Escolha de Amorim consolida poder civil sobre militares na democracia brasileira, diz analista político

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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A presidenta Dilma Rousseff acertou na escolha do ex-chanceler Celso Amorim para ocupar a vaga deixada por Nelson Jobim no Ministério da Defesa, segundo o analista político Creomar de Souza. Na opinião dele, Amorim deverá consolidar o controle civil sobre as atividades militares e mostrar traquejo para lidar com as dificuldades do cargo.

“Era a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa”, avalia Souza, que também é professor de Relações Internacionais da Faculdade Ibmec em Brasília. Ele explica que o Brasil não tem tradição de subordinação militar ao poder civil e que o Ministério da Defesa foi criado com dificuldades durante o governo de Fernando Henrique Cardoso justamente para marcar a nova fase da democracia brasileira.

No entanto, para o professor, o objetivo só foi alcançado quando Jobim assumiu a pasta. O ex-ministro tinha perfil compatível com o modus operandi militar, com personalidade forte e pouca flexibilidade, explicou.

“Com Jobim nós tivemos pela primeira vez alguém que era ministro e que conseguiu impor uma agenda para os militares. Só que chegou um momento em que a manutenção do ministro era insustentável.”

Diante da situação, de acordo com Souza, colocar o vice-presidente da República para acumular as funções – como fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com José Alencar em seu primeiro mandato – seria um “retrocesso”.

“Essa fase do vice na Defesa já passou. O ministério agora é como os outros, exige alguém com dedicação exclusiva e não há mais motivo para colocar uma figura emblemática lá.”

Para o analista político, a hierarquia militar não permite questionamentos quanto à escolha da presidenta, que é também a chefe das Forças Armadas, mas as resistências apareceriam com qualquer nome em função da dificuldade dos militares em lidarem com o comando civil.

Além disso, Souza reconhece que militares e diplomatas têm “modelos de formação e de pensar o Brasil totalmente diferentes”, mas acredita que o nome de Celso Amorim foi a opção correta de Dilma.

“Ele [Celso Amorim] vem para reafirmar que o Brasil é uma democracia consolidada. E nas democracias consolidadas os militares estão subordinados ao poder civil.”

Apesar disso, o professor acredita que ainda é cedo para saber se o novo ministro vai conseguir dar continuidade à agenda iniciada por Jobim, que inclui temas como a Política de Defesa Nacional e a Estratégia Nacional de Defesa.

“Ainda é cedo para mensurar a recepção que ele terá. Acredito que o ministro Amorim vai procurar primeiro saber onde está pisando.”

Novo ministro da Defesa vai ajudar a fortalecer papel internacional do Brasil, diz Patriota

O novo ministro da Defesa, Celso Amorim, contribuirá para fortalecer o papel internacional do Brasil, ajudando-o na sua tentativa de conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A avaliação foi feita hoje (5), no Rio, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Amorim, assinalou Patriota, tem grandes experiência em temas como desarmamento e não proliferação de armas nucleares, além de ter comandado o Itamaraty durante o governo Lula.

De acordo com Patriota, Amorim levará para o Ministério da Defesa “uma extraordinária experiência em temas que terão relevância na gestão da pasta, como, por exemplo, a atuação bem-sucedida do Brasil como Força de Paz no Haiti”.

“Ele [Amorim] também é um profissional extremamente comprometido com a integração sul-americana”, destacou Patriota, que presidiu a solenidade em homenagem ao centenário de nascimento do político, jornalista e diplomata San Tiago Dantas, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no centro do Rio.

Patriota ressaltou ainda o papel do Brasil no processo de construção da paz e de cooperação entre as nações. “Estamos no Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente e temos contribuído para estabelecer pontes entre diferentes posições. Tenho certeza que, à frente do Ministério da Defesa, ele [Amorim] ajudará a fortalecer o papel internacional do Brasil.”

Amorim elogia Estratégia Nacional de Defesa e promete respeitar interesses maiores da nação

Em seu primeiro pronunciamento como ministro da Defesa, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim elogiou o trabalho de seus antecessores e prometeu respeitar os interesses estratégicos nacionais na condução da política setorial.

