Debate sobre crescimento industrial de Feira de Santana passa por estudo de ventos elaborado pela professora Rosângela Santos

Mapa da Bahia ilustra incidência de ventos sobre o estado.
Mapa da Bahia ilustra incidência de ventos sobre o estado.

Nesta terça-feira (02/08/2011), o programa de radiojornalismo Rotativo News promove debate, das 15 às 17 horas, sobre a política de expansão industrial de Feira de Santana. O diretor do Jornal Grande Bahia (JGB), Carlos Augusto, teve acesso a importante estudo sobre incidência e direção dos ventos em Feira de Santana que aponta a opção CIS – Norte, trecho compreendido bem acima da UEFS em direção à Santa Bárbara, às margens da BR 116 Norte, como o local ideal para a construção do novo polo industrial de Feira de Santana.

O JGB recebeu com exclusividade o estudo elaborado pela professora doutora Rosângela Leal Santos, Geógrafa pela Universidade Católica do Salvador e Professora Assistente do Departamento de Tecnologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), onde afirma:

“A caracterização do clima de Feira de Santana é complexo, devido à sua posição interfásica, entre o os domínios úmidos e secos. Situa-se numa área intermediária ente o domínio quente e úmido, característico das florestas pluviais e o domínio semiárido das zonas tropicais, com estação seca definida, podendo ser mais ou menos longa, variando de 3 a 8 meses.”

A professora ainda explica que ao longo do ano a dinâmica atmosférica de Feira de Santana é dominada pela influência do Anticiclone Semi-Fixo do Atlântico Sul. “Que se manifesta no continente pelo predomínio de ventos alísios de Leste (E) e de Sudeste (SE). Este sistema semi-permanente, gerador de altas pressões subtropicais, dá origem às massas de ar Equatorial Atlântica (Ea) e Tropical Atlântica (Ta), caracterizada por altas temperaturas e uma forte umidade específica alimentada pela intensa evaporação marítima, provocando elevada umidade e altos índices pluviométricos no litoral, e levando umidade ao interior, mas já chegando relativamente fraca em Feira de Santana, que dista aproximadamente 98 km da costa.”

Ou seja, os ventos oriundos da costa marítima da Bahia, Salvador e Recôncavo, vão em direção ao município de Feira de Santana e deste, para o interior, diminuído sua intensidade à medida que se afastam da costa. Para termos uma ideia mais especifica na hipótese de um incêndio de grandes proporções em uma das indústrias localizadas nas áreas denominadas CIS – BR 324 e CIS – Tomba, os gases tóxicos seriam levados diretamente para o centro de Feira de Santana, trazendo graves riscos à população.

Um erro histórico que precisa ser corrigido. A UEFS deveria ter sido construída no Bairro do Tomba e o Centro industrial do Tomba e da BR-324 na região da UEFS. Como não dá para voltar ao passado e fazer as coisas da forma correta. É importante que neste momento em que o Governo da Bahia e a Prefeitura de Feira de Santana debatem a construção de um novo núcleo industrial ou expansão dos existentes, passem a pensar em termos de segurança populacional e políticas ambientais adequadas. Levando em consideração, em primeiro lugar, em que direção os ventos viajam.

O cidadão comum também pode observar as nuvens e verificar que ao longo do ano, vêm em sua maior parte, da direção de Salvador e do Recôncavo, passando por Feira de Santana e indo para o interior. Ou seja, a constatação empírica dos fatos, também aponta para a construção do novo polo industrial de Feira de Santana na região da BR 116 Norte.

Saiba + sobre a Doutora Rosângela Santos

Rosângela Leal Santos é geógrafa pela Universidade Católica do Salvador, Mestre em Geociências pela Universidade Federal da Bahia, Doutora em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Residende em Feira de Santana, sendo Professora Assistente do Departamento de Tecnologia da Universidade Estadual de Feira de Santana, Coordenadora da Estação Climatológica nº 83221/UEFS/FSA, responsável técnica pelos dados climatológicos de Feira de Santana frente ao IV Distrito de Meteorologia (Regional Bahia/Sergipe), líder de grupo de pesquisa em Climatologia no CNPq.

A professora Rosângela Santos explica que ao longo do ano a dinâmica atmosférica de Feira de Santana é dominada pela influência do Anticiclone Semi-Fixo do Atlântico Sul.
A professora Rosângela Santos explica que ao longo do ano a dinâmica atmosférica de Feira de Santana é dominada pela influência do Anticiclone Semi-Fixo do Atlântico Sul.
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Sobre Carlos Augusto 9609 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).