Presidente Dilma Rousseff fala sobre crise global e salto de desenvolvimento, redução de juros e plano para formação de médicos

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Dilma: Brasil pode usar crise global para dar salto de desenvolvimento

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (30) que o Brasil pode usar este momento de crise econômica que atinge países desenvolvidos para dar um salto de desenvolvimento. Segundo ela, é preciso coragem para enfrentar situações como essas.

“Temos a convicção de que crise a gente não enfrenta se apequenando, se atemorizando, sendo covarde; a gente enfrenta é com coragem. Coragem significa ter consciência da nossa força e ter a firme determinação de que temos todas as condições de transformar essa crise em um outro momento de salto para o Brasil”, disse ao acrescentar que isso ocorreu após a crise econômica enfrentada em 2008.

Dilma disse ainda que o grande desafio de seu governo é garantir saúde, educação e segurança de qualidade à população. A presidenta assegurou que irá usar toda sua determinação para isso. “Vou perseguir isso 24 horas por dia.”

Ela participou no final desta manhã, em Cupira (PE), de cerimônia onde foram assinados os primeiros 37 contratos no âmbito do programa de Financiamento das Contrapartidas do Programa de Aceleração do Crescimento (Cpac), no valor total de R$ 300 milhões, entre o governo federal, a Caixa Econômica Federal e o governo do estado de Pernambuco.

Dilma defende redução de juros para assegurar crescimento

A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (30) a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, e afirmou que o país está criando condições para que isso ocorra. Dilma disse ainda que a redução é necessária para o crescimento do Brasil que pratica uma das mais altas taxas de juros.

Dilma explicou que o anúncio feito ontem (29) pelo governo de economizar R$ 10 bilhões acima do previsto reflete a decisão de abrir um novo caminho. “Esses 10 bilhões preferimos utilizar para abrir um novo caminho, além do caminho de aumentar o investimento, é um caminho que achamos que é muito importante: queremos que a partir deste momento comecemos a ter no horizonte a possibilidade de redução de juros no Brasil”, explicou em entrevista a rádios de Pernambuco.

Dilma também disse que é necessário reduzir impostos para assegurar o crescimento brasileiro no momento em que países são afetados pela crise econômica internacional. A queda dos juros, segundo ela, também é um elemento importante.

“A melhor resposta à crise é o crescimento do país, mas também precisamos melhorar as condições nas quais nós crescemos, se tem uma coisa que o Brasil quer é que haja diminuição de impostos. Não posso dizer quando vamos ter isso, mas abrimos o caminho para ter isso e queremos ter juros que sejam cadentes, que comecem a cair”, disse.

A presidenta voltou a dizer que o mercado interno brasileiro é um fator importante para enfrentar a crise e que o Brasil está preparado para ultrapassá-la.

Em Pernambuco, Dilma participa de eventos em Caruaru e Garanhuns onde assina ordens de serviços para a construção de barragens e de contrato de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida.

Governo anuncia plano para formar mais médicos e interiorizar a profissão

Ao participar da aula inaugural do curso de medicina do campus Garanhuns, da Universidade Federal de Pernambuco, a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (30) que o governo quer formar mais 4,5 mil médicos a cada ano e interiorizar a profissão no país. Dilma já encomendou aos ministérios da Educação e da Saúde um “plano nacional de educação médica” a ser apresentado até outubro desse ano.

O objetivo da medida, de acordo com Dilma, é suprir a falta de médicos em todo país, principalmente no interior. “Eu determinei ao Ministério da Educação e ao Ministério da Saúde, que, juntos, preparem um plano nacional de educação médica a ser lançado até outubro, o nosso objetivo é aumentar em 4,5 mil o número de médicos formados ao ano e também interiorizar os cursos de medicina, mantendo um elevado padrão de qualidade”, disse.

Segundo a presidenta, um dos pontos do plano é o incentivo para os estudantes que optarem por estudar e trabalhar no interior do país. “Os estudantes e os médicos que se interessarem pelas demandas do Sistema Único de Sáude [SUS], vale dizer, pelas demandas de saúde do povo brasileiro, terão vantagens. Terão descontos quando utilizarem o Fundo de Financiamento do Ensino Superior (Fies). Terão também melhor acesso a uma pontuação em residência quando optarem também por satisfazer as demandas do SUS. Eu asseguro a vocês que, certamente, não ficarão sem trabalho”, disse a presidenta, dirigindo-se aos primeiros alunos de medicina da universidade.

De acordo com a presidenta, a falta de médicos é um dos principais obstáculos para melhorar os serviços de saúde pública no Brasil. “Uma das dificuldades para melhorar a saúde pública no Brasil é o insuficiente número de médicos e sua má distribuição sobre o território nacional. Hoje, o Nordeste tem 28% da população brasileira e apenas 17% dos médicos. Em todo Brasil, temos falta de médicos e isso fica mais agudo ainda nas cidades do interior e nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Não que nas outras regiões não faltem médicos, é que nessas regiões que eu citei faltam mais médicos.”

Dilma chamou os alunos de medicina de “desbravadores” e disse que eles escolheram a profissão certa. Fazendo referência ao fato de Garanhuns contar com um campus universitário, Dilma lembrou o acerto da iniciativa do ex-presidente Lula, que o instalou em sua cidade natal. Embora não tenha tido oportunidade de estudar, o ex-presidente sabia da importância do estudo, disse a presidenta.

Dilma ressaltou que continuará com o processo de interiorização do ensino superior iniciado no governo passado.

Sobre Carlos Augusto 9514 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).