Economia | Brasileiros declararam US$ 274 bilhões no exterior, FGTS liberou R$ 2 bilhões para Minha Casa, dólares e regulação financeira

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Mais de 20 mil brasileiros declararam ao Banco Central ter US$ 274 bilhões no exterior

O Banco Central (BC) divulgou hoje (23) que 17.879 pessoas físicas e 2.191 empresas declaram ter US$ 274,6 bilhões no exterior, em dezembro do ano passado. Comparado a 2009, representam aumentos de 18,6% no número de declarações de capitais brasileiros no exterior e de 23% no volume de recursos.

A declaração, iniciada no ano-base 2001, é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas que detinham ativos acima de US$ 100 mil em outros países, para permitir ao Brasil medir sua posição internacional de investimentos (PII). Isso e o balanço de pagamentos constituem as estatísticas fundamentais para a análise do setor externo da economia brasileira.

O balanço divulgado pelo BC mostra que do total de recursos brasileiros lá fora US$ 189,2 bilhões são referentes a investimentos diretos, que cresceram 15% em relação a 2009. Comparado aos R$ 49,7 bilhões de investimentos em 2001, a evolução mais que triplicou, “evidenciando a sólida e acelerada internacionalização das empresas de capital brasileiro”.

Os investimentos brasileiros em carteira no exterior somaram US$ 38,397 bilhões, dos quais US$ 797 milhões em derivativos. Os demais US$ 47 bilhões correspondem a aplicações diversificados. Segundo o BC, a participação do capital brasileiro no exterior concentra-se em atividades de extração mineral (27,4%) e em serviços financeiros e atividades auxiliares (38,2%).

Quanto à distribuição geográfica, destaque para a Áustria, país no qual foram investidos 21,9% do estoque total. Mais do que receberam alguns paraísos fiscais como as Ilhas Cayman (17,4%), Ilhas Virgens Britânicas (8,7%) e Bahamas (7,3%). Os ativos brasileiros são significativos também nos Estados Unidos (7,8%), Países Baixos (6,4%), na Dinamarca (5,5%) e Espanha (5,3%).

Os empréstimos intercompanhia, que compreendem os créditos concedidos a subsidiárias e filiais no exterior na forma de empréstimos e financiamentos de bens e serviços, bem como a compra de títulos emitidos por essas coligadas, registraram retração de 37,2% no ano. Eles somaram US$ 20,2 bilhões ao final de 2010, dos quais US$ 15,6 bilhões de longo prazo e US$ 4,6 bilhões de curto prazo.

Para Coutinho, Brasil precisa definir o grau de regulação financeira para enfrentar entrada de dólares

Na avaliação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, a grande discussão, hoje, no Brasil é sobre a oportunidade, a legitimidade e a conveniência de adotar mecanismos de regulação financeira para impedir que o excesso de liquidez da economia mundial, decorrente da crise econômica, possa contaminar a economia e as finanças públicas do Brasil.

Para Coutinho, não haverá nenhuma ruptura da União Europeia em consequência da crise fiscal de alguns países do bloco. O Banco Central Europeu, na avaliação dele, continuará dando liquidez aos mercados e evitando qualquer episódio grave de inadimplência ou de interrupção da oferta de crédito. No caso dos Estados Unidos, “o cenário já está dado” e a expectativa é que o Federal Reserve, autoridade monetária norte-americana, também mantenha “esse estado de liquidez, com juros próximos de zero”. Assim, haverá “excesso” de liquidez no mundo, que motiva o ingresso de capitais nos países emergentes com economias estáveis.

“É por isso que o país não corre o risco de ocorrer uma fuga de capital. Mas a prudência nos leva a manter uma observação e uma regulação cuidadosa para que o país continue a ter um crescimento que mantenha a saúde das finanças públicas e do sistema financeiro”.

O presidente do BNDES, que participou hoje de um seminário na sede do banco, alertou para o perigo que é o Brasil assumir passivos em moeda estrangeira e ativos em moeda nacional. “São desequilíbrios que, em nossa história, sempre se mostraram provocadores de crises, seja no setor privado, seja no setor público”.

Número dois da Fazenda nega novas medidas para barrar entrada de dólares

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, negou nesta terça-feira (23) que o governo estude a adoção de novas medidas na área cambial. Segundo ele, o momento é de acompanhar as medidas já implementadas “para evitar a entrada de capital especulativo de modo a impedir a apreciação excessiva do real”.

Ele admitiu que a crise econômica mundial, os problemas relativos ao patrimônio dos bancos e a necessidade de se estimular a recuperação econômica dos países desenvolvidos têm efeito sobre o resto do mundo, especialmente países emergentes como o Brasil, cujo taxa de câmbio é muito atrelada à cotação dos produtos básicos agrícolas e minerais (commodities).

“Mas a gente já tem lidado com isto de várias formas e o Brasil tem colocado limites às posições em moeda estrangeira, seja por parte dos bancos ou dos agentes financeiros. E temos adotado tributações sobre alguns fluxos de capitais para diminuir o incentivo à apreciação do real”, explicou Barbosa.

As declarações do secretário executivo foram dadas após participar de um seminário no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na ocasião, ele manifestou a crença de que o governo conseguirá cumprir a meta de inflação traçada pelo Banco Central. “Eu acho que a meta será cumprida ainda este ano e que ela ficará abaixo de 6,5%. Já no próximo ano, a inflação vai convergir para 4,5%. Pelo menos é o que indicam os últimos boletins do Banco Central: que ela venha a convergir para perto de 4,5% já no meio do ano [que vem]. A partir daí há uma incerteza: se permanece em 4,5% ou se sobe um pouco. Mas eu acho que ela [a inflação] converge para os 4,5%”.

FGTS liberou R$ 2 bilhões para o Minha Casa, Minha Vida no primeiro semestre

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) liberou cerca de R$ 2 bilhões para o programa Minha Casa, Minha Vida no primeiro semestre de 2011. Os números foram apresentados hoje (23) durante a reunião do Conselho Curador do fundo.

De acordo com o Ministério do Trabalho, o valor de R$ 1,998 bilhão será utilizado para contratar 122 mil unidades habitacionais. A maior parte das liberações do FGTS para o programa habitacional foi para a Região Sudeste, no total de R$ 732 milhões. Em seguida estão o Sul, com R$ 521 milhões, o Nordeste, com R$ 422 milhões, e o Centro-Oeste, com R$ 277 milhões. Para a Região Norte, foram liberado R$ 92 milhões.

Somando os repasses do FGTS para as áreas de Habitação Popular, Habitação – Operações Especiais, Infraestrutura Urbana, Saneamento Básico e Fundo de Arrendamento Residencial, o total liberado pelo fundo nos primeiros seis meses do ano chega a R$ 13,5 bilhões.

*Com informações da Agência Brasil.

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