Ao citar o ex-ministro Nelson Jobim, que deixou o cargo na noite de quinta-feira (5) após uma sucessão de declarações que geraram desconforto ao governo federal, destacou a importância da Estratégia Nacional de Defesa – elaborada por Jobim e pelo ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) Roberto Mangabeira Unger com a assessoria de militares e aprovada em dezembro de 2008 sob a forma de decreto presidencial, com o objetivo de modernizar a estrutura nacional de defesa.

“Tenho muito apreço pelo trabalho feito pelos meus antecessores, inclusive pelo ministro Nelson Jobim. Acho que a Defesa tem um projeto importante. Há um projeto importante, uma estratégia nacional definida”, comentou o ministro antes de acrescentar que, na condição de servidor público, pretende abrir canais de diálogo com a sociedade “sem perder de vista os interesses maiores da nação”.

Amorim, cuja nomeação para o cargo foi publicada no Diário Oficial da União de ontem (5), agradeceu a confiança da presidenta Dilma Rousseff, a cujo governo disse pretender servir “com o mesmo afinco e empenho com que trabalhei em outras funções”. Ele também adiantou que se reunirá hoje (6) em Brasília com os comandantes das Forças Armadas.

Sem espaço para perguntas dos jornalistas, o pronunciamento, que não chegou a três minutos, ocorreu ontem (5) em um dos campus da Universidade Estadual da Paraíba, em João Pessoa, onde Amorim fez uma palestra sobre relações internacionais e a política externa no governo Lula. Segundo a assessoria da instituição de ensino, o convite ao ex-chanceler foi feito há mais de um mês.

Amorim se reúne com Dilma e comandantes das Forças Armadas e diz que não vai “reinventar a roda”

Um dia depois de ter sido nomeado para substituir Nelson Jobim no comando do Ministério da Defesa, Celso Amorim se reuniu pela primeira vez com a presidenta Dilma Rousseff e com os comandantes das Forças Armadas.

Amorim almoçou com Dilma no Palácio do Alvorada, onde chegou por volta das 12h45 e de onde saiu às 15h20. Segundo a assessoria do ministério, durante a longa conversa com a presidenta, Amorim recebeu as primeiras orientações sobre a condução da pasta. Amorim estava em João Pessoa desde a última quinta-feira (4), quando Jobim deixou o cargo e o ex-chanceler foi anunciado pela presidenta como o novo ministro da Defesa.

Do Alvorada, Amorim seguiu direto para o Palácio do Planalto, onde recebeu os comandantes do Exército, general Enzo Peri; da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi. O encontro durou 1h45.

De acordo com a assessoria do ministério, Amorim apresentou aos militares os motivos que o levaram a aceitar o convite para assumir o cargo. Ele disse estar com bastante disposição, prometeu se empenhar para executar as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, aprovada em 2008, e disse que não vai “reinventar a roda”.

Além de se apresentarem ao novo ministro, os comandantes militares destacaram as prioridades de cada pasta. Ainda de acordo com a assessoria, Amorim ficou bastante satisfeito e considerou a conversa positiva. Nos próximos dias, ele deve se reunir com cada comandante individualmente a fim de conhecer mais a fundo as necessidades.

Nelson Jobim foi substituído depois de ter feito sucessivas declarações que geraram desconforto ao governo federal, como a de que, nas últimas eleições presidenciais, votou no candidato tucano José Serra e não em Dilma. A nomeação de Amorim foi publicada no Diário Oficial da União de ontem (5) e a cerimônia de posse está prevista para a próxima segunda-feira (8), em horário ainda não definido.

Ontem, ao participar de um evento em João Pessoa (PB) a convite da Universidade Estadual da Paraíba, Amorim prometeu respeitar os interesses estratégicos nacionais na condução da política de Defesa e elogiou o trabalho de seus antecessores.

*Com informações: Agência Brasil

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