Injeções de células-tronco no coração combatem doenças cardiovasculares

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Uso da terapia celular para tratamento de infarto, isquemias e cardiomiopatias é tema de palestra nesta quinta (29.09), no VI Congresso Brasileiro de Células-Tronco e Terapia Celular

Após a Conferência de Abertura realizada na noite desta quarta-feira (28/09/2011), no Gran Hotel Stella Maris, o VI Congresso Brasileiro de Células-Tronco e Terapia Celular segue com a programação voltada para a discussão das mais recentes descobertas e pesquisas realizadas na área, em todo o mundo. Com diversas palestras agendadas, o destaque do evento, nesta quinta (29/09/2011), fica por conta do debate sobre o “Uso da Terapia Celular em Doenças Cardiovasculares”, a exemplo do infarto agudo do miocárdio, da cardiomiopatia dilatada e da isquemia miocárdica.

Causadoras de mais de 30% das mortes no Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o Coordenador da Rede Nacional de Terapia Celular, Antonio Carlos Campos de Carvalho, explica que as doenças cardiovasculares já podem ser tratadas a partir da nova técnica: “Hoje, existem várias maneiras de se injetar as células-tronco no coração, garantindo a eficácia no combate a tais enfermidades. As injeções mais comuns são as intracoronárias e as que são realizadas através de cateter”.

Caracterizada pela dilatação progressiva e redução da função do ventrículo, a cardiomiopatia dilatada é uma das doenças combatidas através da terapia celular. O infarto – necrose de parte do músculo cardíaco por falta de aporte adequado de nutrientes e oxigênio – e a isquemia miocárdica- transtorno da função cardíaca causado pelo fluxo de sangue insuficiente ao tecido muscular do coração-, também são exemplos de doenças que têm sido tratadas a partir do uso de células tronco.

Conferência de Abertura

Durante o lançamento oficial do VI Congresso Brasileiro de Células-Tronco e Terapia Celular, realizado na última quarta (29.09), em Stella Maris, especialistas de renome estiveram presentes. A Presidente da Associação Brasileira de Terapia Celular, Rosália Mendez Otero, o Coordenador da Rede Nacional de Terapia Celular, Antonio Carlos Campos de Carvalho, e a Diretora Médica do Hospital São Rafael, Liliana Ronzoni, foram alguns dos convidados recepcionados pelo Presidente do Comitê Organizador do evento e Coordenador de Pesquisa Experimental do HSR, Ricardo Ribeiro dos Santos.

Após a mesa de abertura, Antonio Carlos assumiu o comando do debate, proferindo palestra sobre o atual panorama da terapia celular no Brasil. “Com o papel fundamental de desenvolver a tecnologia de cultivo de células-tronco humanas de diversas origens, treinando e qualificando pessoal, a Rede Nacional de Terapia Celular, após o investimento 89 milhões feito em seis anos de pesquisa, já possui, hoje, oito centros, localizados no Rio de Janeiro, Bahia, Ribeirão Preto, Paraná e Porto Alegre”.

Ainda segundo o especialista, atualmente, existem 52 projetos sendo estudados no país. Destes, 42 são voltados para humanos, quatro para animais e seis para humanos e animais, englobando diversas modalidades. “Do ponto de vista neurológico, por exemplo, a terapia celular tem sido utilizada para tratamento de males, como o AVC isquêmico, lesões nos nervos periféricos, lesões na medula e epilepsia”, destaca. Já no que se refere às doenças autoimunes, a diabetes, o lúpus e a esclerose múltipla também estão sendo combatidas através da introdução de células-tronco.

“Existe, atualmente, uma pesquisa em desenvolvimento aqui, no Brasil, que tem utilizado o transplante de medula óssea, para eliminar as células reativas e livrar os pacientes das injeções de insulina, referentes ao tratamento da diabetes”, exemplifica Antonio Carlos.

Apesar de reconhecer as diversas conquistas alcançadas pela Rede de Terapia Celular no Brasil, o especialista acredita, ainda, ser necessário mais trabalho e investimento na área: “É preciso aumentar o número de grupos de pesquisa, no país, voltados para o estudo dos diversos tipos de células, bem como criar institutos dentro das faculdades brasileiras, referentes ao estudo da área. Mesmo diante de todas as conquistas, os desafios ainda são gigantescos”, finaliza.

Sobre Carlos Augusto 9717 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).