Cresce o número de pessoas que estudam alemão no Brasil

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Todo segundo sábado de setembro comemora-se o Dia da Língua Alemã, instituído pela Associação da Língua Alemã (Verein Deutsche Sprache) em 2000. Se considerado o contexto mundial, a data não seria motivo de festa neste ano: de quase 20 milhões de estudantes do idioma no início da década, restam agora pouco mais de 14 milhões. Mas, no Brasil, o total de alunos de alemão cresceu – de quase 65 mil em 2000 para mais de 91 mil em 2010.

“Com a ascensão política e econômica, o Brasil volta-se mais para o exterior. O país precisa de cidadãos capazes de agir nesse contexto e os idiomas estrangeiros auxiliam nesse sentido”, afirma Hans-Dieter Dräxler, Diretor do Departamento de Ensino para a América do Sul do Instituto Goethe de São Paulo. “A Alemanha é um parceiro interessante para o Brasil em vários aspectos.”

Cada vez mais brasileiros viajam e estudam na Alemanha. Além da cultura, aponta Dräxler, hoje também interessam as universidades e a possibilidade de trabalhar em uma companhia alemã. “O Brasil é um dos principais países para a economia alemã, com mais de 800 empresas somente em São Paulo, por exemplo”, diz o diretor.

De acordo com o Instituto Goethe, em 2010, havia 255 instituições que ensinavam alemão no Brasil. Das 149 unidades do Instituto Goethe espalhadas pela Alemanha e pelo mundo – com um total de 217 mil alunos –, seis estão no país: em Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Atualmente, mais de 8 mil brasileiros aprendem alemão no Instituto, a maioria deles em São Paulo.

Matthias Makowski, diretor do departamento de língua do Instituto Goethe na Alemanha, lembra, entretanto, que se considerada a dimensão do Brasil, o número de alunos é pequeno. “Mas as chances que o alemão tem no Brasil ficam claras com o crescimento verificado nos últimos anos”, diz Makowski.

Mercados emergentes

Cem milhões de pessoas falam o alemão como língua materna na Europa. O idioma é importante – dentro e fora da União Europeia – em termos econômicos, profissionais, culturais e científicos. Também imigrantes que vêm para a Alemanha têm um interesse particular. “Eles precisam do alemão para a sua vida cotidiana e têm, portanto, uma motivação bastante prática”, afirma Makowski.

Além disso, é claro que a presença da língua alemã é especialmente forte em países vizinhos da Europa. Além da Polônia – onde a maioria das crianças aprendem o alemão na escola, somando um total de mais de 2,3 milhões de estudantes da língua no país –, o número de alunos também é grande na Holanda, na Itália e na França, por exemplo.

De acordo com a iniciativa de fomento à língua alemã Netzwerk Deutsch, 366 mil pessoas estudam alemão na Holanda, 431,5 mil aprendem o idioma na Itália e mais de um milhão de pessoas o fazem na França.

Mas, fora da Europa, não é apenas o Brasil que merece atenção. Na China, por exemplo, o interesse pelo alemão é crescente. Hoje há mais de 40 mil pessoas estudam o idioma no país. A Índia é outro lugar onde aumenta a atenção à língua. “Mil escolas estão introduzindo o alemão em seu currículo”, afirma Makowski. Mas, por enquanto, o número de pessoas que estudam o idioma ainda é pequeno se considerada a população do pais: apenas 31,5 mil alunos.

Idioma e globalização

Apesar de não refletir a realidade de todos os países, o total mundial de alunos de alemão caiu cerca de 25% na última década. Segundo Makowski, do Instituto Goethe na Alemanha, há muitas causas para tal fenômeno.

“Um motivo decisivo é o fato de que em muitos países o princípio de se aprender no mínimo duas línguas estrangeiras na escola ainda não é difundido. “Por isso, muitas vezes acaba-se optando pelo inglês.”

Makowski cita o caso da Rússia, onde há uma “falsa concorrência” na oferta de alemão ou inglês como língua estrangeira nas escolas públicas. Apesar de mais de 2,3 milhões de pessoas ainda estudarem alemão na Rússia, verificou-se nos últimos anos uma diminuição de quase 1 milhão de alunos no total de estudantes do idioma no país.

A globalização teve efeitos positivos e negativos sobre a língua germânica. Para Dräxler, em relações multilaterais, costuma-se utilizar o inglês. Mas, em contatos bilaterais entre dois não falantes de inglês, seria mais eficiente a expressão em um dos dois idiomas das partes envolvidas. Por um lado, a dominância do inglês aumentou e, por outro, hoje estudam-se mais línguas estrangeiras.

“O alemão, assim como todas as outras línguas, perdeu espaço para o inglês e recuou em lugares onde sua presença era tradicionalmente forte. Ao mesmo tempo, com a diversificação do aprendizado de línguas estrangeiras, o idioma foi beneficiado em lugares onde era menos presente. O Brasil pertence a esse último grupo”, diz Dräxler.

*Com informações: Deutsche Welle

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