EUA evitam calote, mas enfrentam perda de credibilidade

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Depois de semanas de impasse e debate ferrenho, Câmara dos Representantes aprova plano para evitar calote da dívida. Lei deve passar no Senado sem dificuldade. No resto do mundo, credibilidade dos EUA sofre abalo.

Para muitos especialistas, o pior legado desta batalha é a polarização no Congresso norte-americano. A dificuldade em se chegar a um acordo que evitasse o calote norte-americano, fato que prejudicaria qualquer cidadão do país, independentemente de sua orientação política e renda, dá indicações de uma grande disfunção.

Um fator de grande significado que influenciou a paralisia do órgão foi um grupo de legisladores republicados na Casa dos Representantes afiliado ao chamado Tea Party, um movimento conservador no tocante a assuntos fiscais.

O grupo se opõe ferozmente a qualquer tipo de aumento de impostos e do orçamento, e também demonstra grande desconfiança nas “normas e tradições, no partido da oposição e seus líderes, nos grandes bancos, nas elites e pessoas que gerenciam o país e a economia”, comenta Stu Rothenberg, analista político norte-americano apartidário.

No Congresso, 60 legisladores são associados ao Tea Party, o que corresponde a um nono dos votos da casa. No entanto, eles conseguem parar a discussão política em Washington porque na Câmara dos Representantes são suficientes para bloquear o plano de limite da dívida que incluía aumento de impostos.

Entre o desejado e o acordado

O presidente Barack Obama pretendia negociar um grande acordo para cortar cerca de 4 trilhões de dólares em custos e equilibrar as contas do país – além de acabar com a burocracia, o desperdício e as armas desnecessárias, mas com grande proteção social.

Mas o que saiu não foi bem o que o presidente desejava. Em vez dos 4 trilhões, apenas 1 trilhão de dólares foi cortado, embora a lei diga que 1,5 trilhão ainda possa ser economizado. Uma comissão foi criada para recomendar outros cortes no orçamento. Mas se esse grupo não encontrar soluções, serão automaticamente diminuídos gastos nas áreas militar e social.

Obama também precisa lidar com a derrota em outro tema: aumento de impostos. O presidente pretendia criar uma lei que obrigasse empresários, gerenciadoras de fundos e a indústria do petróleo a desembolsar mais. Mas a discussão voltou a sair da pauta.

Repercussão

Na China, a opinião é que o débito norte-americano continua uma ameaça à economia global, dizia a manchete do principal jornal oficial, People´s Daily. Como maior credor dos Estados Unidos, o país asiático pediu repetidamente que Washington protegesse os investimentos em dólares, que correspondem a 70% dos 3,2 trilhões das reservas internacionais chinesas.

Na opinião do jornal, a credibilidade do Tesouro norte-americano está sendo prejudicada desde o início da crise imobiliária, mas outras economias continuam sem opção à dependência do dólar.

Frederick Kempe, presidente do Atlantic Council, think tank com base em Washington, tem opinião semelhante. “Apesar de a ameaça de calote ter sido resolvida, muitos danos foram perpetrados. Uma parte da confiança nos Estados Unidos se perdeu, mesmo que as agências de rating não diminuam sua nota, os chineses e outros já o fizeram”, comenta.

Para o especialista, os danos ainda serão sentidos a longo prazo, e demonstram uma fragilidade do mundo ocidental: “É uma crise dupla para o Ocidente, quando se considera também a crise na zona do euro”.

*Com informações: Deutsche Welle

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