Nos dias 26 e 27 de agosto, no Pestana Bahia Hotel, em Salvador, ocorre o III Simpósio Internacional Pós Mundial de Câncer de Pulmão

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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A doença – que tem o tabagismo como seu principal fator de risco – vai ser discutida por especialistas de reconhecimento mundial durante o encontro, promovido pelo Núcleo de Oncologia da Bahia, na capital baiana. O Simpósio vai repercutir os mais importantes avanços nas formas de diagnóstico e de tratamento do câncer de pulmão que foram apresentados, recentemente, na 14ª Conferência Mundial de Câncer de Pulmão, em Amsterdam. Uma pesquisa que comprova a eficácia do rastreamento de câncer de pulmão através da tomografia computadorizada de tórax é uma das novidades promissoras na área.

A cada 30 segundos morre uma pessoa no mundo, vítima do câncer de pulmão, e, no Brasil, cerca de 15 mil pessoas morrem anualmente em decorrência desse tipo de tumor. Apesar da elevada taxa de mortalidade, 80% dos casos diagnosticados em estágio inicial conseguem obter cura graças aos avanços da tecnologia médica e dos tratamentos. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 27 mil novos casos de câncer de pulmão devem ser diagnosticados no Brasil em 2011.

Para apresentar os recentes avanços da medicina na área, Salvador vai sediar o III Simpósio Internacional Pós Mundial de Câncer de Pulmão, nos dias 26 e 27 de agosto, no Pestana Bahia Hotel, no Rio Vermelho. Promovido pelo Núcleo de Oncologia da Bahia e coordenado pelas oncologistas Gildete Lessa, Clarissa Mathias e Samira Mascarenhas, o evento vai reunir cientistas e especialistas de renome mundial, como o cirurgião Thomas D’Amico (EUA) e a oncologista Anne Tsao (EUA). Informações pelos telefones (71) 2107-9682 e (71) 2107-9684 ou no site www.st-eventos.com.br.

Dirigido a médicos pneumologistas, oncologistas, clínicos, cirurgiões, radioterapeutas, residentes e estudantes de medicina, o Simpósio deve reunir cerca de 300 participantes. Os temas mais recentes da área, que foram abordados na 14ª Conferência Mundial de Câncer de Pulmão, em Amsterdam, no início de julho, serão apresentados com um enfoque mundial durante o evento na capital baiana.

Dos mais de 27 mil novos casos de câncer de pulmão previstos pelo INCA no Brasil em 2011, 17.800 devem acometer homens e 9.830 mulheres. A doença é considerada uma das principais causas de mortes evitáveis já que 90% dos casos está associado ao tabagismo. Atualmente o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer em homens e a segunda em mulheres no país. Também é responsável por cerca de 1,3 milhão de mortes por ano no mundo e sua incidência, ao contrário de outros tipos de câncer, tem crescido em todo planeta. Mais comum de todos os tumores malignos, o câncer de pulmão apresenta um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial.

Segundo a oncologista Clarissa Mathias, “o câncer de pulmão não é uma sentença de morte, os tratamentos têm evoluído muito e, quando a doença é detectada precocemente, as chances de cura são reais”. A médica acrescenta: “Não fumar é a melhor forma de prevenção da doença. Além da prevenção, a população precisa ter acesso ao diagnóstico precoce e aos tratamentos mais eficazes”.

Pesquisa traz avanços no diagnóstico

A evolução silenciosa do câncer de pulmão faz com que cerca de 20% dos casos só sejam identificados numa fase mais avançada. Parar de fumar é a principal e mais eficaz forma de prevenção contra o câncer de pulmão. Para quem fuma há mais de 10 anos ou para fumantes com mais de 40 anos de idade que abusaram do cigarro durante toda a vida e apresentam sintomas como tosse persistente e fadiga, a recomendação atual é realizar o Raio X de tórax uma vez por ano como medida de prevenção secundária, que permite o diagnóstico precoce e, consequentemente, a chance de cura.

Em breve, no entanto, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), principal organização profissional da oncologia mundial, deverá divulgar uma nova recomendação de pratica cliníca no rastreio do câncer de pulmão.

Pesquisadores do National Cancer Institute (EUA) publicaram um estudo no New England Journal of Medicine sugerindo que o rastreamento de câncer de pulmão por tomografia computadorizada com scanner (CT Scan) permite reduzir em 20% a mortalidade entre fumantes e ex-fumantes em relação ao uso da tradicional radiografia de tórax. O resultado dessa pesquisa pode ser um divisor de águas para médicos e pacientes de alto risco. A tomografia computadorizada fornece uma imagem tridimensional da área a ser observado, por isso é muito mais detalhado do que um exame bidimensional de Raio-X, que não permite diferenciar todas as estruturas anatômicas pulmonares e detectar um tumor em fase inicial.

