referindo-se a uma dessas unidades.

O vereador Justiniano questionou sobre a cobrança de pedágio nas BRs 324 e 116 Sul pela Viabahia, quando as duas rodovias ainda não receberam os investimentos esperados: “quais as obras realizadas para justificar a cobrança do pedágio?” perguntou. “Os acidentes continuam crescentes. O que melhorou então?”.

Ele também acha estranho que motocicleta pague pedágio, mas não entre na conta do total de veículos que utilizam as rodovias, para efeito de atingir o movimento que justifique a construção da terceira pista na BR 324. Sobre o Minha Casa, Minha Vida, Justiniano alertou ao secretário de Habitação do Município: “teremos problemas de escola, saúde e transportes nessas regiões. Em alguns conjuntos, a qualidade das residências é muito ruim, ao contrário de outros empreendimentos como o Santo Antônio. Queremos saber das organizações envolvidas em todos esses temas quais são os encaminhamentos para todas essas demandas”.

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