Cinema e Literatura para falar de ditadura no Brasil

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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“A ditadura nos liames do cinema e literatura: verdades e mitos à luz dos autores”. Esse foi o tema da palestra apresentada nessa segunda-feira, 12, pelo deputado federal Emiliano José (PT-BA), após a exibição do documentário “Do Buriti a Pintada – Lamarca e Zequinha na Bahia” realizada pela UNEB. Um dos convidados especiais do encontro, promovido para estudantes do curso de História da Universidade, Emiliano voltou ao passado e trouxe à luz do debate detalhes que a história oficial não contou. Informações sobre os últimos momentos vividos na Bahia por Carlos Lamarca e José Campos Barreto, o Zequinha antes de morrer. “Na época, o presidente Médici proibiu a circulação de qualquer publicação sobre o Carlos Lamarca, com o objetivo de não transformá-lo em um mito no país. Erramos na estratégia da luta armada, por isso estávamos condenados à derrota”, contou Emiliano.

Dirigido pelo cineasta e historiador de Ibotirama, Renaildo Pereira Santos, conhecido como Reizinho, o filme documenta a passagem do capitão Carlos Lamarca e do militante Zequinha pela região, em 1971, quando foram cercados e assassinados por integrantes do Exército Brasileiro e agentes dos órgãos de repressão. Reizinho lembrou que o trabalhou como assistente no filme “Lamarca”, do diretor Sérgio Resende e, sobretudo, o livro “Lamarca, o Capitão da Guerrilha” dos jornalistas Emiliano José e Oldack Miranda foram sua inspiração para o documentário. “Lamarca, o Capitão da Guerrilha” foi escrito em 1980, fruto de um trabalho biográfico dos jornalistas, baseado em depoimentos, reportagens dos periódicos Pasquim, Em Tempo e Coorjornal, além da utilização dos relatórios do Exército naquela época.

O deputado e jornalista aproveitou a oportunidade para relatar sua participação na luta contra a ditadura. “Ao sair da cadeia, estive disposto a continuar na luta, decidi fazer jornalismo, e então transformei o jornalismo numa trincheira”, disse.

Atuante na preservação da memória e reconhecimento daqueles que lutaram pela liberdade e democracia no Brasil, Emiliano José é um dos autores do Projeto de Lei 1771/2011 que prevê a inscrição dos nomes de Carlos Marighella e Luis Carlos Prestes no livro dos “Heróis da Pátria”, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.

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