Estão fechado os olhos do consumidor | Por Luiz Carlos Amorim

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Recebi um exemplar da cartilha “O Olho do Consumidor”, publicada pelo Ministério da Agricultura em 2009. Ela deveria ter sido distribuída a toda a população brasileira com o objetivo de divulgar o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica. Selo este que pretende padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, esclarecendo o consumidor para que ele saiba escolher alimentos não contaminados e não modificados geneticamente.

A cartilha foi ilustrada por Ziraldo, o que não deve ter saído barato. Mas o pior é que foram impressos 620.000 (seiscentos e vinte mil) livretos, que não foram distribuídos, porque a multinacional produtora de sementes transgênicas Monsanto entrou com um mandado de segurança, conseguindo uma liminar na justiça que impediu que a publicação chegasse até o público. Todos nós sabemos quem pagou a impressão dos mais de seiscentos mil livretos que devem estar amontoados em algum galpão do governo, se já não foram reciclados ou queimados. E o valor é astronômico, prestemos atenção à tiragem. Pago com dinheiro público, arrancado de nós, cidadãos brasileiros, com a cobrança dos impostos mais caros do mundo.

Que justiça é essa, que não deixa esclarecer o povo que ele está sendo envenenado com produtos transgênicos ou carregados de agrotóxicos? Deve estar correndo muito dinheiro para que o povo não seja esclarecido, para que a justiça seja comprada assim, falida como a educação brasileira, como a saúde brasileira, como a segurança.

Nós sabemos que as frutas, legumes, verduras, sementes e toda sorte de alimento vegetal tem uma carga enorme de agrotóxicos: o Brasil é o país que aplica a maior quantidade de veneno nas plantas. Não sabemos, isto sim, o que é alimento transgênico, pois parece que não há nenhum interesse esclarecer a população.
Pois produtos transgênicos – ou Organismos Geneticamente Modificados – são organismos a cujas células foram adicionadas células de outros seres vivos, para que se tornem mais resistentes a pragas de insetos e para que se conservem mais facilmente. Acontece que experiências demonstram que a toxina BT do milho, por exemplo, polui os solos durante vários anos, e que as plantas geneticamente modificadas matam os insetos que as comem, e também matam as joaninhas que depois comeriam os insetos. Consequentemente, os ecossistemas ficam desestabilizados, pois o cultivo de plantas transgênicas pode, também, matar populações benéficas como abelhas, minhocas e outros animais e espécies de plantas.

Então, como vimos, uma técnica muito utilizada é a introdução de gene inseticida em plantas. Desta forma consegue-se que a própria planta possa produzir resistências a determinadas doenças da lavoura. Mas mata outros seres vivos também. E se mata insetos, para o ser humano não há prejuízo nenhum?

Não existem estudos, ainda sobre o efeito dos alimentos transgênicos no ser humano. E, no entanto, eles estão sendo cada vez mais produzidos.

O Brasil, infelizmente, vai na contramão do instinto de preservação do ser humano e, além de não proibir a produção de transgênicos até que tenham sido feitos estudos suficientes para que se saiba se eles podem ser consumidos pelo homem sem problemas, ainda impede que a população seja esclarecida sobre como escolher a sua alimentação, beneficiando uma grande empresa multinacional que vende sementes transgênicas.

Que país é esse? Que justiça é essa?

*Sobre o autor: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 30 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 26 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc. O autor assina, também, o Blog CRONICA DO DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

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