Na ONU, Presidente Dilma Rousseff alerta sobre crise e defende Estado palestino

Presidente Dilma Rousseff foi a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 1947.
Presidente Dilma Rousseff foi a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 1947.
Presidente Dilma Rousseff foi a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 1947.
Presidente Dilma Rousseff foi a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 1947.

No primeiro discurso de uma mulher na abertura da Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff cobrou nesta quarta-feira (21/09/2011) união dos países no combate à crise econômica internacional e “lamentou” ainda não poder saudar a presença de um Estado palestino nas Nações Unidas.

A presidente brasileira declarou que o mundo vive um “momento delicado e uma oportunidade histórica”, que pode derivar em “graves rupturas políticas e sociais sem precedentes” por conta da crise econômica.

“Ou nos unimos (para combatê-la) ou sairemos todos derrotados. A crise é série demais para ser administrada por poucos”, disse Dilma, pedindo ajustes fiscais nas nações afetadas por crises da dívida, combate ao protecionismo, e, em aparente referência à China, estímulo aos mercados internos de países superavitários e fim da guerra cambial – ou seja, de reduções artificiais do câmbio para beneficiar exportações.

Diante de um plenário lotado, Dilma iniciou o discurso – sua estreia em grandes fóruns internacionais – com aparente nervosismo, movendo-se de um lado ao outro.

Ao dizer que dividia com todas as mulheres a emoção de abrir o debate geral da assembleia, a presidente se emocionou e ficou com a voz embargada.

Ela foi aplaudida pela plateia em cinco ocasiões: quando se referiu ao fato de ser a primeira mulher a discursar na abertura do evento; ao dizer que, na língua portuguesa, as palavras “vida, alma e esperança” pertencem ao gênero feminino; ao elogiar a criação da ONU Mulher, órgão que defende a igualdade de gêneros; ao defender a criação de um Estado palestino; e ao pregar a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Reformas

A presidente afirmou que “a reforma das instituições financeiras multilaterais deve prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes” em órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

A presidente também pleiteou mudanças no Conselho de Segurança (CS) da ONU, do qual o Brasil historicamente aspira se tornar membro permanente, com direito a veto. Para a presidente, o CS na forma como está perde “legitimidade”.

Ao dar as boas-vindas na ONU ao Sudão do Sul, nação oficialmente criada neste ano, Dilma disse que lamentava “ainda não poder saudar o ingresso da Palestina” no organismo multilateral.

“Acreditamos que chegou o momento de ter a Palestina (como Estado independente) e reconhecer seu direito legítimo à soberania”, declarou. “Só a Palestina livre poderá atender aos anseios de Israel por segurança.”

As declarações de Dilma ocorrem às vésperas da possível formalização do pedido da Autoridade Palestina pelo reconhecimento da ONU ao Estado palestino.

O pedido, a ser feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante a Assembleia Geral, enfrenta forte resistência dos Estados Unidos, que prometem vetá-lo no Conselho de Segurança, alegando que a independência só pode surgir de negociações bilaterais entre palestinos e israelenses.

Em discurso logo após o de Dilma, o presidente americano, Barack Obama, disse que “não há atalho para encerrar um conflito que dura décadas”.

“A paz não virá por meio de resoluções na ONU. Se fosse fácil assim, já teria ocorrido”, afirmou ele. Bastante aplaudido quando subiu ao palco, Obama não provocou o mesmo entusiasmo durante sua fala nem ao encerrá-la, arrancando aplausos discretos.

Primavera Árabe

Dilma também saudou em seu discurso os protestos da Primavera Árabe, dizendo que o Brasil “se solidariza com a busca pela liberdade”.

Mas a presidente criticou interferências “com o uso da força” em países atravessando revoltas populares e repressão governamental – em nova mostra da oposição do governo brasileiro à ação militar da Otan (aliança militar ocidental) na Líbia, feita com base em uma resolução aprovada na ONU.

Na opinião de Dilma, “é preciso que as nações encontrem uma forma legítima de ajudar (os países em convulsão)”.

