Secretário estadual Eduardo Salles reforça defesa de vendas de terras da Bahia para estrangeiros vinculadas à agroindustrialização

Eduardo Seixas de Salles: Brasil está perdendo diariamente milhões de dólares e a oportunidade de gerar milhares de empregos.
Eduardo Seixas de Salles: Brasil está perdendo diariamente milhões de dólares e a oportunidade de gerar milhares de empregos.
Eduardo Seixas de Salles: Brasil está perdendo diariamente milhões de dólares e a oportunidade de gerar milhares de empregos.
Eduardo Seixas de Salles: Brasil está perdendo diariamente milhões de dólares e a oportunidade de gerar milhares de empregos.

“Sou radicalmente contra a especulação imobiliária, e a favor da geração de empregos”, disse o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, defendendo a tese de que empresários estrangeiros que queiram investir na agroindustrialização da Bahia tenham o direito de comprar terras suficientes para produzir 50% da capacidade instalada de processamento. Diante de mais de 500 fiscais agropecuários de todo o País, que participam do II Congresso Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (II CONAFFA) no hotel Bahia Othon Palace, em Salvador, Salles destacou que todos os dias o País perde milhões de dólares em investimentos e a possibilidade de gerar milhares de empregos por causa da proibição de compra de terras por estrangeiros, em decorrência de parecer da Advocacia Geral da União.

As declarações do secretário foram feitas nesta quarta-feira (24/08/2011), ao participar da mesa-redonda sobre “As tendências do agronegócio brasileiro e sua inserção no cenário global”, parte da programação do II CONAFFA. Na noite de segunda-feira o secretário participou do evento, representando o governador Jaques Wagner.

Nos próximos 15 anos, a demanda por alimentos no mundo deverá crescer cerca de 20%, e o Brasil terá que aumentar sua produção em 40%. Para tanto, analisa o secretário, o País, que carece de infraestrutura, precisa dos investimentos estrangeiros que estão deixando de chegar porque os investidores não se sentem seguros. O secretário entende que um grupo estrangeiro que deseja investir em agroindústrias, precisa ter a garantia de que terá a matéria-prima para processar, tendo terras para produzir 50% do que poderá industrializar. Para aumentar a produção de alimentos, o Brasil terá de investir em estradas, armazenamento, logística de uma maneira geral e na agroindustrialização, setores que são alguns dos principais focos de investimento dos grupos estrangeiros.

“O Brasil é o inconteste celeiro do mundo, e se torna cada vez mais estratégico com o fortalecimento dos países asiáticos”, disse. Mas, ele alertou para os problemas que as novas regras para compra de terras por estrangeiros, determinadas pela Advocacia Geral da União (AGU), podem representar para os investimentos para o agronegócio no país.

Ele lembrou que se o Brasil avançou tanto no agronegócio, foi, em boa parte, graças ao investimento de multinacionais e fundos estrangeiros. “Esses grupos querem investir em agroindústrias e logística, mas enquanto isso não for resolvido, estamos perdendo literalmente o trem da história. É um crime contra o Brasil e a sua população”, afirmou o secretário.

Mesa-redonda apontou papel dos fiscais federais agropecuários como decisivo no cenário da revolução agrícola Brasileira

Com uma balança comercial mais que positiva, com exportações sete vezes maiores do que as importações (US$85 bi contra US$13,5 bi), sendo o terceiro maior produtor agrícola do mundo, com primeiro lugar em carne, soja e outros, e responsável por 60% de todo o açúcar que se consome no planeta, o Brasil ruma em direção à soberania mundial na produção de alimentos e energia renovável nos próximos 20 anos. Mas, para garantir o sucesso dessa empreitada, o país terá de investir ainda mais em fiscalização federal agropecuária, para evitar a entrada de pragas e doenças em seus rebanhos e lavouras, que inviabilizam o comércio mundial, comprometem a economia nacional e põem em risco a saúde da população. Estes e outros assuntos foram discutidos hoje (24) pela manhã, na mesa-redonda “As tendências do agronegócio brasileiro e sua inserção no cenário global”, durante o II Congresso Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (II CONAFFA).

O evento teve início na última segunda-feira (22) e prossegue até sexta (26), no hotel Bahia Othon Palace, em Salvador,promovido pelo Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA Sindical). Cerca de 500 profissionais estão reunidos no congresso na capital baiana. A mesa-redonda teve entre os debatedores o veterinário, economista, mestre em desenvolvimento agroindustrial e um dos mais renomados consultores de agribusiness do Mercosul, Carlos Cogo, além do secretário da Agricultura do Estado da Bahia, o engenheiro agrônomo Eduardo Salles. A mediação foi realizada pelo delegado sindical da Bahia e coordenador do II CONAFFA, Paulo Reis.

Revolução agrícola

De acordo com Cogo, o Brasil experimenta desde os anos 90 uma “revolução agrícola”. O país triplicou a produção de alimentos e fibras, e o agronegócio representa hoje 22% da economia nacional, 23% de todas as riquezas geradas no país, 42% das exportações brasileiras e 37% dos empregos.

“Só que fazemos isso com mais ou menos o mesmo número de profissionais trabalhando nas cadeias produtivas e hoje o produtor consegue ganhar dinheiro no agronegócio, ao contrário dos anos 80/90”, revelou.

Isso reflete, segundo o consultor, o aumento da produtividade e a competência do agricultor brasileiro. “Esse é um trabalho que a sociedade ainda não conseguiu enxergar. Somos a locomotiva desse negócio e o povo ainda acredita que o leite sai da caixinha”, afirmou. Carlos Gogo ressaltou os investimentos feitos por produtores e governos na implantação de programas de certificação e rastreabilidade, nas quais os ficais federais agropecuários são as peças-chave.

“O país expandiu suas lavouras, com produtividade. Diziam que nunca chegaríamos a produzir 100 milhões de toneladas de grãos, e estamos produzindo hoje 162 milhões de toneladas, o que é suficiente para abastecer toda a China. O país tem o maior programa de energia renovável do mundo, e nem precisa desmatar – Aliás, é bom que se diga que a cana de açúcar seria inviável na Amazônia. Ainda temos mais que o equivalente a toda a área produzida no país disponível para o plantio, respeitando todas as exigências legais para o meio ambiente”, disse.

Alerta

“A única coisa que poderia comprometer essa revolução agrícola seria um trabalho mal feito na fiscalização e defesa. Por exemplo, uma falha no combate à febre aftosa, que comprometeria 33% da produção de carne no Brasil”, disse Cogo, lembrando que o país chegará a 2020 produzindo mais de 20 milhões de toneladas de grãos, das quais, cerca de 50% são exportadas.

“O consumidor brasileiro vai ao supermercado e sai tranquilamente com seus produtos. Ele vê o selo do Serviço de Fiscalização Federal (SIF) e fica tranqüilo”, afirmou o consultor, que vê oportunidades para o país, principalmente, na produção de grãos, carnes, biocombustíveis, no setor sucroalcoleiro, frutas, algodão, café verde e torrado/moído, leite em pó e lácteos, além de máquinas e implementos agrícolas.

Uma ameaça seria a dependência brasileira na área de fertilizantes. Hoje o país importa, aproximadamente, 72% de defensivos agrícolas, dos quais é o maior mercado do mundo. Outros entraves seriam os problemas logísticos derivados de uma matriz, segundo ele, equivocada, em que as ferrovias representam 25%, as rodovias, 54% e o transporte aquaviário 17%.

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