Deputado Zé Neto comenta sobre nomeação na CAR, reforma do presídio, mudanças no PLANSERV, ações da Polícia Federal e Colbert Martins

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Carlos Augusto entrevista José Cerqueira Neto (Zé Neto). Entrevista aborda nomeação na CAR, reforma do presídio, mudanças no PLANSERV, ações da Polícia Federal e prisão de Colbert Martins.
Carlos Augusto entrevista José Cerqueira Neto (Zé Neto). Entrevista aborda nomeação na CAR, reforma do presídio, mudanças no PLANSERV, ações da Polícia Federal e prisão de Colbert Martins.

Deputado estadual e líder da maioria na ALBA, Zé Neto (José Cerqueira de Santana Neto) em entrevista exclusiva ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, fala sobre a substituição de Beto Souza por Edneide Queiróz, que toma posse como Chefe do Escritório Regional de Feira de Santana da CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional). O deputado também comenta sobre reforma do presídio, mudanças no PLANSERV, ações da Polícia Federal e prisão de Colbert Martins

“Não podemos admitir que 5% de quem usa o PLANSERV, use excessivamente ou sem nenhum controle. E o pior, quando você pede ao funcionário, manda o extrato e pergunta se utilizou ou não as faturas, 1% dá retorno.”

Jornal Grande Bahia – Deputado Zé Neto, mais uma modificação de cargos no governo Wagner. O que muda na administração?

Zé Neto – Na verdade iremos continuar nos pontos em que acertamos e melhorar o que falta. Estou com Eliana do meu lado, as pessoas do PT, do PP, da base aliada, todas combinando as mudanças, para que tudo saia harmonicamente.

Na composição dos cargos da ADAB, temos o companheiro José Arimatéia [deputado estadual]. As coisas estão funcionando de tal forma que há uma sintonia, e há uma sinergia que está fazendo com que a cada dia possamos aprimorar o trabalho do Governo do Estado em Feira de Santana e na região.

JGB – Mas essa indicação é sua ou do deputado federal Valmir Assunção?

Zé Neto – Essa indicação é na verdade do PT. Então, todos nós somos um pouco responsáveis por essa indicação, mais o PT.

JGB – Recentemente recebemos uma notícia de que o Presídio Regional de Feira de Santana será reformado. A mesma notícia que recebemos há mais de um ano atrás. Efetivamente sairá essa reforma?

Zé Neto – Já foi para a licitação. Há um ano você recebeu notícia nossa de que iriamos fazer a reforma. Veio o processo eleitoral que impede tudo, praticamente você só começa a trabalhar em novembro, dezembro. Dezembro você não pode mais liberar nada, por conta das regras do próprio processo eleitoral e também do administrativo. Começamos em fevereiro, quando fomos para fazer a licitação, descobrimos que havia um equivoco no projeto, com relação aos espaços de fuga e também com relação ao restaurante, que estava para ser construído. Então, nós tivemos que recuar e reestruturar o projeto, porque um erro arquitetônico podia gerar problemas no projeto.

Refizemos o projeto, enfrentamos dificuldades por conta do ajuste fiscal, que enfrentamos nos últimos quatro meses, mas graça a Deus esse mês estamos podendo trabalhar com tranquilidade e iremos fazer a licitação. Em setembro abre os envelopes e iremos começar essa obra daqui para novembro.

JGB – O governador Wagner fala em entrevista ao jornal A Tarde no fator moderador para o PALNSERV. O senhor tem tentado defender esse projeto do executivo. Como é que o senhor avalia esse quadro de discussões?

Zé Neto – Nós queremos melhorar o PLANSERV, como melhoramos. Hoje o PLANSERV tem o Hospital Português, Hospital Espanhol, Hospital Evangélico, Hospital da Bahia. Em Feira ampliamos o atendimento em todos os hospitais e clinicas. Saímos de 900 pontos de atendimento para 1468. Queremos um PLANSERV forte.

Não podemos admitir que 5% de quem usa o PLANSERV, use excessivamente ou sem nenhum controle. E o pior, quando você pede ao funcionário, manda o extrato e pergunta se utilizou ou não as faturas, 1% dá retorno. Só 1% dá retorno para dizer se foi ele ou não que usou a fatura, e não justifica. Então, nós estamos chegando ao ponto que a partir de outubro nós iremos ter que colocar mais dinheiro, e nós não temos mais que colocar dinheiro. O Estado coloca R$ 250 milhões no PLANSERV por ano.

Nós descobrimos que 85% usa até cinco vezes. Colocamos com seis [consultas] inicialmente, hoje estamos com dez, consultas e dez atendimentos de urgência e emergência. 95% de todos os usuários estão fora do fator moderador, só entra 5%. E mesmo assim, os 5% que entra, se estiver utilizando, por exemplo, alguma consulta ou de emergência, ou urgência, quem tiver qualquer doença crônica, asma, hipertensão, diabetes, coração, rins, qualquer doença crônica, não entra em nenhum fator moderador. Não muda absolutamente nada, para quem utiliza o PLANSERV.

Eu acho que temos que ter, como estamos tendo agora, mais espaços para ampliar esse debate com os trabalhadores. A Federação dos trabalhadores tem acento no Conselho do PLANSERV. Desde o mês de janeiro discutiu conosco e não se conseguiu avançar com a categoria dos trabalhadores do Estado, ficou esse ruído, nós adiamos o projeto para dar mais tempo a participação dos trabalhadores. Como aconteceu hoje pela manhã na Assembleia no debate com conosco.

Na segunda-feira faremos outra reunião, que irá definir algumas alterações no projeto, para estender essas tensões e acredito que estaremos na quarta-feira, votando o projeto de forma muito mais conciliadora.

JGB – O senhor também é advogado, e eu gostaria que o senhor falasse um pouco dessas ações da Polícia Federal, como o senhor analisa todo esse processo, em que tem existido uma verdadeira limpeza ética, na administração pública e também no setor privado?

Zé Neto – Todo mundo reclama de algumas situações que são exageros da polícia, é verdade. Algumas coisas são frutos de certo exagero, talvez no afã de resolver problemas, acaba tendo outros.

Mas é evidente que nós não podemos deixar de reconhecer a importância da Polícia Federal nesses últimos anos, principalmente quando teve mais liberdade e mais estrutura para atuar. Tem atuado, tem contribuído para o processo de divulgação e de otimização da preservação do bem público.

Mas eu não posso concordar, por exemplo, que prisões, como aconteceu com a de Colbert Martins. Não causava nenhum risco Colbert está solto, para que as investigações pudessem ocorrer. E acontecesse a prisão com aquela conotação. Para mim, essas situações tem que ser mais avaliadas, porque se não a gente também pode estar fazendo “justiça em excesso”, e acaba cometendo injustiças.

Não vi sentido, por exemplo, uma situação como aquela, onde todos os atos administrativos são escritos e comprováveis, sem a necessidade da prisão do Colbert Martins, que era evidentemente funcionário público.

No mais a gente tem que ter paciência, para ponderar as ações que são excessivas, mas não deixar de reconhecer a importância da Polícia Federal, no aparato do Estado, para cumprir o seu papel e fazer com que haja punibilidade onde for necessário.

*O deputado Zé Neto quando se refere à prisão do ex-deputado federal Colbert Martins, comenta sobre a Operação Voucher que desarticulou um esquema de desvios de dinheiro público no Ministério do Turismo.

Sobre Carlos Augusto 9649 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).