Governador Jaques Wagner concede entrevista à revista IstoÉ, diz que é candidato à deputado federal e não descarta candidatura de Lula para 2014

Jaques Wagner (PT), governador Bahia.
Jaques Wagner (PT), governador Bahia.
Jaques Wagner (PT), governador Bahia.
Jaques Wagner (PT), governador Bahia.

Os jornalistas Octávio Costa e Adriana Nicacio conduziram uma entrevista reveladora que mostra o quanto à vaidade do governador Jaques Wagner anda e como ele planeja o próprio futuro político. Publicada no dia 9 de setembro (2011), a entrevista foi concedida por Wagner a revista IstóÉ.

A reedição da entrevista foi duvidada em duas partes. Na primeira analisa as principais respostas de Wagner. Na segunda parte disponibiliza as respostas do governador da Bahia.

Eleições de 2014

Wagner afirma que será candidato a deputado federal em 2014, abrindo espaço para articulações em torno dos cargos de governador, vice e senador. Sua afirmação trás duas implicações, a primeira é que terá que se licenciar do cargo seis meses antes do início do pleito e dez meses para o fim do mandato. Quem assume é Otto Alencar, atual vice-governador.

No comando do portentoso PSD, mas sem tempo de televisão, a situação de Otto para enfrentar determinados petistas que desejam ser governador sairia fragilizada. Mas, se Jaques Wagner desejar que ele seja o sucessor, o que estaria por trás? Wagner se manteria como a maior liderança do partido em âmbito estadual, sendo a única liderança eleita para governador.

Dilma e Lula

Sobre o processo eleitoral de 2014, Wagner diz que Dilma Rousseff não será candidata à reeleição se assim desejar. Ao mesmo tempo em que fala do diálogo entre ela e o ex-presidente Lula. Analisando a questão ele diz o seguinte: caso Dilma não esteja bem avaliada junto ao eleitorado e caso não possa conformar uma considerável aliança de partidos em torno da candidatura, Lula volta como candidato do PT.

Universidades

Difícil acreditar é quando o governador tenta se apropriar politicamente da vinda de duas universidades federais para a Bahia. Primeiro porque faz parte da política de interiorização do Ministério da Educação, comandado por Fernando Hadad, segundo porque foi o senador Walter Pinheiro, então deputado federal pelo PT que buscou direcionar recursos federais através de lei orçamentária para a criação das universidades.

Ponte

Quando candidato a reeleição, Wagner prometeu a construção de uma ponte ligando Salvador a ilha de Itaparica. Como diversas ouras promesas, esta também não siau do papel. Enquando isto, o governador de Sergipe, Marcelo Dedá (PT), inaugurou três pontes. Talvez seja por isto que Geddel o fustigue ao chama-lo de Wagareza.

Confira a entrevista

Jaques Wagner – “Lula foi mais tolerante que Dilma”

O governador da Bahia diz que a faxina ética continua, a presidente está gostando de governar e considera que a base aliada se acalma com a liberação de recursos.

Faxina ética

Jaques Wagner – Nós sempre teremos problemas, enquanto houver ser humano e paixão patrimonial. Por isso, a agenda da transparência, do combate à corrupção e da busca do melhor uso do dinheiro pú­blico é permanente. Nunca vai acabar. Só acho um equívoco virar a agenda central. O País está bem do ponto de vista da capacidade de atração de investimentos e da autoestima, tendo desafios enormes, particularmente de infraestrutura humana e clássica.

Claro que não. Não há mais lugar para o papo de “rouba, mas faz”. Não tem que roubar nem deixar roubar. Tem que fazer. O governo só não deve gastar mais energia com isso do que com a busca do desenvolvimento.

Escândalos

Jaques Wagner – É claro que o presidente Lula, por ser um homem totalmente da política, acabou sendo mais tolerante que Dilma com o gênero humano e seus erros. Ele sabe que para governar é preciso, muitas vezes, conviver com pessoas que não têm o mesmo padrão de comportamento. Nesse aspecto, a presidente Dilma tem uma bem-vinda taxa de intolerância muito grande. A intolerância tem que ser no conteúdo e não na forma. É chamar o cara e dizer: “Bye, bye”. Mas, para não ficar impressão errada, não me consta que, com Lula, tenha havido movimentação para impedir o trabalho da PF ou do Ministério Público Federal. Mas Lula é um cara mais martelado na vida da política, desde o sindicato.

Loteamento político

Jaques Wagner – É muito comum ouvir: “Seria bom ganhar com todo mundo, mas governar sozinho.” Mas isso não corresponde à realidade, porque a gente vive numa democracia. A reincidência da corrupção não é coisa do governo A ou do governo B. É a reincidência da deformação da cabeça do ser humano que está na política como atalho para a conquista patrimonial. Há anjos e diabos em todos os segmentos da sociedade.

Ministério e apoio partidário

Jaques Wagner – Mas isso não dá o direito de fazer negociatas lá dentro. E quem achou que podia está quebrando a cara. É claro que eu não sou ingênuo nem cínico para saber que, quando se tem um ministério, é óbvio que o ministro dá um “delta plus” para o seu partido e para o seu Estado. É da vida. Agora, quanto mais apertar o cerco, punir e combater, menos teremos esses episódios. Dilma está deixando claro que o código de conduta dela é extremamente restrito nesse campo.