“Estamos convencidos de que o uso da força é a última alternativa. A busca pela paz não pode se limitar a intervenções em situações extremas”.

Por fim, Dilma também disse que tem “orgulho de viver um momento histórico” de ser a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU – pronunciamento este que desde 1947 fica a cargo do presidente brasileiro.

“Sinto-me representando todas as mulheres”, declarou a presidente, dizendo que a voz feminina é “a voz da democracia e da igualdade”.

O Brasil é responsável pelo discurso inaugural da Assembleia Geral desde sua primeira Sessão Especial, em 1947. À época, coube ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha o primeiro discurso da sessão, tradição que se manteve desde então.

A Presidente Dilma Rousseff disse, nesta quarta-feira (21/09), que vai levar da ONU a“lembrança da força das mulheres”

Durante o discurso histórico, a apresidente Dilma afirmou que: foi um ‘momento importante’ para ela; pela primeira vez, os debates anuais da Assembleia Geral das Nações Unidas foram abertos por uma mulher.

A presidente Dilma Rousseff disse que sentiu a “força das mulheres” na sede da ONU, nesta quarta-feira, ao se tornar a primeira mulher a inaugurar os debates anuais da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nesta entrevista à Rádio ONU, ela falou sobre a lembrança que levará para o Brasil deste momento histórico.

Investimentos do Brasil

“A lembrança que eu vou levar (para o Brasil) é de que foi um momento especial para mim, para o Brasil e para as mulheres. Eu vou levar esta lembrança: da presença calorosa, eu acho, das mulheres deste plenário. Foi uma coisa importante que interagiu comigo,” afirmou.

A presidente brasileira chegou à sede da ONU na segunda-feira, onde fez um discurso sobre os investimentos do Brasil no combate a doenças crônicas não-transmissíveis.

David Cameron

Ela também participou de um colóquio sobre o papel da mulher na política ao lado da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e da secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton.

Antes de retornar ao Brasil na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff manterá um encontro bilateral com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron.

Durante sua estada em Nova York, a presidente brasileira recebeu um prêmio do Instituto Woodrow Wilson, concedido a personalidades que se destacam no serviço público.

Dilma destaca autonomia feminina, economia mundial e Estado palestino

A presidente Dilma Rousseff fez história, nesta quarta-feira, ao se tornar a primeira mulher a abrir os debates anuais da Assembleia Geral da ONU.

“Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia”, afirmou.

Crise Financeira

Dilma dedicou grande parte do discurso pedindo a união da comunidade internacional para solucionar a crise financeira mundial.

“Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência é não é ilimitada. Queremos e podemos ajudar, em quanto é tempo, os países onde a crise já é aguda. Um novo tipo de cooperação entre países emergentes e desenvolvidos é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais”, disse.

Realidade Contemporânea

A chefe de Estado e governo afirmou que a ONU não pode esperar mais para reformar o Conselho de Segurança.

“O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18° ano. Não é possível protelar mais. O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha refletir a realidade contemporânea. O Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho”, afirmou.

Autoridade Nacional Palestina

A 66ª sessão da Assembleia Geral deve contar com o pedido da Autoridade Nacional Palestina de ser aceita como Estado-membro da ONU. Uma causa, que segundo Dilma, tem que ser apoiada pela comunidade internacional.

“Assim como a maioria dos países nesta Assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a título pleno. O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio”, defendeu.

A presidente Dilma Rousseff deve participar ainda neste primeiro dia de Assembleia Geral de encontros bilaterais, retornando ao Brasil nesta quinta-feira.

Presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff (PT-RS) e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.
Presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff (PT-RS) e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.
Dilma Rousseff (PT-RS), presidente da República, discursa durante abertura 2011 da Assembleia Geral da ONU, nos EUA.
Dilma Rousseff (PT-RS), presidente da República, discursa durante abertura 2011 da Assembleia Geral da ONU, nos EUA.
Redação do Jornal Grande Bahia
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