Editorial: depois de reorganizar ex-carlistas e apoiadores no PSD, governador Jaques Wagner passa a contar com apoio de 49 dos 63 deputados estaduais

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Governador Jaques Wagner e vice-governador Otto Alencar. Mudanças partidárias, uma prática muito utilizada pelo falecido senador Antônio Carlos Magalhães, mas que adquiri aspecto menos republicana sob a égide do petista Wagner.
Governador Jaques Wagner e vice-governador Otto Alencar. Mudanças partidárias, uma prática muito utilizada pelo falecido senador Antônio Carlos Magalhães, mas que adquiri aspecto menos republicana sob a égide do petista Wagner.
Governador Jaques Wagner e vice-governador Otto Alencar. Mudanças partidárias, uma prática muito utilizada pelo falecido senador Antônio Carlos Magalhães, mas que adquiri aspecto menos republicana sob a égide do petista Wagner.
Governador Jaques Wagner e vice-governador Otto Alencar. Mudanças partidárias, uma prática muito utilizada pelo falecido senador Antônio Carlos Magalhães, mas que adquiri aspecto menos republicana sob a égide do petista Wagner.

A criação do PSD é uma destas excrescências da democracia brasileira. O partido reúne, em nível nacional ex-membros dos Democratas, PMDB, PSDB, além de outras legendas de menor porte. No âmbito estadual terminou desfalcando a combalida oposição eleita no pleito de 2010, isolando politicamente Geddel Vieira Lima (PMDB) e Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), dois dos principais opositores de Jaques Wagner, governador da Bahia.

Através do vice-governador, Otto Alencar, presidente estadual da legenda e secretário de infraestrutura, o PSD reúne principalmente políticos que gostam de viver à sobra do poder. Políticos que trocam apoio por cargos e obras. Uma prática muito utilizada pelo falecido senador Antônio Carlos Magalhães. Mas que adquiri uma feição ainda menos republicana sob a égide do petista Wagner, com a marca história de 49 dos 63 deputados estaduais, apoiando o governo.

 Os poucos opositores, a exemplo dos deputados Carlos Geilson, Targino Machado e Graça Pimenta, são esmagados pela maioria governista e por praticas nem sempre republicanas de agir. O deputado Carlos Geilson, que também é radialista e comandava programa homônimo de significativa audiência, sentiu o peso de ser oposição. Deixou de comandar o programa para ser apenas apresentador. Dividindo 50% os lucros, além de ter visto mudar o nome do programa para Subaé Notícias, e de ter de engolir a produção de Marcos Valentim.

Por enquanto a gangorra do poder joga favorável a Wagner. Mas ao reunir os opositores históricos do petismo no PSD, ele sem querer pavimenta a retomada das forças conservadoras ao comando do Estado.

Talvez seja o momento de ter menos Estado e mais iniciativa privada. Para dimensionar o tamanho da sanha pelo bolso do cidadão por parte das gestões petistas em âmbito federal e estadual, qualquer cidadão que queira sair da capital terá que pagar pedágio. Em tempos idos e nas modernas democracias, tal atitude levaria a população a destruir todas as praças de pedágio, por atentar ao princípio constitucional do livre direito de ir e vir.  Além de ser uma pratica estatal adotada pelos antigos impérios que não combina com uma moderna democracia.

Planserv

A fragilizada oposição erra até quando deveria acertar. O governo acenou com mudanças pontuais no PLANSERV (Plano de Saúde dos Servidores do Estado), enquanto a oposição apoiava a manutenção de privilégios por parte de funcionários públicos. Deveriam ter ampliado o debate e dito que plano de saúde para servidores públicos fere o princípio constitucional da universalização da saúde. Criando duas castas, o povo que não tem plano, mas que paga para que funcionários públicos sejam tratados em clínicas de ponta. Só no Brasil persiste tão degradante prática.

Rigor intelectual

Por vezes, falta certo brilho intelectual a oposição que deveria conduzir sua assessoria a produzir matérias, principalmente nas favelas soteropolitanas, mostrando o quanto são desassistidas socialmente. Matérias que alcançariam significativo público através de veículos como o Jornal Grande Bahia, que acredita na plena e permanente liberdade de expressão, cravada na Constituição Federal de 1988.

Eleições em Salvador

Para disputar as eleições municipais de 2012 em Salvador, o PMDB acena com a possível candidatura de um dos piores prefeitos que governou a capital, Mário Kertész,  radialista e proprietário da Metrópole FM. A gestão de Kertész foi marcada por obras incompletas, caos financeiro e graves denuncias de corrupção. Comandou a capital por duas vezes, sendo nomeado prefeito de Salvador (1979-1981) por ACM. Rompeu com Antônio Carlos logo após deixar a prefeitura e se filiou ao PMDB, na sequência é eleito prefeito de 1986 a 1989.

Reformas

Por último gostaria de citar meu desalento enquanto cidadão. Entrevistei a atual presidente Dilma Rousseff no período em que fora candidata. Em duas oportunidades, na primeira acenou com uma profunda reforma política, na segunda com a reforma tributária.

Tratou-se de discurso desprovido de prática. Oito meses após iniciar o governo nenhuma proposta avança com seriedade e cada vez mais se pensa em um remendo legal. O debate com a sociedade sobre os temas é pobre ou inexiste e a única coisa em que o governo Dilma foi pródigo foram demissões de ministros e prisão de funcionários federais envolvidos em corrupção.

Sem o financiamento público de campanhas, fidelidade partidária, maior participação popular na formação dos partidos, as eleições no Brasil vivem uma eterna farsa, onde parte dos eleitos o são porque compram lideranças, cabos eleitorais e políticos com e sem mandato.

O alto custo de uma campanha no Brasil termina conduzindo a uma promiscua e permanente relação entre poder público e iniciativa privada. Não é por outro motivo que pululam opositores na nau governista. Apenas desta formam podem continuar na política, atendendo com indicação de cargos os apoiadores, que por sua vez agem em nome do Estado para favorecer “amigos”.

É hora de acordar e gritar não apenas “fora corrupção”, mas também, o desejo de termos uma verdadeira e permanente democracia, através da conformação ideológica advinda da correta atuação dos partidos.

*Carlos Augusto é formado em jornalismo, cursa o Mestrado em Ciências Sociais pela UFRB e dirige o Jornal Grande Bahia.

Sobre Carlos Augusto 9611 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).