Racha na base aliada

Jaques Wagner – Eu posso lhe garantir que, se houver algum ajuste da parte dela, não será no código de conduta. O ajuste pode ser na forma. Em vez de mandar alguém embora batendo o bumbo, chama e pede que entregue a carta de demissão.

Perda de governabilidade

Jaques Wagner – A governabilidade também é dada pela relação com a sociedade. E ninguém melhor do que os parlamentares para saber do peso da opinião pública.

Corte de gastos

Jaques Wagner – Diria até que a insatisfação dos aliados é menos pela forma de Dilma agir e mais pelos cortes do orçamento. A reação do Congresso é muito mais pelo não recebido. É óbvio que o governo tem que soltar emenda. Não tenho dúvida de que vai se respirar muito melhor no Congresso Nacional. O deputado vive de entregar serviço para sua base eleitoral.

Falta de dinheiro

Jaques Wagner – Temos um problema objetivo. O governo fez um corte de R$ 50 bilhões e ela cortou os restos a pagar até 2008. Eu fui articulador político de 2004 a 2006. Tínhamos restos a pagar de 2000. O que é muito difícil, porque se de um lado há um estoque de dívidas, mesmo que você ache que não vai pagar nunca, do outro lado há um estoque de expectativas. O deputado diz para o prefeito: “Não saiu este ano, mas eu deixei como restos a pagar.” E lá está o outro acreditando que o hospital dele vai sair. No final do ano, naquela salinha em que eu trabalhava e agora trabalha a Ideli (Salvatti, ministra das Relações Institucionais), o período em torno de 20 de dezembro, com o fechamento do Orçamento, é terrível. Faz fila. O sistema deixa todo mundo estressado.

Ministra Ideli Salvati

Jaques Wagner – Não podemos ser duros demais com ela. A Ideli entrou no olho do furacão. Já entrou com o mal-estar instalado a partir da saída do Palocci (Antônio Palocci), num ambiente em que tem de trocar o pneu e fazer a bicicleta rodar ao mesmo tempo. O clima, porém, deve melhorar.

Corte e aumento do superávit

Jaques Wagner – Ninguém gosta de fazer corte. Como acredito muito em Dilma, tenho pedido calma ao pessoal do PT. Às vezes, para preservar o projeto de longo prazo, é preciso aturar um momento de dificuldade.

Eleição de 2014

Jaques Wagner – Isso só perguntando a ela. Mas percebo que ela está gostando do exercício da Presidência e certamente sairá candidata.

Apoio a Dilma

Jaques Wagner – Certamente. Não tenho dois projetos políticos. Só tenho um. Meu projeto político é a reeleição da Dilma.

Retorno de Lula em 2014

Jaques Wagner – Não acredito. Nem ele seria tão mesquinho nem ela tão altruísta. Todos nós temos amor próprio e paixão pelo que fazemos. Só há uma aposta: ela ir bem. Indo bem, é absolutamente normal ser candidata. Se ela disser que é candidata à reeleição, a chance de o Lula pretender é zero.

O papel de Lula

Jaques Wagner – Com a maior naturalidade. Mas, se ela disser que é candidata, virá a segunda pergunta: “Vosmecê quer?” Com tudo o que Lula fez, ele saiu realizado. É clara sua popularidade. Mas diz a boa lenda que é bom sair por cima. Se a pergunta for feita, ele tem que pensar.

Planos políticos

Jaques Wagner – Eu sou um cara que está com a vaidade bastante preenchida. É sério. Virei a página na política da Bahia. Apostei 180 graus de mudança na política baiana e deu certo. Estou preparando antecipadamente 2014 e já disse que não serei candidato ao Senado.

Serei candidato a deputado federal, para deixar as vagas de vice-governador e senador livres para a composição com os aliados.

Amizade com Dilma

Jaques Wagner – A energia do povo baiano, do nordestino como um todo, é muito especial. Quando a presidenta Dilma chega, o povo faz fila como se fosse a Seleção Brasileira de Futebol voltando vitoriosa da Copa do Mundo. É encantador. Lá foi a maior frente de votos das eleições de 2010. Ela ganhou no Brasil com 12 milhões e na Bahia fez 2,7 milhões.

Bahia recebe benefícios

Jaques Wagner – Agora mesmo estamos recebendo duas novas universidades federais. Estou fazendo um programa para fortalecer da primeira à terceira série, o programa Todos pela Escola.

Hegemonia na Bahia com a criação do PSD

Jaques Wagner – Não acho apropriada a comparação numérica de períodos tão diferentes da vida política baiana. Mas é certo que a maioria mais confortável sempre nos dá mais segurança para governar. [IstoÉ: Com a criação do PSD, o sr. terá o voto de 49 dos 63 deputados estaduais, uma maioria superior à de ACM quando ele governou de 1991 até 1994. Está nascendo o “jaquismo”?]

Governador Jaques Wagner: "a agenda da transparência, do combate à corrupção e da busca do melhor uso do dinheiro pú­blico é permanente. Nunca vai acabar. Só acho um equívoco virar a agenda central. O País está bem do ponto de vista da capacidade de atração de investimentos e da autoestima, tendo desafios enormes, particularmente de infraestrutura humana e clássica.".
Governador Jaques Wagner: “a agenda da transparência, do combate à corrupção e da busca do melhor uso do dinheiro pú­blico é permanente. Nunca vai acabar. Só acho um equívoco virar a agenda central. O País está bem do ponto de vista da capacidade de atração de investimentos e da autoestima, tendo desafios enormes, particularmente de infraestrutura humana e clássica.”.
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