O estudo clínico examinou, ao longo de três anos, 53.454 fumantes e ex-fumantes pesados de ambos os sexos e com idade entre 55 e 74 anos. A pesquisa comparou os efeitos de dois diferentes métodos de rastreio do câncer do pulmão na taxa de mortalidade pela doença em uma população de alto risco. Os pesquisadores identificaram 20% menos mortes por câncer de pulmão na população rastreada com tomografia computadorizada comparada com aquela que fez a radiografia de tórax.

Tabagismo: principal fator de risco

Benzopireno, benzeno, nitrosamina são apenas alguns dos 80 agentes cancerígenos presentes no cigarro. Responsável por mais de 50 doenças, o tabagismo é o principal fator de risco do câncer de pulmão, sendo que 90% dos casos do tumor acomete fumantes. Dos 10% restantes, 1/3 corresponde a fumantes passivos e o resto é atribuído principalmente a substâncias tóxicas inaladas em determinados locais de trabalho. Os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão. Os fumantes passivos também têm 30% mais chances de desenvolver a doença. O tabagismo, considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável no mundo, também está ligado a outros 18 tipos de câncer.

A fumaça do cigarro contém mais de 4.500 substâncias tóxicas,sendo que cerca de 80 delas são cancerígenas (mitroso nornicotina, monóxido de carbono, acroleína, benzeno, tolueno, cresol, fenol, cloreto de vinila, benzoantraceno, benzopireno). A fumaça entra pelos brônquios e se espalha no pulmão atingindo os alvéolos, onde se instala, devastando-os. Quanto mais se fuma, o pulmão, um dos poucos órgãos internos que têm contato direto com o exterior, deixa de ter seu tom rosado e passa a ter um aspecto totalmente negro. Mesmo deixando o vício, os ex-fumantes apresentam um risco maior de desenvolverem um câncer pulmonar que a média das pessoas. Embora ocorra mais em homens, o número de casos em mulheres está crescendo enquanto que o número de casos em homens está caindo.

No início do século passado, quando o consumo do cigarro ainda não tinha se disseminado o câncer de pulmão era uma doença rara. Com o surgimento e crescimento da indústria do tabaco, a doença passou a ser um dos grandes vilões da saúde de fumantes ativos e passivos.

Agentes químicos encontrados principalmente em ambientes ocupacionais (como o cloreto de vinila, arsênico, cromo, radônio, níquel e cádmio), DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar da doença também podem estar associados ao tumor pulmonar.

O combate ao tabagismo é fundamental para se evitar a doença. Os números são alarmantes e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço da população mundial adulta fuma: ou seja há 1 bilhão e 200 milhões de fumantes no planeta. O tabagismo ativo é considerado pela OMS a principal causa de morte evitável no mundo e o fumo passivo é a terceira. No Brasil, segundo dados do INCA, 200 mil mortes anuais são causadas pelo fumo.

Tipos de câncer de pulmão

O câncer de pulmão, agressivo e letal, é o mais comum dos tumores malignos e apresenta uma elevada mortalidade. De todos os tipos de tumor, o pulmonar é o mais diagnosticado no mundo. Tosse persistente, rouquidão, sangramento pela via respiratória, pneumonias de repetição, respiração curta e dor torácica ao respirar profundamente são alguns dos sintomas da doença, que em grande parte dos casos é silenciosa e só se manifesta quando já está no estágio avançado.

São dois os tipos de câncer de pulmão: não pequenas células e pequenas células. Os tumores de não pequenas células equivalem a 80% de todos os casos e incluem o adenocarcinoma, o carcinoma de células escamosas (epidermóide) e o carcinoma de grandes células. Sua disseminação para outros órgãos, geralmente, é lenta e, em estágios iniciais, pode ser difícil sua detecção.

Todos os tipos de câncer de pulmão estão diretamente associados ao vício do tabagismo. Para compensar os cigarros com filtros e baixos teores de nicotina, inalam mais fumaça e junto vão as substâncias cancerígenas, elevando, ao invés de reduzir, as possibilidades de desenvolver um tumor pulmonar.

Ao contrário, os cânceres de pequenas células, que representam 20% dos casos de câncer de pulmão, se disseminam com rapidez e se espalham para outros órgãos.

Sintomas

Vários sintomas podem indicar a doença, no entanto, muitas vezes, esses sintomas só se manifestam quando a doença já está em fase avançada.

· Tosse persistente ou que vem piorando;

· Dor no peito persistente;

· Dispnéia (falta de ar);

· Encurtamento da respiração;

· Pneumonias de repetição;

· Perda de fôlego, chiado ou rouquidão;

· Inchaço em face e pescoço;

· Perda do apetite ou perda de peso;

· Escarro com sangue;

· Cansaço e mal estar.

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