Brasil instala módulo para pesquisas climáticas no interior da Antártica

Localizado em posição estratégica, módulo brasileiro vai gerar informações para entender o que acontece com o clima do planeta. Dados são relevantes para toda a comunidade científica internacional.
Localizado em posição estratégica, módulo brasileiro vai gerar informações para entender o que acontece com o clima do planeta. Dados são relevantes para toda a comunidade científica internacional.
Localizado em posição estratégica, módulo brasileiro vai gerar informações para entender o que acontece com o clima do planeta. Dados são relevantes para toda a comunidade científica internacional.
Localizado em posição estratégica, módulo brasileiro vai gerar informações para entender o que acontece com o clima do planeta. Dados são relevantes para toda a comunidade científica internacional.

O ambiente é inóspito, gelado e remoto. Ainda assim, a Antártica atrai o foco de cientistas do mundo inteiro dedicados a entender o clima do planeta. E agora os brasileiros avançam na conquista do continente gelado: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) se prepara para instalar um módulo de pesquisa independente no interior da Antártica.

A complexidade da operação foi bem definida por um dos pesquisadores do grupo: “Ir para o interior da Antártica é o mais próximo que existe de ir para fora do planeta”, disse Márcio Capaldo, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Os cientistas preparam os equipamentos tentando prever todos os desafios de operação num território onde a temperatura no inverno chega a 65ºC negativos.

Batizado de Criosfera 1, o módulo se assemelha a um contêiner marítimo e está programado para funcionar sem a presença humana. Painéis solares e turbinas eólicas irão gerar energia para a coleta de informações. “Iremos registrar dados meteorológicos 24 horas por dia”, explicou à Deutsche Welle o pesquisador do Inpe Marcelo Sampaio, que chefia o projeto.

Reflexo do planeta

Essa é a primeira vez que o Brasil marca presença permanente no interior antártico – o Criosfera 1 será instalado na latitude 85ºS, a cerca de 500 quilômetros do Polo Sul. “Não existe muita informação sobre essa região da Antártica. A coleta de dados nesse local não é uma necessidade brasileira, mas de toda a comunidade científica”, conta Cataldo.

O imenso território antártico, com 14 milhões de quilômetros quadrados, é um continente destinado à paz e a ciência – assim reza o Tratado Antártico, assinado em 1975. Cerca de 50 estações de pesquisa ocupam uma parte muito pequena da Antártica e estão localizadas principalmente na costa. A estação brasileira, chamada de Comandante Ferraz, funciona desde 1982 e recebe recursos do Programa Antártico Brasileiro, do Ministério da Ciência e Tecnologia. As pesquisas ocorrem em condições desfavoráveis: 98% do território é coberto por gelo e neve.

O objetivo das pesquisas no continente antártico é, de uma maneira geral, refletir as condições climáticas do planeta como um todo – simplesmente porque a informação colhida na região é “limpa”. “Isso porque a Antártica tem o mínimo de influência humana, sofre um isolamento em relação à civilização, o que chega ali pode ser reflexo de um processo mais global”, diz Cataldo.

*Com informações: Deutsche Welle

Redação do Jornal Grande Bahia
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