IPAC inicia amanhã (01/09) comemorações dos 45 anos de fundação

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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A partir do mês de setembro (2011), que começa amanhã, quinta-feira (1º), serão iniciadas as comemorações pela criação do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), responsável pela implantação da política pública de salvaguarda dos bens culturais baianos, sejam eles materiais ou imateriais.

O IPAC surge como uma fundação em 13 de setembro de 1967, durante o governo de Luiz Viana Filho, através da Lei nº2.464, regulamentada pelo Decreto nº20.530 de 03 de janeiro de 1968, como órgão da então Secretaria de Educação e Cultura da Bahia. Em 1980 passa a ser, oficialmente, um instituto, seguindo a política federal do Instituto Nacional do Patrimônio (Iphan), criado em 1937.

Para o professor da Universidade de São Paulo, doutor em Arquitetura e ex-presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural de São Paulo (Conpresp), José Eduardo Lefèvre, essa entidade estadual é um dos principais órgãos de patrimônio do Brasil. “O IPAC é um instituto pioneiro no nosso país e tem relevantes serviços prestados em benefício do acervo cultural da Bahia”, afirma o renomado especialista.

“Até setembro de 2012 entregamos obras de restauro, lançamos livros e videodocumentários sobre o conhecimento científico produzido pelo instituto, efetivamos tombamentos e registros de patrimônios culturais e realizamos outros eventos comemorativos”, diz o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça. Graças ao IPAC, até este ano (2011) foram tombados 171 monumentos e imóveis de importância histórico-arquitetônica para a Bahia.

Também foram registradas sete manifestações como bens imateriais da Bahia a exemplo da Festa de Santa Bárbara, Desfile dos Afoxés, Carnaval de Maragojipe, Cortejo 2 de Julho e Festa da Boa Morte. Ao receber a chancela do tombamento ou registro, o bem cultural passa a ser protegido pelo Estado e tem prioridade nas linhas de apoio financeiro, sejam municipais, estaduais, federais e até internacionais.

As comemorações pelos 45 anos do IPAC começam em setembro (2011) e só terminam no mesmo mês em 2012. A programação abre com a entrega de imagens sacras que foram restauradas pela equipe de especialistas do IPAC. Serão entregues à Paróquia de Nossa Senhora das Candeias de São Sebastião do Passé, município localizado a 58 km de Salvador, um Cristo crucificado de 30 cm de altura, uma Nossa Senhora da Encarnação de 1,18 metros e um livro-escultura de madeira, de 22 X 29 cm, representando uma bíblia. Além disso, técnicos da Coordenação de Restauro de Elementos Artísticos do IPAC restauraram uma Nossa Senhora do Pilar do século 18, de 86 X 36 cm, feita em madeira de cedro com anjos ao redor, coberta com véu verde e manta branca com detalhes dourados.

A programação continua no próximo dia 13, data da fundação do IPAC, quando será lançado, em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), seção Bahia, um Concurso Nacional de Ideias para a Requalificação dos Largos do Pelourinho. O lançamento acontecerá no Palácio Rio Branco, a primeira casa governamental do Brasil, restaurada pelo IPAC ao custo de R$7,3 milhões, e entregue pelo então presidente Lula e governador Jaques Wagner em junho de 2010.

No dia 14, será promovido no Conselho Estadual de Cultura da Bahia, no Palácio da Aclamação, em Salvador, o projeto ‘Conversando sobre Patrimônio’ com temática sobre a Arqueologia na Bahia. O palestrante será o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e PhD pelo Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra, Carlos Etchevarne. Doutor em Pré-História pelo Museu de História Natural de Paris, ele é autor de dezenas de projetos, com reconhecimentos locais e nacionais, como o Prêmio Clarival do Prado Valladares da Odebrecht, entre outros.

No dia 15, o IPAC participa da exposição ‘A Céu Aberto: a louça de Coqueiros’ que será aberta no Instituto Mauá do Pelourinho. No dia 16, às 19h, acontece abertura da exposição Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina, projeto realizado via parceria entre IPAC e Ufba, no Solar Ferrão, no Pelourinho. O evento da Chapada conta com apoio das prefeituras municipais de Lençóis, Iraquara, Seabra, Morro do Chapéu, Palmeiras e Wagner. Edificação originária do século 17 e tombada como monumento nacional pelo Iphan, o Ferrão é administrado pelo IPAC e também já foi sede do instituto.

De 24 a 30 de setembro, equipes multidisciplinares do IPAC participam das Conferências Territoriais da Secult, sequenciadamente, nos municípios de Jacuípe, Serrinha e Cícero Dias. Em 30 de setembro o IPAC lança novo site, com visual mais contemporâneo, novo ordenamento e buscas, acervo e exibição videográfica, downloads de publicações, entre outras melhorias técnicas.

