Reitor da UFRB, Paulo Gabriel Nacif, comenta em entrevista sobre greve dos servidores, instalação do Campi em Feira e expansão da universidade

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Paulo Gabriel é entrevista por Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
Paulo Gabriel é entrevista por Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
Paulo Gabriel é entrevista por Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
Paulo Gabriel é entrevista por Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
Paulo Gabriel: "Eu tenho informação sobre a implantação de um campus em Camaçari e outro em Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Paulo Gabriel: “Eu tenho informação sobre a implantação de um campus em Camaçari e outro em Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

O reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Paulo Gabriel Soledade Nacif, concedeu entrevista exclusiva ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto. A entrevista ocorreu no dia 11 de agosto de 2011, na sede da reitoria em Cruz das Almas e discorreu sobre a greve dos funcionários nível técnico administrativo, implantação do Campus em Feira de Santana e a expansão do ensino superior.

No momento da entrevista, Paulo Gabriel fez mistério e procurou evitar afirmar que a UFRB iria administrar o campus de Feira de Santana. Algo que deve ser anunciado hoje (16/08/2011) pela presidente Dilma Rousseff, durante cerimônia em Brasília. Em nota a este jornal, a deputada estadual Graça Pimenta confirma que o campi fica sob a coordenação da UFRB.

Confira a íntegra da entrevista

Jornal Grande Bahia – Quase dois meses de greve e um prejuízo incomensurável, principalmente para a sociedade que paga para que essas pessoas trabalhem. Isso tem paralelo com alguma democracia moderna?

Paulo Gabriel – Nós estamos desacostumados. O período Lula, eu diria que serviu de colchão de isolamento do período anterior, onde você tinha greve de dois, três meses nas universidades.

Essa greve poderia ter sido evitada. Eu acho que o movimento [de greve] e o governo radicalizaram nas suas posições. Greve enquanto principio a gente respeita e quem cabe julgar o mérito ou não é a justiça. Existem prejuízos, nós temos que conviver com eles, mais a gente respeita a greve.

JGB – Vou me colocar do lado da sociedade, enquanto jornalista. É nessa hora que a sociedade começa a se perguntar, a coisa pública funciona?  Dois meses professor isso em setor privado algum você ver isso… O senhor tem um planejamento anualizado, esse planejamento foi embora…

Paulo Gabriel – Eu concordo com você que nós estamos tendo prejuízos, é fato. Mas não há dúvidas que a greve é um direito do trabalhador. No meu caso, você pode fazer juízo de valores pela posição que você está. No meu caso, qualquer opinião que eu dê é no sentido de construir o diálogo.

ANDIFES, associação de reitores da qual eu faço parte, tem buscado o reestabelecimento do diálogo entre o governo e o movimento grevista. Então quem tá na posição de negociador tem que buscar sempre o caminho do diálogo.

Existem prejuízos. É certo que os técnicos administrativos possuem menor salário do serviço público. É inadmissível essa situação. A gente perde muito servidor técnico administrativo competente, que passa no concurso fica um tempo, depois passa em outro com o salário maior. Nós precisamos equiparar os salários dos servidores técnicos administrativos das universidades a servidores de outros órgãos: justiça, DENIT, CHESF, empresas e autarquias diversas. Acho que não precisaríamos estar passando por esse momento de greve.

Quem cabe o julgamento da greve, nesse caso, é a justiça. Nós estamos buscando negociar. Queremos que os ânimos se aplaquem de modo que o governo e movimento grevista entrem em negociação para que os prejuízos diminuam.

JGB – Professor, o senhor possui algum tipo de planejamento para recuperar esse período? A justiça acaba de dizer o seguinte: 50% dos profissionais devem retornar para as atividades. E os outros 50% podem continuar em greve. Isso tem valor retroativo? Se não retornarem, quais medidas serão tomadas?

Paulo Gabriel – É importante dizer que quem foi à justiça foi o Ministério da Educação. Essa determinação que 50% trabalhe é de imediata a execução. Eu acabei de chegar de Brasília e nós vamos iniciar as conversas com o movimento grevista para que essas situações sejam estabelecidas.

JGB – O que o senhor conta de novidade com relação a UFRB?

Paulo Gabriel – Vale a pena ressaltar que a presidenta Dilma, dia 16 [08/2011] dará um grande presente a Feira de Santana. A presidenta Dilma lança um programa de expansão das universidades Federais. Esse programa contemplará duas novas universidades na Bahia, a Federal do Sul da Bahia e a Federal do Oeste da Bahia e alguns campis universitários. Eu tenho informação sobre a implantação de um campus em Camaçari e outro em Feira de Santana.

No dia 16 a presidente Dilma anunciará a criação de um grande campo universidade em Feira de Santana, eu acho que você como Feirense deve ficar muito feliz, como toda sociedade, como todos nós. Independente de ser a UFRB, UFBA ou uma terceira universidade a administrar o Campus de Feira de Santana, esse é um momento que todos nós temos comemorar.

JGB – O Senhor tem mais algo a apresentar nesse aspecto?

Paulo Gabriel – Não, vamos aguardar a presidenta anunciar, nós teremos boas novidades.

JGB – O senhor pleiteou esse espaço, professor?

Paulo Gabriel – Não pleiteei. Mas acredito que essa será uma decisão do conselho universitário. Na verdade a presidenta ela não determina nada de quem será, a que a universidade e campos pertencerá, ela convidará uma universidade a implantar o campus. A universidade irá dizer se aceita ou não.

A UFRB pode vir a ser convidada sim. Mas se for a UFBA, nós ficaremos igualmente felizes. Porque a final de contas o importante é que Feira de Santana ganhe um campus universitário federal. O município possui uma grande universidade instalada e eu não tenho dúvida que essa nova universidade se somará a UEFS no fortalecimento da educação superior nessa grande cidade baiana.

JGB – O senhor tem ideia da dimensão desses campus, do número de alunos?

Paulo Gabriel – As informações ainda começaram a ser construídas. Dia 16 ainda tenho uma convocação, um convite da presidenta Dilma Rousseff para estar em Brasília. Ela anunciará esses dados.  Mais isso ainda é um projeto presidencial, a gente só tem informações dos técnicos, mas eu não tenho dúvida que será uma grande expansão pra Bahia. A Bahia ganhará muitas vagas de educação superior federal e Feira de Santana estará na ponta deste processo.

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Sobre Carlos Augusto 10033 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).