Penitentes de Juazeiro ganham videodocumentário do governo estadual

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A manifestação é uma das mais antigas e singulares da Bahia e o vídeo integra a pesquisa para viabilizar registro dos ‘Penitentes’ como Patrimônio Imaterial da Bahia.

A secular festa católica conhecida como ‘Penitentes de Juazeiro’ realizada desde 1901 no município de mesmo nome, no norte da Bahia, localizado às margens do Rio São Francisco, a cerca de 500 km de Salvador, vai ganhar um videodocumentário especial de 52 minutos com depoimentos de participantes e estudiosos. O documentário foi realizado graças à parceria entre o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) da Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) da Secretaria de Cultura (SecultBA).

O vídeo integrará o dossiê de pesquisas realizado pelo IPAC para um possível reconhecimento dessa expressão cultural popular como Patrimônio Imaterial da Bahia. O Instituto já fez outros documentários sobre festas que se tornaram oficialmente, através de decreto, bens intangíveis do Estado, como a Festa da Boa Morte, o Carnaval de Maragojipe, o Desfile dos Afoxés e o Cortejo 2 de Julho.

“A iniciativa integra o dossiê de pesquisas e atende a obrigação regimental do IPAC de difundir publicamente suas produções científicas acerca dos bens culturais baianos”, explica o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça. Ao se tornar ‘patrimônio imaterial’ uma manifestação cultural passa a ter prioridade nas linhas de apoio e financiamento de programas culturais municipais, estaduais, federais ou até internacionais.

Existem referências dos ‘Penitentes de Juazeiro’ desde 1901. A manifestação ocorre todos os anos durante a Semana Santa, durante as sete semanas da Quaresma, 40 dias e 40 noites. A celebração começa com as ‘alimentadeiras’, senhoras que andam em fila vestidas de branco com velas acesas para rezar pelos mortos, principalmente, os que se foram de maneira trágica. O trajeto fica entre dois cemitérios e passa por sete ‘estações’ que são paradas em locais estratégicos onde permanecem por cerca de 20 minutos rezando o ‘pranto’, ou seja, demonstrações públicas de lamentação. Esse ritual acontece sempre as segundas, quartas e sextas-feiras, geralmente das 20h até a meia-noite.

Na quarta e quinta-feira aparecem os ‘disciplinadores’, homens que se autoflagelam em sinal de penitência, passando nas casas do trajeto da procissão pedindo pão e sabão. Na sexta-feira da Paixão o ritual começa às 20h, sem o autoflagelo, apenas com rezas, e segue até as 4h da manhã, quando o cantar do galo anuncia, no sábado de Aleluia, que a manifestação está encerrada. O pão doado é o único alimento durante o ato de penitência. O sabão é utilizado para lavar vestes no Rio São Francisco após o término da ‘disciplina’. Uma demonstração de fé, promessa e tradição que já passa por muitas gerações.

Tudo isso consta no audiovisual, além de dados, documentação fotográfica antiga e contemporânea, mapas e plantas da cidade de Juazeiro. “Ter esse vídeo é uma maravilha, nós estamos felizes da vida”, comemora a coordenadora Jesulene Ribeiro, conhecida como ‘D. Nenenzinha’. Ela é responsável por providenciar tecidos brancos, incenso, velas e o cordão de São Francisco usado na cintura pelas ‘alimentadeiras’.

Foram 25 horas de gravação e 40 de edição. “O audiovisual é um dos mais eficientes suportes para preservar o bem imaterial porque a memória e a história dessas manifestações você não encontra em livros e sim nas pessoas. O registro e coleta ficam mais completos. Esse produto confirma mais uma identidade e simbologia do imaginário baiano”, enfatiza o gerente de Patrimônio Imaterial do IPAC, Mateus Torres. O pedido de reconhecimento da manifestação foi um projeto do deputado federal Jorge Khoury. Mais informações através do telefone (71) 3116.6741 e no site www.ipac.ba.gov.br.

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