Até o final de setembro, o IPAC finaliza ainda as obras de restauração do complexo arquitetônico-histórico do cemitério e igreja do Pilar. Construído em meados do século 17, na base da falha geológica de 70 metros de altura que divide as cidades Alta e Baixa, na capital baiana, o conjunto arquitetônico do Pilar é tombado pelo Iphan desde 1938 e tem elementos barroco, rococó e neoclássico.

“Esta é a recuperação mais importante já realizada nessa igreja e cemitério em 50 anos, desde a década de 1960”, esclarece Mendonça. O investimento é de R$ 5 milhões do programa Prodetur do Ministério do Turismo, incluindo contrapartida estadual, via Secretaria de Turismo, e com coordenação geral do IPAC/SecultBA. Outros dados e programações comemorativas dos 45 anos do IPAC são encontrados sempre no site www.ipac.ba.gov.br.

CRONOLOGIA IPAC

A primeira sede do IPAC foi no Largo do Pelourinho, nº 12, a partir de 1967. Em 1980 a fundação se torna Instituto. Desde então, o IPAC funcionou no Solar Ferrão, tombado pelo Iphan, sendo transferido em 2006 para outros imóveis dos séculos 18 e 19, recuperados para usos contemporâneos, um deles, o Mirante do Saldanha, que sedia a Diretoria Geral do IPAC e está localizado nas imediações do Viaduto da Sé, entre as ruas 28 de Setembro e Saldanha da Gama, próximos ao Liceu de Artes e Ofícios.

Nos últimos 40 anos, o IPAC desenvolveu dinâmicas e ações sociais, culturais, de obras de restauração e conservação predial em toda a Bahia, promoção científica, educação patrimonial, publicação de livros, produção de videodocumentários e se responsabilizou por várias etapas de recuperação do Centro Histórico de Salvador que, por seu conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico passou à condição de patrimônio nacional em 1984, tendo reconhecimento pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1985.

Em 1991, foi iniciado um processo de restauração das quadras nas imediações do Largo do Pelourinho e do Terreiro de Jesus, conhecidas como Maciel, de Baixo e de Cima. Nesse processo, o interior das quadras foi esvaziado de seus antigos quintais, entulhados de anexos encortiçados, e transformados em espaços urbanizados para uso comum. Hoje, são os largos onde acontecem grande parte das atividades do programa Pelourinho Cultural do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Secult e que têm nomes ligados a personagens do escritor Jorge Amado, e que serão requalificados com o Concursos nacional de Idéias em parceria com o IAB.

Ao longo desses 45 anos, a trajetória do IPAC está indissoluvelmente ligada às histórias de vida que se constituíram no período, aos principais acontecimentos e às teias de relações entre proprietários, ocupantes, comerciantes, moradores e visitantes dos locais onde fez obras, como Pelourinho, Terreiro de Jesus, Cachoeira, São Félix e outras cidades baianas. Do Pelourinho, o IPAC expandiu suas ações de salvaguarda para 19 dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Nos Territórios com maior número de bens culturais sob a tutela do Estado, foi exibida a exposição dos 40 anos do IPAC, em 2007, no Portal do Sertão (Feira de Santana), Sertão Produtivo (Caetité), Recôncavo (Cachoeira), Chapada Diamantina (Lençóis).

Outra ação importante do IPAC foi o lançamento de Editais, que possibilitou a participação efetiva da sociedade civil na salvaguarda dos bens culturais da Bahia. De 2007 a 2011 os editais do IPAC já beneficiaram cerca de 200 municípios. Já foram investidos R$ 2 milhões do Fundo de Cultura em editais do IPAC no período 2008-2010. “Os editais permitem que a sociedade civil participe das políticas públicas culturais, garantindo ferramentas transparentes e democráticas na distribuição de recursos”, explica o coordenador de Editais do IPAC, Layno Pedra, coordenador de Editais do IPAC.

Embora fortemente marcada pela ação de preservação, conservação e restauro de bens imóveis, “de pedra e cal” (sobrados, casas de fazenda, edifícios religiosos, painéis, obras de arte), o IPAC avançou na salvaguarda do patrimônio imaterial, com o registro de manifestações fortemente ligadas à cultura local, como os cortejos de Santa Bárbara e do Dois de Julho, além da Capoeira e do tombamento dos terreiros de candomblé. Passados 45 anos de sua criação, na atual gestão da Secult, o IPAC vem desenvolvendo o constante exercício de ampliar o entendimento de patrimônio enquanto solidariedade, de resgatar a memória e a história política e cultural dos locais e das gentes. Solidariedade entre gerações. Patrimônio material e imaterial. Exercício de memória e contemporaneidade.

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