Deputado Carlos Geilson se sente pressionado para aderir ao governo ao mesmo tempo em que perde o comando jornalístico do programa de rádio

Publicidade

Banner da Gujão: Campanha com o tema ‘Tudo fresquinho é melhor’, veiculada em 3 de junho de 2022.
Carlos Geilson: O governo hoje está eivado de carlista. Estes carlistas antigamente não serviam, não prestavam, mas hoje, depois que vestiram a estrelinha vermelha são capazes, são importantes.
Carlos Geilson: O governo hoje está eivado de carlista. Estes carlistas antigamente não serviam, não prestavam, mas hoje, depois que vestiram a estrelinha vermelha são capazes, são importantes.
Carlos Geilson: O governo hoje está eivado de carlista. Estes carlistas antigamente não serviam, não prestavam, mas hoje, depois que vestiram a estrelinha vermelha são capazes, são importantes.
Carlos Geilson: O governo hoje está eivado de carlista. Estes carlistas antigamente não serviam, não prestavam, mas hoje, depois que vestiram a estrelinha vermelha são capazes, são importantes.

Nos bastidores o comentário é geral. O deputado e radialista Carlos Geilson sentiu o duro golpe desferido pelas mudanças em curso na Rádio Subaé 1080 AM. A um só tempo perdeu o comando jornalístico do Programa Carlos Geilson e viu o histórico nome mudar para Subaé Notícias.

Radialista e deputado, Carlos Geilson viu o seu nome ganhar projeção à medida que atuava com o programa em Feira de Santana, que foi ar durante 26 anos, das 6 às 9 horas das manhãs de segunda a sábado.

Com ingresso na política e a vitória por um bloco independente (PTN), Geilson não poupou criticas ao governo Jaques Wagner. Tornando-se ferino opositor do ‘jaquismo’.  No momento, o deputado e radialista se sente esmagado. De importante âncora de um programa de radiojornalismo, se viu reduzido a mero apresentador. Até mesmo a sua permanência na Rádio Subaé é incerta. Sem citar nomes, atribui às forças do governo as pressões e mudanças que vem sofrendo.

A única força das oposições é a voz, o discurso, a palavra. Que repercutida nos veículos de comunicação, balança os ‘poderosos no poder’. Geilson com habilidade estava se tornando a significativa voz das oposições na Bahia. A pergunta: se e até quando será capaz de resistir? De que forma a falta de oposições afeta o conceito de democracia, quais os limites dos que estão no poder?

Pimentel nega pressões

O diretor da rádio Subaé, João Pimentel, nega pressões políticas e diz que as mudanças na estrutura da rádio atendem a legislação e o interesse dos sócios proprietários. “Em momento algum existiu pressões políticas para que fossem implantadas as atuais mudanças na forma de gestão dos horários e nas vendas dos comerciais. O controle do conteúdo jornalístico que vai ao ar através da Subaé e Nordeste FM é de responsabilidade da direção, e todos os apresentadores devem seguir as instruções da produção”, explica.

Pimentel enfatiza que a empresa Omega Mídia, conta com a direção de Adriano Martins para os mercados da Bahia, Sergipe e Alagoas. Sendo responsável pela venda dos espaços publicitários da rádio, separando redação de departamento comercial.  “A direção da rádio contratou a Omega Mídia para comercializar os espaços publicitários”, expõe.

Confira a entrevista com Carlos Geilson

Jornal Grande Bahia – O Governo do Estado possuí, na Assembleia Legislativa, a maior bancada da história. Como o senhor avalia esse fato?

Carlos Geilson – Para mim não é novidade na política, até porque já aconteceu uma bancada numerosa no tempo do carlismo. O governador Wagner está cooptando deputados, acho que já tem uma base inchada, mas é ele que tem que saber administrar as divergências, os interesses dos seus novos aliados.

JGB – Analises políticas apontam que a ação o governador Wagner e do vice Otto Alencar terminou reorganizando oposições históricas do PT dentro do PSD. Como o senhor avalia esse fato?

Carlos Geilson – O governo hoje está eivado de carlista. Estes carlistas antigamente não serviam, não prestavam, mas hoje, depois que vestiram a estrelinha vermelha são capazes, são importantes, são quadros que estão dando relevância ao governo atual, pelo menos é esse o entendimento da atual administração. Daí você vê, quando está contra não presta, quando está a favor é a sétima maravilha do mundo.

JGB – Deputado, é difícil ser oposição na atual estrutura política, partidária, ideológica do Brasil?

Carlos Geilson – Sempre será difícil ser oposição. Mas sempre haverá homens conscientes dos seus afazeres, dos seus compromissos, eu acho que o político não deve ser fisiologista, mesmo sabendo que na oposição terá dificuldades, e a gente sabe que o opositor vive a pão e água. Agora é necessário que o opositor esteja preparado para viver como um camelo no deserto.

JGB – O senhor acredita que irá permanecer na oposição até o final do governo Wagner?

Carlos Geilson – Eu posso falar do meu sentimento. O partido não está no governo por minha causa, porque eu fui contra. Eu posso falar do meu sentimento, agora eu faço parte de um grupo, que é o partido. Eu até hoje evitei que o partido fosse para a base do governo, porque entendo que a sociedade precisa de voz para divergir.

Se todos disserem amém, como o povo irá ficar sem ninguém para lhe dizer um oi, um contra, se todos disserem amém, amém. Agindo como lagartixas, balançando a cabeça dizendo sim, sim, sim. A oposição é importante em qualquer processo democrático, e tem que existir sim na Assembleia. E eu pretendo, é minha verdade pessoal estar fazendo o contra ponto, fazendo o contraditório com o governo.

JGB – O presídio regional deve passar por reformas, depois de mais de um ano de anunciadas essas reformas. Reformas que o senhor e a deputada Graça Pimenta foram ferozes em dizer que são necessárias. A questão é, estas reformas estão vindo por que eles acreditam que políticos ficarão lá internados?

Carlos Geilson – Eu acho tem outros presídios de segurança máxima, o de Feira é fácil à fuga. Tanto que a guaritas estão desguarnecidas, 16 guaritas, apenas cinco funcionam, se alguém quiser fugir o presídio de Feira tem a maior facilidade.

O governo precisa investir. As drogas entram no presídio e, se as guaritas estão desabilitadas é capaz de alguém jogar celular, maconha, etc. Então quem está dentro acaba pegando o que é jogado de fora, na medida que o presídio hoje está praticamente desassistido em termo de fiscalização em suas guaritas.

Leia +

Deputados Carlos Geilson e Graça Pimenta declaram que situação precária do Presídio Regional de Feira de Santana preocupa

Líder do Governo, Zé Neto fala sobre nomeação na CAR, reforma do presídio, mudanças no PLANSERV, ações da Polícia Federal e Colbert Martins

SUCAB abre licitação para Reforma e Ampliação do Presídio de Feira de Santana, ampliando de 340 para 1.250 vagas para presos

Editorial | Depois de reorganizar ex-carlistas e apoiadores no PSD, Jaques Wagner passa a contar com apoio de 49 dos 63 deputados estaduais

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Carlos Augusto 10033 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).